Sou apenas um canteiro que é baldio,
Não a vasta natureza majestosa
Que teus olhos inventam, delirantes.
Não sou, não, a estrela-guia que cintila
Ou flor que brota, inesperada, em rachadura,
Nem acordes de piano em bela tarde,
Muito menos o cenário que se espera
Que floresça além de todos horizontes.
Eu sou duro como as britas das pedreiras
Eu sou seco como a areia dos desertos.
Se me olhar detidamente, notará
Que não sou a brisa fresca que acarinha,
Mas punhal, espinho e posso machucar.
Vendaval e tempestade de enxurradas,
Um mendigo que caminha pelas ruas
Sem jamais tentar chegar a canto algum.
Não manhã nem alvorada, mas crepúsculo,
Não orquestra nem sonata, mas mudez.
Deixe apenas que eu me vá pra todo o [sempre,
Se deseja de verdade ser feliz.