sábado, 17 de dezembro de 2016

ENTENDA POR QUE OS MILITARES NÃO INTERVIRÃO NESTE MOMENTO DE PERVERSO CAOS



Para os que sonham com a intervenção militar, é melhor deixar os devaneios de lado. Confesso que eu próprio, que sempre reneguei a presença das forças armadas no governo, hoje também torço pra que elas intervenham. Jamais me imaginei dizendo isto. Mas desejo por uma questão de pragmatismo: lembro que a ditadura militar de 1964 a 1985 foi assassina e medonha, e um novo regime militar pode ser igual a ela: pode, mas não é certo, enquanto o sistema atual é também medonho, matando por outros métodos, que são a fome, a falta de acesso à saúde e às medicações de valor vultoso, que até ontem o sistema público financiava com a imposição de liminares, enquanto hoje, com a PEC da morte, nem as liminares serão mais concedidas. Ou seja, a ditadura matou de um jeito, o sistema atual mata de outro, e em ambos não há democracia nem Estado de Direito. Contudo, uma intervenção das três forças poderia propiciar regras jurídicas claras, leis, autoritárias ou não, bem definidas, enquanto o que há hoje é um verdadeiro oba-oba, com Michel Temer e Renan Calheiros conduzindo a Nação da forma como bem querem, e o STF e o Congresso curvando-se aos desmandos e caprichos dos dois, rasgada a Constituição, o CPC e tudo quanto é legislação: a lei se cria ou interpreta de jeito torto no momento em que é necessários beneficiar os dois e os seus apoiadores. O que se investiga de Cunha, não se investiga de Renan, o que se aceita contra Lula, não se aceita contra Renan e Temer, e só é punido quem já está fora do poder. Não peço nem pediria jamais a impunidade de Lula ou Cunha em caso de culpa comprovada, só quero que os que detêm o poder também sejam investigados e, se culpados, punidos.
Agora, porém, voltando à minha tese de que os militares não vão intervir em nenhuma hipótese no atual contexto, é fácil elucidá-la. Em 1964, o golpe militar não se deu em nome da ordem, da justiça e do equilíbrio das instituições, mas unicamente porque os grandes empresários e banqueiros, os ricos em geral, sentiram-se ameaçados pelos ímpetos socialistas de João Goulart, enquanto no cenário atual as grandes fortunas estão, mais do que muito bem protegidas, extremamente favorecidas e privilegiadas pelo atual governo e sistema. Consequentemente, os militares, poupados das reformas previdenciária e trabalhista, além de por isto tornarem-se grandes aliados do governo, não veem por que interferir quando o poder econômico está incólume e a salvo de qualquer ameaça.
Se a atual estrutura de poder recebeu a incumbência de aniquilar os cidadãos para tornar os ricos ainda mais ricos, dando-lhes a posse do espólio remanescente de decênios de corrupção generalizada, dentro de um oportunismo torpe e repulsivo, tem esta estrutura pleno respaldo dos quartéis e das polícias, tal como no tempo da ditadura. Pois, se o mundo gira em torno da fortuna e sua força, imagine os militares. Assim, em conclusão, eles, os militares, jamais intervirão, a não ser que sejam convocados por um ou mais dos três poderes para nos prender e/ou reprimir violentamente.


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