Pesquisar este blog

sexta-feira, 26 de junho de 2026

NÃO A MICHELLE BOLSONARO! UM BILHÃO DE VEZES NÃO! MICHELE BOLSONARO NUNCA!

 

                    Tive a oportunidade de assistir ao vídeo em que a Michelle Bolsonaro posou de virgem vestal atacada pelo enteado, Flávio Bolsonaro, por quem, aliás, simpatizo tanto quanto com a madrasta e um valão de esgoto a céu aberto.  Com o perdão de vocês, assisti àquele ato teatral pela "Globo News", mas o que me assombrou foi o simulado envolvimento entusiástico da reacionária Andreia Sadi, que tentou envolver o público no sentido de indicar sutilmente que ali, em Michelle, era  onde estava a opção, a solução, a salvação do Brasil.   Posso entender perfeitamente a monótona e antipática apresentadora do telejornal  "Estúdio I".  Afinal ela tem patrões, e os seus patrões querem colocar no Planalto alguém aficionado pelo mercado financeiro, pelo agro, pela FIESP, pelas elites de um modo geral, a despeito das operações de gente do crime organizado na Faria Lima.  A "Globo" quer o ultrarreacionarismo sócio-econômico imperando no Brasil com maior intensidade do que a atual, sem o mais leve risco de taxação, pagamento de imposto ou coisa do gênero.  A insípida Andreia estava no seu papel:  ou atende aos desígnios de seus empregadores com o empenho e a devoção de um fanático religioso que obedece cegamente ao que imagina ser uma ordem ou missão dada por Deus, ou então pega os retratinhos,  maquiagens e escovas de cabelo na gaveta e vai embora para exercer seus dons ultraconservadores em outro lugar.  Pouco importa a  essa gente o fato de a Bolsonara rezar pela mesmíssima cartilha do marido, que queria para o Brasil um regime ditatorial, com prisão, espancamento, tortura, desaparecimento e morte de opositores: o que para eles tem relevância é aquele monte de cifrões dançando em sequência diante dos olhos.  O que quero dizer, e vocês devem ter percebido, é que a emissora opera no agro, sistema financeira, etc, e daí sua desmedida preocupação com o bem-estar dessas elites.

Apesar de toda a apoteose e diligência extremosa da jornalista global, à noite houve um "podcast" na mesma emissora (que me recusei a assistir) que deu origem a um pequeno vídeo do Octávio Guedes, em que este alerta que Michelle é um perigo maior do que o que pretendia seu marido, pois tem ela o projeto de transformar o Brasil num Estado teocrático, rompendo assim com a Constituição, o Estado laico e a democracia.  O mesmo alerta está contido num vídeo realizado pelo respeitável pastor e deputado Henrique Vieira, do PSOL,  e a minha dúvida é se a "virgem vestal", evidentemente lobo em pele de cordeiro (não me agrada fazer a comparação, pois amo e respeito profundamente lobos e cordeiros), estava em campanha para a Presidência em 2030 ou já para 2026. O inquestionável, todavia, é que ela me apavora, indigna, dá náuseas, tanto quando o seu marido Jair e filhos homens.

Você sabe o que é um Estado teocrático?  É você não ter o direito de exercer suas crenças ou descrenças, é ver o centros de umbanda e candomblé proibidos e desmoronados, com seus adeptos investigados e presos, com as igrejas católicas fechadas, utilizadas talvez como centros de culto aos Bolsonaro, com poster de todos eles por todos os lados e um dentre esses milhões de bajuladores ensaiando e tocando músicas em louvor ao ex-presidente e família, além de enaltecer os atos "heroicos" e "exemplares" praticados pelo ex-mandatário.  Seriam recintos de exaltação e veneração a um militar que tentou explodir uma adutora do rio Guandu para obter melhor salário, que confessou ter estuprado uma galinha, que tentou não vacinar a sociedade brasileira contra a Covid-19 e por isso, segundo autoridades no assunto, provocou trezentas mil mortes a mais do que deveriam ter ocorrido.   Um sujeito que xingava jornalistas quando as perguntas o embaraçavam, que utilizava um cercadinho onde se reunia a um grupo de desprezíveis puxas-sacos para se escarnecer dos momentos críticos vividos pelo Brasil durante a pandemia.

Como a ex-primeira-dama é cristã e evangélica, ou melhor, vê-se ou tenta se ver ou parecer cristã e evangélica, pois evangélico é aquele que acredita e tem uma conduta compatível com o que preconizam os ensinamentos de Jesus e defendem e relatam  os Evangelhos de Lucas, Mateus, Marcos e João (seguidor que, porém,  na prática não existe, pois não há crentalhão de comportamento consonante com as pregações  de Jesus e dos evangelistas).  Devo dizer, inclusive, que ser evangélico ou cristão não é uma exclusividade dos protestantes (pois na verdade protestantes é o que são os que louvam ou fingem louvar Cristo fora dos preceitos católicos, já que  a fé e as práticas religiosas dessas pessoas são oriundas da     dissidência de Calvino e Lutero, líderes da Reforma Religiosa, que no século XVI se opunham aos abusos da Igreja Católica --como venda de bulas de indulgência -- e à proibição da mesma Instituição à prática de usura -- já que florescia à época uma burguesia sem título de nobreza que queria emprestar dinheiro a juros, mas esbarrava na oposição do clero).  Evangélico seria todo aquele que tenta ou finge se nortear pelos Evangelhos e pela orientação de Jesus, e dentre eles temos os católicos e os espíritas da escola de Allan Kardec, que têm seu "Evangelho Segundo o Espiritismo".

Independentemente das definições sobre o que é cristão e evangélico, temos de nos opor de forma incansável e obstinada a Michelle Bolsonaro, pois o Estado teocrático é perverso, tirânico, assassino, sórdido, desigual, demoníaco.   No Afeganistão, os talibãs lideram a teocracia e são corruptos, cruéis, autoritários e estupradores.  No Irã matam-se ou prendem-se mulheres simplesmente pelo não-uso de burka.  O poder absoluto de qualquer religião dá origem a imensuráveis legiões de assassinos brutais.  Mata-se e tortura-se em nome de Deus, como faziam os cruzados, o clero no tempo da Inquisição, martirizando judeus e queimando mulheres vivas como bruxas.  Não me imagino, eu, ateu convicto,  exaltando a epopeia de Moisés, que (segundo Will Durant, mas não com as mesmas palavras) invadiu brutalmente o território que hoje chamamos Canaã, mas que era um bom samaritano se comparado a Josué, que o sucedu após a sua morte.

É sobretudo pelo direito  de escolha, zelo pelo democracia e pelas liberedades, além de pavor ao terror, que conclamo todas as pessoas de bom-senso para que exerçamos uma oposição intransigente e inflexível a Michelle Bolsonaro, pois a sua absurda e inconcebível ideia da implantação de um regime teocrático pode transformar o Brasil num país dantesco, num inferno que nenhuma concepção de inferno poderia descrever.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

FORA, JACQUES WAGNER!

 FORA, JACQUES WAGNER!



NAS ANDANÇAS DO PODER -- DÉCIMA PARTE: "O AGRAVAMENTO DA CRISE"

                 As pessoas, todas as de razoável discernimento e de mínimo bom-senso, encontraram-se estupefatas com  decisão de Nunes Marques, ministro do STF e presidente do TSE, que na condição de juiz eleitoral proibiu a divulgação de uma pesquisa  que mostrava a queda dos números de Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai a candidato a presidente do Brasil pela extrema-direita.  Marques, aliás, foi também indicação de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, só que ao Supremo Tribunal Federal, e seu veredicto é apenas uma ponta do iceberg no que se refere à crise, que, se ja´ se agravou, tem ainda muito a se agravar.

O momento, no entanto, é de uma confluência de incidentes que deixa o Brasil numa situação de incertezas, medos, receios, inquietação, pois, fracassado o golpe que levou Jair Bolsonaro e outros  a perderem a liberdade, a extrema-direita não parou mais de conspirar.

Eduardo Bolsonaro, foragido do Brasil, aliou-se a Paulo Figueiredo e obteve acesso a Marco Rúbio, secretário de Estado americano, que conseguiu de seu chefe, Donald Trump, a aplicação da Lei Magnitsky (que permite ao governo americano impor sanções econômicas e civis a autoridades estrangeiras por atentado aos direitos humanos e ao Estado Democrático de Direito) contra o ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte, que fora relator das ações contra a tentativa de ruptura institucional, justamente pelo voto do magistrado ter prevalecido e resultado na condenação do pai de Eduardo e Flávio.  Nem a esposa de Alexandre de Moraes foi poupada da represália.  O Brasil teve uma infinidade de produtos tarifados em cinquenta por cento, ainda dentro do mesmo cenário de retaliações.

Meses após o mandatário americano recebeu Lula no Salão Oval, travou com esse um bom diálogo e posteriormente  retirou várias sobretaxas e os atos contra Moraes e sua cônjuge.  

Tudo teria ficado quase razoável se Flávio Bolsonaro, após queda nas pesquisas, que se deram por conta de a imprensa noticiar que o "Intercept" vazara mensagens comprometedoras do candidato a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, extinto pelo Banco Central, por, segundo a mídia, uma série de irregularidades.  O político foi aos Estados Unidos, com o fito de, entre outras coisas, destruir Lula politicamente para ganhar a corrida eleitoral; foi recebido por Trump e com ele tirou fotos em que também posaram Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, conseguindo do ocupante da Casa Branca nova série de sanções, dentre as quais podemos destacar a classificação dos narcotraficantes como grupos terroristas (o que dá aos EUA a prerrogativa de entrar como queira no território nacional brasileiro e ainda prender quem bem entenda dentro do país,  desobrigado de sequer justificar os motivos, já que as investigações das autoridades estadunidenses são sempre sigilosas nesse contexto  -- coisa que tem alguma semelhança com o regime de exceção que vivemos de 1964 a 1985, em que os opositores da ditadura eram presos como subversivos, torturados como terroristas, e dentre estes muitos, como o deputado Rubens  Beirodt Paiva, simplesmente desapareciam).   Flávio deu a Tump tudo o que  ele mais queria:  pretexto para imiscuir-se no território do Brasil, influenciar no processo eleitoral para obter regalias dos Bolsonaro e, com a vitória ou derrota do candidato de oposição, devastar nossas riquezas e apossar-se de nossos recursos minerais ou, como atualmente se diz, minerais críticos ou terras raras.

Se os Estados Unidos já têm sido um problema imensurável, o Congresso Nacional, de maioria direitista, oportunista e reacionária, não permite nenhum avanço na área social (como na sabotagem do fim da escala de trabalho seis por um -- projeto do governo Lula) e no atravancamento de todos os passos pretendidos pelo presidente.   Se o fascismo brasileiro, através de políticos impudentes, de membros das elites, principalmente as financeiras e agrárias, já é difícil de combater, imagine agora com o apoio de Trump. Elas, as elites, esfregam as mãos e arregalam os olhos, os braços abertos para um regime fascistoide que garanta a intocabilidade de seus privilégios e regalias e, mais que isso, aumente-lhes o poder econômico em detrimento das classes não-abastadas, com o empobrecimento das classes medianas e o agravamento da pobreza das camadas mais imprósperas, enquanto os extremistas de direita da política arreganham-lhes seu sorriso sórdido, cruel, cínico e pavoroso.

Lula e seus aliados políticos não são santos nem heróis, mas, enquanto os bolsonaristas e outros direitistas lutam por um sistema antidemocrático e um grave aprofundamento das desigualdades sociais, o atual presidente e apoiadores representam a democracia, um avanço sócio-econômico que ainda carece grande ampliação e que no entanto já se apresenta em seus primeiros estágios, além de lutarem por algo de elevada e indiscutível preciosidade que é a soberania nacional.

Eu próprio não sou lulista nem petista, mas não poderia jamais me furtar a reconhecer que, nesta conjuntura, somente o atual presidente e seus apoiadores estão empenhados em manter a autodeterminação e o perfil democrático do Brasil.


18 de junho de 2026



segunda-feira, 8 de junho de 2026

NUNES MARQUES NÃO QUER DIVULGAÇÃO DE PESQUISA ELEITORAL EM QUE FLÁVIO BOLSONARO APAREÇA COMO PERDEDOR

             O ministro Kássio Nunes Marques, que era gordo e hoje é magro, era moreno e hoje tá quase louro, indicado ao STF pelo "grandioso" Jair Bolsonaro" (assim como André Mendonça, o "terrivelmente evangélico", cuja aprovação pelo Senado fez baixar em Michele o Divino Espírito Santo numa profusão de pulinhos e de palavras ininteligíveis que nem ele mesmo [Deus] entenderia)  e agora presidente do TSE, proibiu hoje, a pedido do PL, a divulgação da pesquisa do Instituto Atlas Intel que aponta o derretimento, desintegração, liquefação da candidatura de Flávio Bolsonaro.  É um fato inédito desde a primeira pesquisa eleitoral realizada no Brasil.  Os números mais absurdos, as apurações mais estapafúrdias já foram realizadas pelos institutos de pesquisa, e nunca houve um único veto sequer de nenhuma delas pela Justiça.  Como o fato em si não requer, obviamente, grandes análises justamente porque definitivamente não tem explicação, ficamos entretanto., a partir do fato, mergulhados em profundas indagações: como serão as eleições?  Se Flávio perder nas urnas, a eleição presidencial será anulada? Por que motivo?  Como ficará a candidatura Lula?  Todo o tempo de campanha do atual presidente  será cedido para direito de resposta do Bolsonarinho, e, ao final, Luís Inácio se dará conta de que terá tido, em toda a campanha eleitoral, apenas três minutos de fala e aparição, ficando a parte de elefante do seu tempo para Flávio? 

O TSE tem ainda Raul Araújo, que não viu nenhum motivo pra Jair Bozo ficar inelegível, André Mendonça, que se recusa a deferir o requerimento de quebra de sigilo bancário do Flávio Bozinho, pedido pela Polícia Federal.  O que esperar do TSE?

  Que eleição presidencial nós teremos, com a metida de bedelho do Trump, a pedido dos irmãos Bozo e do Paulo Figueiredo, e a classificação das facções do tráfico como terroristas, o que permite que qualquer criatura brasileira seja presa e tirada de circulação pelos imperialistas americanos, independentemente de haver a menor motivação para isso? E por que os milicianos não receberam de Trump a mesma qualificação dos traficantes?   Lula também será sequestrado e levado para um presídio americano de cuja localização não teremos a menor ideia?  Acabou a democracia no Brasil? O pix, os minerais raros e o Brasil, prometidos aos EUA por Flávio, farão que o presidente americano se converta na maior autoridade eleitoral do País? Ou será ele eleitor único?

Por ora, ficará proibida qualquer menção não-elogiosa aos Bolsonaro?  Em pouco tempo o Bozo patriarca ocupará 68 ministérios na Esplanada, sem incumbir-se por um minuto sequer de qualquer tarefa, mas com um poder de mando e uma autoridade sólida como montanha de ferro, só inferior, é claro, à dos nossos colonizadores americanos?  Ocuparão mesmo os Bozo a condição de síndicos de um Brasil recebido de presente pela nação americana do Hemisféreio Norte?

Enfim, faço uma pergunta que sintetiza tudo, a que se resumem todas as outras: estamos em rumo a um processo eleitoral ou a um golpe de Estado? 

   

segunda-feira, 25 de maio de 2026

RECANTO

  E então, você não canta

Nem me chama pra sonhar

Debruçado na varanda,

Ante a luz do seu luar?


E então, não me convida

A dançar a dança ardente

Dos casais enamorados

E pulsantes de emoções?


Não irá me dar refúgio

No recanto aconchegante

Que é o calor dos seus abraços,

Seus afagos de mulher?

QUE INCRÉDULO?

 Que descrente enfim eu sou,

Se o feitiço da morena

Me arrebata ao firmamento,

E eu deliro entre as estrelas

Num me-dar descomunal?


Mas que incrédulo sou eu,

Se sei santo o amor maior

Da Melzinha e Raposinha,

Amadinhas de focinho,

A fazer da casa o Céu

Ansiado pelos místicos

Co'a presença simplesmente?


Como nego essa magia

Que detêm os animais

De despir-me das maldades

E me encher do amor imenso

Que dilata o coração?


Como não me devotar

À sublime natureza

Com seus rios, suas matas,

Os seus bichos, suas cores

E seus sons mais divinais?


Os bichinhos, as florestas

E pessoas, poucas delas,

São amores que alimento,

Têm poder como de deuses

De me dar razões à vida,

São motor do meu desejo

De seguir tocando os dias:

São meus deuses essas vidas: 

Que descrente então sou eu?

domingo, 12 de abril de 2026

PEQUENAS EMPRESAS, GRANDES NEGÓCIOS (ou JOGA A GLOBO NO LIXO)

"Seu Devair Boca Mole,  de Brioco Oferecido do Sul, cidadezinha a 3 cm de Não Sei Onde Fica, começou trazendo sua vaquinha para a praça da cidade, para vender copos de leite tirados direto do animal.  Míope, às vezes até se enganava e trazia seu boi, pois macho e fêmea eram malhados, mas as pessoas nem  percebiam e compravam e bebiam do leite, nem notavam a diferença.  Hoje seu Devair Boca Mole é o maior produtor de queijo da América Latina.  Como o senhor conseguiu fazer crescer tanto o seu negócio, seu Devair?"

"Buena, eu tomava viagra, depois passei pra tadalafila, que descobri que tem um efeito muito mais prolongado..."

"Não, seu Devair,  eu tô falando do negócio do queijo..."

"Ah, tá! Bah, foi simples!  Eu rezava muito pra santo Antão dos Bestas, depois fui trabaiando, trabaiando e deu nisso tudo que deu."

"Seu Mané da Caipora, de Saci de Três Pernas, que fica a a 8 mm de Furico do Mundo,  tinha um pé de manga no fundo do quintal e levava todos os dias cinco ou seis manguinhas maduras pra feira de Farofafá, vendia tudo e é hoje o maior produtor de mangas do Ocidente.  Seu Mané, como o senhor obteve tão grande sucesso?"

"Uai, fui rezando muito e pagando muita promessa em Nossa Senhora Aparecida,  dipois metia a mão na enxada, prantava, prantava, e agora é isso que cê vê."

"Seu Jabá das Candongas, De Buraco do Metrô, que sempre reutilizava as camisinhas que usava, pois achava um desperdício descartá-las, é  hoje o maior produtor de camisinhas-de-vênus recondicionadas do Brasil, um negócio pioneiríssimo no país!  O que o senhor pode falar sobre seu empreendimento?"

"Meu, o troço dá grana mesmo! Ante eu próprio catava as camisinha no chãos, mas a empresa cresceu tanto que tenho mais de mil catador de camisinha usada em toda a grande São Paulo."

A Globo, quer em suas novelas ou no seu programa insípido e monótono chamado "Pequenas Empresas, Grandes Negócios", quer passar a seus espectadores a ideia de que basta um sujeito começar um negocinho com uma jaca e um pedaço de pau pra ficar rico, que não se devem reivindicar melhorias nos níveis salariais nem tentar fazer valer os direitos de cidadão, como saúde, educação, emprego com salário digno do nome, segurança, habitação e outros direitos fundamentais de todo e qualquer ser humano.  Não duvido de que alguns com pendores para empreendimentos consigam crescer financeira e socialmente, mas fazem parte das exceções, não da regra, pois a maioria não consegue meios e/ou não tem vocação para negociante.  Há excelentes profissionais em todas as áreas, mas raríssimos dos que se desempregam ou se cansam de receber os salários miseráveis que o empresariado brasileiro paga  alcançam erguer um estabelecimento industrial ou comercial de estruturas sólidas:   a maior parte não vai além das carroças  de camelô, vendendo churrasco ou cachorro-quente, ou acabam como motoboys ou motoristas de aplicativo.

A Globo, porém, é asquerosa, é o maior celeiro da mentira e da omissão da verdade do país, e quer empurrar pela cabeça das pessoas adentro que o primeiro passo é ser cordato, o segundo, empreender, ora!  Produzir fortuna do nada.   Tenho a impresssão que esse pessoal que produz o "Pequenas Empresas..." cai sempre em gargalhadas incontroláveis, dado a grande audiência de otários que ficam diante da televisão, olhando aquele monte de baboseiras que a emissora veicula como possibilidades reais na vida de todo mundo.

E essa mensagem safada  as Organizações Globo não emitem somente através desses contos da Carochinha, mas também através de suas novelas, minisséries, especiais, em que qualquer zé-ruela consegue vir de uma miséria de impressionar indigente e de repente erguer um tremendo império empresarial.  Já passou e muito da hora de a sociedade parar de engolir essa mentirada e fantasia barata, e largar toda a programação da Globo na lixeira, com toda a sua inutilidade e todos os seus fedores.

A globo apoiou Bolsonaro em 2018, na falta de Tarcísio, fecha agora com Flávio Bolsonaro, tá emprenhada, como toda a grande mídia, inclusive a Uol, que não é lá essas coisas em matéria de poder econômico, em esmigalhar os políticos e as políticas progressistas a partir da sabotagem corrosiva da imagem dos poucos homens públicos honestos  e voltados às causas populares que há no Brasil, e o motivo é simples:  A Globo é capitalista retrógrada e furiosa, antipovo, antipobre, anti-classe-média (que é tão imbecil que se vê como quase rica e entre as camadas ungidas pelos globais) e não tem pudor quando precisa se  deslocar da direita pra cair extrema-direita, onde se sente confortavelmente em casa.

Como eu disse, já passou da hora de jogar a Globo no lixo. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

NAS ANDANÇAS DO PODER -- NONA PARTE: "O GENERAL"

     Numa  tarde bonita  de Copacabana, o general  Maurício Sampaio degustava um belo chope com o seu irmão mais velho, o engenheiro Frederico Sampaio, enquanto ambos contemplavam a movimentação das pessoas que circulavam no calçadão e na ciclovia do outro lado da rua, e discutiam acerca da tentativa de golpe que teve seu ponto culminante no 8 de janeiro de 2023.

--Eu não participei daquela furada porque sabia que não daria certo.

Frederico olhou-o com um olhar inquisidor e disparou

--Você não devia participar daquela sujeira ainda que tivesse a certeza do sucesso.

Maurício olhou-o com certo desdém.   Não entendia como aquele homem nascido do mesmo pai e da mesma mãe era tão diferente dele, "com manias de democracia e discursos progressistas".  Não compreendia porque ainda se reunia com ele para tomar umas bebidas e falar de coisas da política e do mundo.  Talvez porque o achasse inteligente e culto, porém avaliava que aquela companhia acabava saindo cara por conta das verdades que o interlocutor sempre lhe dizia.

--Mas acho que agora vamos ter a revanche -- tornou Maurício.

--É claro! O processo de golpe nunca parou! -- indignou-se Maurício.

--Que golpe o quê! O governo não pode ficar na mão de comunistas...

--Você sabe perfeitamente que Lula e o PT não são comunistas.  Nem social-democratas eles conseguem ser porque o Congresso e as forças reacionárias que você defende não permitem.

--Pra mim tudo é comunismo!

--Você sabe perfeitamente que tá mentindo.  Não sou ignorante nem despolitizado, e sei que você também não é.  Não tenta sofismar pra mim.

--Com essa gente no poder os valores de família foram todos corrompidos...

--Não vem com essa história, Maurício! Deixa de ser hipócrita! Não vem falar em valores de família se você próprio tem amante.   Casado e com amante, e até de suruba já participou após casado e pai  de filhos.

--Você também não é nenhum poço de virtudes...

--Mas eu sou solteiro, não quero casar e não sou falso moralista.  Além disso, o que é que Bolsonaro e a família dele têm de exemplares e inseridos  nesse teu conceito moralistoide e falso de família?  Vai falar em Deus e pátria também?

--Eu defendo Deus e pátria também...

---Defende nada, Maurício!  No teu patriotismo, a pátria são teus interesses pessoais e teus anseios de poder, e Deus é você mesmo.  Bolsonaro e família são patriotas?  Você viu a proposta do Flávio no CPAC, de entregar nossas terras raras a Trump em troca de apoio à candidatura dele, Flávio? Isso é patriotismo,  Maurício!?  Isso é vergonhoso e muito mais.  Nem tenho palavras pra classificar.  Essa família não quer nem que o Brasil seja dela um feudo, mas apenas ter a situação de  uma espécie de síndico de um Brasil ocupado, assim como Caifás e Pétain respectivamente  na Judeia e na França ocupada.     Você é uma  xerocópia dos Bolsonaro, não por burrice, mas por buscar vantagens pessoais no contexto sócio-político.

--Mas esse momento tá perto de chegar -- apontou Maurício com um ar vitorioso: o Trump ainda esses dias vai qualificar os traficantes daqui como narcoterroristas, e logo, logo os militares americanos vão estar aqui dentro.  E eu, é claro, vou ficar à disposição deles pra combater o crime.

--Você sabe que eles são traficantes, mas não podem ssr definidos como terroristas.  Terroristas foram os militares do período da ditadura, que quiseram explodir o gasômetro e o Riocentro. Isso é nojento demais, Maurício!  Você exaltar uma figura repugnante e nociva como o Trump e ainda abrir mão da soberania do país...? Que militar é você!?

--Se fosse a Rússia ou a China entrando aqui, você aceitaria de bom grado, porque o que quer é um regime comunista...

--Você de novo querendo me passar atestado de burrice.  Pensa que sou imbecil?  Primeiro China e Rússia nada têm mais de comunista, e além disso eu jamais festejaria a perda da soberania do meu país.  Você é um militar fascista e entreguista, Maurício!

O general virou outro gole do chope:

--Você não pode falar de mim: sempre foi ovelha negra da família, sempre envolvido com mulheres, com putas, com pó... Você se lembra quando fui à polícia pra te soltar, porque tava doidão, com o nariz branco de cocaína?  

Frederico começava a exasperar-se:

--Não muda de assunto, Maurício! Você quer que eu agradeça de novo? Ou quer cobrar pelos seus serviços?

--Não é isso, é que você não pode me criticar...

--Posso, sim, porque eu fazia mal a mim.  Aliás, nem uso mais drogas, porém repito que eu fazia mal unicamente a mim mesmo, enquanto você quer a desgraça de todas as pessoas que não são ricas deste Brasil.

--Lá vem você com essa conversa de esquerdalha...

--Esquerdalha é neologismo desse ignorante mal-intencionado com que você colaborou porque baixou um decreto que elevou teus ganhos acima do teto do serviço público, e te deixou ganhando mais de cem mil por mês.  O que te revolta é ter voltado ao salário de origem, dentro dos limites da lei.   

--Viu? Papo de equerdalha...

--Não sou esquerdalha, sou de esquerda, socialista, enquanto você é oportunista.

--Não se envergonha de ser petista?

--Não sou petista, mas filiado e militante do PSOL.  Mas teria orgulho de simpatizar com qualquer partido que como o PT, unido às esquerdas, tirou aquele purulento Bolsonaro do poder.

--Cara -- Maurício virou o resto da tulipa enquanto olhou para o irmão com cara de poucos amigos -- você por hoje me encheu o saco com essa tua conversa de herói nacional pela metade.  

Frederico levantou-se de pronto:

--Não seja por isso!  Só vou pagar minha despesa  e ir embora daqui.

--Não precisa, deixa que eu pago...

--De forma nenhuma!

Chamou o garçom, pagou sua conta e, ao sair, disse ao irmão:

--Espero que, se acontecer o pior, tua consciência doa bastante.

Maurício nada respondeu, apenas ficou balançando a cabeça pra um e outro lado, com um sorriso debochado no rosto: quanta ingenuidade a de Frederico!


Abril de 2026

  


quarta-feira, 1 de abril de 2026

A REVOLUÇÃO DOS ARTISTAS

 Se não existe em definitivo a justiça dos homens

Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar,

Pois que venham então de todos os lados

Multidões de artistas sem nome e sem palco

E que invadam as sedes mesquinhas dos bancos,

E vejam seus lucros com profundo desdém.

Que vão pelas ruas numa utópica gana 

De acabar co'a maldade, egoísmo e ganância.



Ocuparão os artistas auditórios e ruas,

Tocarão instrumentos de forma sagrada,

Cantarão nem fervor, num se-dar sem medidas.

Baterão seus tambores, seu bumbos, metais,

Mostrarão as pinturas de amadas despidas,

Paisagens   bonitas parecendo infinitas.

Viverão Cristo e César, Mr. Hyde e Otelo,

E as pessoas, então, num espanto assombroso,

Conseguirão ver que a Arte é coisa maior.




TEU POR DEMAIS

 Perdoa-me, amor, desmaiar de tão bêbado,

Sem perceber as batidas do teu coração.

Perdoa não dar o teu nome ao meu samba,

Pois podia quebrar a prosódia dos versos.

Mas, saiba, ao compô-lo, foi em ti que pensei.


Deixa agora de cisma, de mágoa e de medo:

Sente o afã, sente a entrega no meu beijo tão quente,

Sente o quanto incandesce o meu corpo no teu,

Nas palavras percebe um amor sem tamanho

E a franqueza dos mais fascinados poetas.


Sorri, meu amor, e me dá tuas mãos,

Vem comigo cantar poesia ao luar,

 Olha fundo em meus olhos tão cheios de súplica

E entende, querida, que sou teu por demais. 


[Fiz esse poema para o Marcelo Bizar musicar]

domingo, 22 de março de 2026

A MÚSICA

 De longe, uma canção tão tristonha

Atravessa as cidades, as ruas e  praças

E fica em minha alma, infinda, a tocar.

Não tem som, instrumentos a música,

Nem melodia, nem  nota, é silente,

À alma torna tão cheia de sombras

A música vinda de um canto longínquo,

Do fundo do fundo, de dentro de mim.






DIA INFINITO

Hoje me fiz tão menino,

Hoje me fiz pueril,

Alumbrado tal como um bebê

Que brinca nas águas do mar.


Hoje me fiz sem pecado,

Hoje me fiz delicado

Como alma encantada de moça

Tomada de amor e paixão.


Beijei os teus lábios vermelhos 

Deitei no teu corpo rosado,

E tudo ficou na memória

E me agitou de emoções.


Segui por ruas pequenas, 

Andei por becos escuros, 

Mas tudo eu via tão claro,

E vasto e tão musical.


A minha alma ribomba, 

Parece dançar em festança

E se emprenhou da alegria

Que trouxe a fascinação.


Quando de novo eu te vir,

Não sei se terão teus olhos

O mesmo enlevo infinito

Ou serão frios, sem luz.


Só sei que o dia de hoje

Tem pura, doce magia,

Tem tanta lira, alegria,

Que, acho, não vai terminar.




segunda-feira, 9 de março de 2026

VERSEJAR COM MAGIA

Quero escrever como canta Elis:

Co'a alma quente toda aflorada

E a voz candente a se irradiar.

Como  quem abre inteirinha a casa

E faz entrar a luz da manhã.

Qual deslumbrado da doce vista

Da serra verde em exuberância.

Como quem molha seus pés no rio,

Abrindo os braços pra natureza.


Vou versejar como me despisse

E me entregasse a um sedento amor,

Como quem olha, se embevecendo,

Gatos brincando pelos jardins.

Poetar qual fechasse os olhos

E levitasse na dança mágica.

Como deixasse que a viva lágrima

Molhasse as letras dos versos tristes.


Versejar como arrebatado

Por emoções mais angelicais.

Qual longamente beijasse a amada

E, de mãos dadas, com ela andasse

Em rumo a um canto tão magnífico,

Que só um sonho pode inventar.

Poetar num enlevamento

De quem vê quando brota a vida,

Quem se consome ao adeus da amada

Ou quem se enreda, surpreendido,

Num novo tempo de outra paixão.





domingo, 8 de março de 2026

O STF VAI ACABAR E SER SUBSTITUÍDO PELA MALU GASPAR E A GLOBO

             Quando o Gabeira disse que o STF tinha de acabar, a primeira dúvida que tive foi se era ele mesmo falando ou se o espírito do Eduardo Bolsonaro tinha se deslocado do corpo desse e baixado no veterano jornalista.  Procurei observar se o comentarista sofria tremeliques e convulsões (porque acontece isso quando um espírito entra numa criatura) e, como não notei nada de anormal, vi que era o Gabeira mesmo que proferia asneiras e que o espírito do Eduardo tava lá nos  Estados Unidos, bem alojadinho dentro do corpo do ex-deputado.

Quando deu tal declaração, o repórter mostrou uma fidelidade canina pra Malu Gaspar, que quer ver o capeta, menos o Alexandre de Moraes no STF, e tem crise de urticária só de ouvir falar na Suprema Corte.  A  lealdade de sabujo do global, aliás, não é só devotada a Malu Gaspar, mas também aos seus patrões da família Marinho: Gabeira é um excelente colega de trabalho e um  empregado perfeito, só como brasileiro é que deixa muito a desejar.

Não sei se ele acha que o fechamento do STF só iria requerer um cabo e um soldado, como disse Eduardo, mas isso o global tem lá sua sabedoria pra responder.

Gabeira foi membro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e participou em 1969 do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, tendo sido posteriormente  preso e exilado, só voltando ao Brasil em 1979, por conta da Anistia.  No início dos anos 1980, praticou um ato revolucionário: usou na praia uma sunga de crochê.   Depois voltou a envolver-se em política, concorrendo a governador do Estado do Rio de Janeiro em 1986, perdendo, assim com Darcy Ribeiro, para Moreira Franco, em virtude de uma diarreia mental do eleitorado fluminense -- da qual, ao que parece, até hoje ainda não se curou (só tendo parecido se recuperar em 1990, quando elegeu Leonel Brizola -- segunda vez eleito no Estado -- para em 1994 voltar ao estado encefálico-diarreico).  Em 1997 concorre a deputado federal e se elege, iniciando uma sucessão de quatro mandatos, deixando a carreira política em 2011 e dedicando-se ao jornalismo a partir de então.  Se sua trajetória política marcou seu repúdio ao autoritarismo de Estado e afeição à democracia, rompeu com toda a sua história desde o dia em que pisou na Globo.   

Dizem (infelizmente não li) que o genial e saudoso Luís Fernando Veríssimo teria escrito, durante o segundo mandato do Fernando Henrique (aquele socialista arrependido que governou seguindo rigorosamente a cartilha neoliberal de Roberto Campos e Delfim Neto), que o verdadeiro FH estava preso num calabouço e quem governava o Brasil era um impostor -- humorista de raríssimo talento aquele escritor.  Se o brilhante Veríssimo fez essa anedota, eu agora ouso repeti-la com relação ao Gabeira: será que ele foi sequestrado e substituído por um clone?

Fico imaginando como será depois do fechamento do Supremo.  Como creio que até o ex-guerrilheiro compreenda que, fechado o STF, algo terá de ser colocado no lugar, até porque a República ficaria mutilada... Pois é, se é assim, outro órgão teria de ser criado para substituir a instituição mais alta do Judiciário, e creio que a criação deverá ficar a critério das Organizações Globo.  Como os globais odeiam tudo o que é estatal sem dar-lhes nenhuma subvenção ou vantagem financeira, a instância mais alta de Justiça seria exercida por uma entidade privada:  a Central Globo de Julgamentos.  O que acha, hem?  Não vai perfeitamente ao encontro dos ideais da empresa midiática?   Como os ministros teriam todos de ser substituídos, qual seria a composição da corte máxima (Central Globo de Julgamentos)?  Acho que não seria necessário os membros terem formação em Direito ou notório saber jurídico, basta um senso de justiça global, não é?  Aí o Merval Pereira seria o presidente, e os outros componentes seriam  Malu Gaspar,  Demétrio Magnoli, Gerson Camarotti, Míriam Leitão, Andreia Sadi, Daniel Sousa, César Tralli, Joel Jovem Pan Pinheiro, Mônica Waldvogel e Dado Dolabella.  Os processos relativos à XP Investimentos seriam distribuídos pro Gérson Camarotti, os referentes a ataques à democracia, ao Jovem Pan Pinheiro, os ligados ao André Esteves e ao BTG Pactual, à Malu Gaspar,  os que tratassem de violência contra a mulher, ao Dado Dolabella.

A Globo, arrependida de ter defendido a democracia no início da gestão Lula, mostra-se agora obcecada pela ideia de emplacar no Brasil um governo de extrema-direita, daí já haver entrevistado Waldemar Costa Netto como se esse fosse referência de algo positivo neste país, como se ele fosse o sábio dos sábios, com o fito de permitir que tal deplorável político fizesse propaganda e defesa da candidatura do igualmente deplorável Flávio Bolsonaro.   A mesma Globo que em 1982 contratou a Proconsult para contar os votos das eleições ao Governo do Estado do Rio, num episódio em que a empresa contratada apontava Moreira Franco em primeiro lugar, a despeito de Leonel Brizola liderar na contagem de todas as outras emissoras, não mudou em absolutamente: as caras mudaram porque muitos morreram, outros não mais conseguem trabalhar, mas as praxes continuam as mesmas: a desinformação, a tendenciosidade, o desprezo à democracia, o afã de atender pelos meios mais sórdidos aos interesses próprios  e aos de seus parceiros comerciais, porque, na visão dessa empresa de jornalismo e mídia, o mundo se resume e se limita a ela mesma e à sua confraria empresarial, nada mais mais importando neste vasto Brasil e neste vasto planeta tão conturbados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

SEM POESIA

 

Não há mais poema que se possa escrever,

Nos semblantes não vejo ninguém a sonhar,

Nem noto nos olhos dançar esperança,

Não há estações nem apito de trem,

Nem moça inquieta, num afã de partir.

Se à volta a paisagem é tão trivial,

Sequer há casais em abraços febris

Nem alguém que chore o amor que partiu.


Não há beija-flores parados no ar

E o canto tristonho das aves noturnas.

Não há mulher doce com olhos de busca,

Não há nos jardins criança a brincar,

Não tem nos arbustos pardal a pousar,

Não sinto um desejo intenso de amar.

Não há mais poema que se possa escrever,

Não há poesia que se possa cantar.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

COISAS DO FASCISMO

 Se levarmos em conta que Bolsonaro é misógino, sexista, ignaro, homofóbico, sem-empatia, negacionista, contrário a vacinas e à saúde pública, mentiroso, autoritário, golpista, incompetente,  odeia pobres e aposentados, acha que só as classes abastadas têm direito à vida e ao bem-estar social, e que as declarações de seus filhos fazem-nos no mínimo muito parecidos com ele, há de se depreender, então, que, caso eleito, Flávio Bolsonaro retornará à nefasta obra do pai.  Dá arrepios de imaginar.

Se avaliarmos a situação a partir do eleitorado do capetão, ops(!) desculpe, capitão, que é o mesmo de qualquer candidato de direita ( a direita não tem muito pudor e se converte facilmente em extrema-direita, desde que seus privilégios -- ou, no caso do direitista pobre, os privilégios dos que ela idolatra -- sejam mantidos), veremos que o Brasil não será, como não vem sendo (graças à atuação maligna das forças reacionárias), um país onde irá haver ordem, e isso a gente percebeu desde o momento em que, em 2018, foi anunciada a vitória do Bozo na disputa eleitoral.  Exemplo disso é que, naquele dia, eu morava em Araruama, no Rio, e fora a Arraial do Cabo. Quando voltei do passeio, fiquei boquiaberto:  era tanta garrafa de  cerveja long neck   largada, inteira ou quebrada,  nas  calçadas e na pista, que parecia ter havido uma revolução em que  as armas  eram aquela frascos de vidro.  Alguns dizem que o vidro é quebrado com cerveja e tudo em oferendas ao chamado "povo de rua", mas duvido muito que algum exu ou pomba-gira em sã consciência queira tanta destruição.  Há os que alegam que é para extravasar as emoções, como  fazem no Natal e na virada do ano, mas a verdade é que explodem fogos e quebram coisas pelo simples prazer do exercício da destruição e da arruaça.  


Fico imaginando as comemorações em caso de triunfo do "pimpolho" Bozinho.  As ruas cheias de milicianos, traficantes, uma legião de feminicidas, homófobos, desordeiros,  violentos, ignorantes, etc, todos promovendo um imenso carnaval fora de época e quebrando garrafas  e espalhando tiros de armas de fogo a três por dois.


Imagine agora a política salarial:  aposentados, servidores públicos de carreira, trabalhadores ativos não terão vez apesar de alguns participarem dessas verdadeiras folias satânicas -- não por eventualmente bozistas envolverem entidades africanas nos festejos (até porque a moda é ser evangélico, e as religiões da África estão em baixa e sofrendo perseguições), mas pela índole dos que estiverem engajados nas comemorações.  


O SUS vai direto à privatização ou extinção,  as mortes vão  se multiplicar de forma assustadora, as vacinas serão negligenciadas.  Por que essa palhaçada de comprar vacinas, se não servem pra nada?  É gastar dinheiro à toa, quando tem tanto bilionário e tanto banqueiro de boca escancarada, esperando as verbas do governo como passarinho de bico aberto à espera de receber comida do bico da mãe.   Aí vai surgir uma epidemia de Covid no Brasil, mas não haverá necessidade de ninguém se vacinar, segundo o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro, retirado da cadeia por ato autoritário do presidente Bozinho, que terá aproveitado o ensejo para cerrar as portas do STF, deixando lá de plantão apenas André Mendonça e Nunes Marques, para depois nomear uns sessenta ministros, todos amigos da família, e assim recompor a  Corte.  Bolsonaro não será ministro apenas da Saúde, mas da Casa Civil, Casa Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Defesa e presidentte vitalício do Supremo, acumulando todos os cargos, recebendo por cada um deles, mas passando os dias a pescar em Angra e aproveitando os domingos de descanso para promover e participar de motociatas.  Sobre a desnecessidade de imunização, alíás,  é preciso compreender que a necropolítica é muito importante para a robustez financeira dos governos autocráticos, que precisam dar muitos mimos às elites para estas manterem, mais que apoio, a sustentação a eles.  Velhos mortos e ausência de saúde pública geram uma puta economia aos cofres públicos, que aí passam a ter muito mais folga e conforto pra distribuir benesses entre seus representantes talibãs.                                      

Matar mulheres,  homossexuais, animais, pobres e idosos estará liberado, mensagem subliminar perfeitamente entendida já nos dias de hoje, em que o governo é progressista, mas a gritante maior parcela dos políticos e autoridades é de exrema-direita.  Só que os eleitores idiotas não entendem é que despossuídos, independentemente de serem idólatras da família Bozo, estarão todos sujeitos a desmandos como os que houve no tempo da ditadura militar.  As polícias saíam às ruas pra prender, matar e baixar a porrada, e não perdoavam desempregados e desordeiros de boteco, e não perguntavam a ideologia de suas vítimas: não será criada uma carteira de fascista.

Não tenho dúvida de que São Donald Trump, deus dos fascistas e estúpidos do Brasil, terá uma participação importante na volta dos extremistas de direita ao poder, só não posso mensurar ainda o tamanho e as características dessa interferência

O lado bom do fascismo é que um dia ele acaba, embora em geral se haja de esperar por uns vinte e poucos anos.  Pelo menos é o que podemos imaginar quando verificamos o tempo que Hitler e Mussolini permaneceram  no poder.  A própria ditadura brasileira durou vinte e um anos. No entanto, se considerarmos os casos de Stroessner  e Franco, que governaram respectivamente o Paraguai e a França França por 36 anos,  e a ditadura salazarista, que durou de 1933 a 1974, veremos então que a galerinha sadia irá precisar de um pouquinho mais de paciência. Coisas do fascismo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

CANTEIRO BALDIO

 Sou apenas um canteiro que é baldio,

Não a vasta natureza majestosa

Que teus olhos inventam, delirantes.

Não sou, não, a estrela-guia que cintila

Ou flor que brota, inesperada, em rachadura,

Nem acordes de piano em bela tarde,

Muito menos o cenário que se espera

Que floresça além de todos horizontes.

Eu sou duro como as britas das pedreiras

Eu sou seco como a areia dos desertos.

Se me olhar detidamente, notará

Que não sou a brisa fresca que acarinha,

Mas punhal, espinho e posso machucar.

Vendaval e tempestade de enxurradas,

Um mendigo que caminha pelas ruas

Sem jamais tentar chegar a canto algum.

Não manhã nem alvorada, mas crepúsculo,

Não orquestra nem sonata, mas mudez.

Deixe apenas que eu me vá pra todo o [sempre,

Se deseja de verdade ser feliz.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

NAS ANDANÇAS DO PODER -- BREVE ANÁLISE

 

Do mesmo modo como os religiosos buscam, acima de tudo, o próprio bem-estar  e veem como meio de obter ou manter a felicidade as oferendas aos seus orixás ou as orações e louvações a Deus e outras entidades, os políticos e os membros dos três poderes da República, os profissionais e donos de órgãos de imprensa, os comunicadores de massa e a mídia no geral buscam a mobilidade social ou no mínimo a manutenção da própria condição nas bênçãos  de um ente bem mais concreto e palpável: o poder econômico.  Nessa troca de benesses, o poder público evita abalar o potencial econômico das elites, e elas em contrapartida apoiam políticos afinados com os objetivos de cada um dos seus setores.   Em outras palavras, as elites proporcionam aos que rezam ao pé dos seus altares altos cargos no executivo, legislativo e judiciário, quer no âmbito municipal, estadual ou federal (não havendo, é lógico, judiciário nos municípios do Brasil).

Vários setores que deveriam representar os interesses da sociedade convergem, muito pelo contrário, para um supremo e quase onipotente senhor, composto das mais altas castas do país: o topo da pirâmide social.

A partir dessa observação, "Nas Andanças do Poder" procura focalizar a maneira como as peças desse tabuleiro se movimentam.  Daí podermos notar que a confluência de interesses políticos e econômicos podem, não de maneira generalizada, mas incidente,  colocar representantes do poder público, do crime organizado, da religião e das camadas mais abastadas da população, ou apenas dois ou três desses segmentos, do mesmo lado do ringue, onde o grande adversário é a inumerável massa de assalariados, que abrange grupos que vão dos mais carentes à classe média intermediária (que não é alta nem baixa), que se considera privilegiada quando é justamente o contrário: é tão sacrificada quanto os outros mais baixos estratos sociais.

Assim se dá o jogo do poder no Brasil e no mundo inteiro ou quase inteiro, o que faz os ricos a cada dia mais ricos e deixa para os desprivilegiados conscientes uma indignação impotente, já que não há meios de romper esse estado de coisas, que se arrima nos meios de comunicação, nos braços armados do Estado e do crime organizado (que é clandestino, mas nada tem de marginal, pois, pelos lucros estratosféricos que aufere, pela quantidade astronômica de dinheiro que lava em negócios lícitos e no mercado financeiro, está perfeitamente enquadrado nos moldes do mais selvagem sistema capitalista -- ou  você acha que traficantes e milicianos são socialistas?) e na ignorância de uma absoluta maioria da sociedade, que vota contra si própria nos pleitos eleitorais, resiste ao conhecimento e parece se orgulhar de ser ignara.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O PERFIL ACEITÁVEL (E ELOGIÁVEL) DO HUMOR

     


    Quando, entre 1976 e 1977,  o comediante Silvino Neto ( 1913 - 1991), ator, cantor, compositor e radialista brasileiro, pai do comediante Paulo Silvino (1939-2017), entrevistado pelo comunicador Jota Silvestre (1922-2000), foi indagado  sobre qual seria o caminho do humor no Brasil, respondeu "a sátira", fundamentando a resposta e concluindo que, "fora dela, não se estaria fazendo graça pra ninguém".






Imbuído de um senso crítico quase perverso desde a minha adolescência e tendo passado pela assistência de "Os Trapalhões" e outras comédias-pastelão das décadas de 1960 e 1970, mas tendo também visto "Faça Humor, Não Faça a Guerra" e "Satiricom" (homônimo-título da obra de Petrônio, da Antiga Roma) que era escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa, e reunia no elenco Jô Soares, Agildo Ribeiro, Renato Corte Real, José Vasconcellos, Paulo Silvino e outros grandes nomes da comédia nacional -- concordei plenamente com Silvino.  Depois viria a assistir a "O Planeta dos Homens",  uma crítica ácida ao sistema, a partir de uma paródia extremamente feliz de "O Planeta dos Macacos", e isso consolidou meu pensamento de que o humor não-crítico não diz mesmo nada a ninguém.  A comédia de tombos de bunda  e tortas de glacê na cara, das situações desconfortáveis e dos corre-corres vem do início do cinema, ao final do século XIX, passou por Charles Chaplin e seguiu pelas décadas, perdendo a graça, a meu ver, ainda nos anos 70, por puro desgaste do tempo e cansaço dos olhos do público um pouco menos condescendente.



    O humor precisa ser engajado, analítico, crítico e, quando da sua elaboração, voltado às situações e circunstâncias atuais e vigentes.  Tem de passar longe do bom-mocismo e ser irreverente, acintoso, capaz de desancar e atirar no ridículo personagens, fatos, clichês e estados de coisas de sua época.  Tem de denunciar, criticar, insinuar, desacreditar, abrir os olhos de quem o lê ou vê, ou então no mínimo mostrar sua comunhão de ideias com este.

   Algumas vezes escrevi humor sem nenhuma segunda-intenção, mas foram apenas  algumas experiências para ver como seria meu texto fora do sarcasmo e da ironia, mas insisto, como Silvino Neto, em que não é esse o caminho do humorismo, pois, do contrário, como o próprio disse, "não se faz graça pra ninguém". 



    Não  é obrigatório que a sátira seja necessariamente política ou social, porque, no tempo de "Satiricom" e "Planeta dos Homens", estávamos em plena ditadura militar, o que não proporcionava aos autores e atores uma grande liberdade para cutucar assuntos mais polêmicos e de relação direta ou indireta com os desmandos do regime.  Assim, a temática objeto de sátira do programa foi na primeira versão a comunicação de massas, depois o comportamento humano e outros componentes que não levariam os militares a sentirem-se afrontados e a tirar a comédia do ar.  Muito embora houvesse vez por outra anedotas sutis que tocavam no que esses não queriam, tendo algumas sido vetadas, outras, simplesmente veiculadas por não abalarem as fundações do sistema.
"Feijão Maravilha", novela de Bráulio Pedroso, ainda do tempo da ditadura, satirizou os filmes de gangsters, "Que Rei sou EU(?)" parodiou os bastidores e a gestão do governo Sarney (já na democracia), travestindo-o de uma monarquia absolutista com muita corrupção e sem nenhum rumo ou habilidade ou competência para governar.





    Algumas vezes escrevi humor sem nenhuma segunda-intenção, mas foram apenas  algumas experiências para ver como seria meu texto fora do sarcasmo e da ironia, mas insisto, como Silvino Neto, em que não é esse o caminho do humorismo, pois, do contrário, como o próprio disse, "não se faz graça pra ninguém". 


Fotos: Google

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

MARA, A RAINHA DA PRAIA

 Dança Mara

A mais viva dentre as danças,

Sua, brilha

Sua pele apessegada,

Seu rostinho,

Suas pernas torneadas.

Já mostrou que a vida é dança

E reluz como os luares,

Tanto quanto espelhos d'água

Da cidade onde ela mora.


Entra n'água,

Baila assim como sereia,

Vem à tona

E sorri seu riso franco,

Ergue o corpo

E caminha entre as areias,

Eu lhe vejo os olhos claros

Tão pejados de poema,

Seus cabelos encharcados

Sobre os ombros cor de bronze.

Pula, roda, volta à dança,

Porque pulsa como a vida,

Pois clareia a praia inteira

E é assim como o verão.


domingo, 4 de janeiro de 2026

OS HUMANOS E O FILHO DEUS

 Ó, humanos vis, mantende o deus

Que vós criastes, que essa torpeza, que essa maldade

Que carregais

Em vossas almas

Tanto demanda

Pra vos sentirdes

Menos mesquinhos,

Pra que as barbáries

Que praticais, humanos, tenham

Sempre perdão 

--Se a hipocrisia

De vossa índole,

Ao vos fingir arrependidos,

Será clemente,

Pois vós ao fim

Que na verdade

Vos julgareis.

Mantende vivo, mas muito vivo

O deus parido

Da natureza tão mentirosa

Que cultivais.

Um deus vos dá essa certeza

Tão descabida

De serdes entre

As criaturas

As mais perfeitas,

As prediletas, 

Mais importantes

E, assim, sagradas.



Não 

Abandoneis

Jamais a fé,

Se o deus que criastes à vossa semelhança

É pra punir cruelmente vossos desafetos

E perdoar vossos pecados hediondos.

Deus ainda vos dá o grande privilégio

De poderdes exercer vossa preguiça

E entregar em suas mãos a concretização dos   mil desejos que alimentais.

Ah, humanos vis, como eu odeio

Ser, salvo quanto às crenças que nutris

--que necessito e não alcanço --

vil, pequeno como vós!


SE EU PUDESSE CRER

 Se eu cresse numa existência após a morte,

Veria essa tal vida como tão somente o [sobreviver da consciência à sucumbência                         [da matéria,

Sem que nenhum outro corpo essa citada  consciência viesse um dia a habitar 

Ou, resignado, contaria com longos anos em zonas umbralinas

Para, após purgados os pecados, ascender a um plano espiritual mais elevado?

E nesse patamar iria preferir permanecer eternamente ou quereria retornar à [terra para me redimir dos malfeitos cometidos?

Mas e as pessoas que odeio mortalmente e [com repulsa, e aquelas que desprezo com [ausência total do mais pífio interesse ou emoção?

Como conseguiria eu aceitar o compulsório contato ou o convívio com essas      [novamente?

Se o Universo, dadivoso, reservasse a todos nós a vida eterna, 

Os nossos mortos, humanos e animais, não teríamos talvez motivo algum para [chorar,

Justamente por serem eles infindos como nós.

Se o reencontro seria magnífico tal como o paraíso que a alma sempre almeja e [sempre anseia.

Seria infinitamente bom se nisso eu cresse,

Mas o espiritualista que tentei com grande esforço em mim criar

Sucumbiu infelizmente à falta de respostas e às lacunas que as religiões e filosofias não conseguiram preencher,

E, então, fiquei tão cru, descrente, triste e [inconformado com meu fim, que é [uma certeza,

E com a ausência definitiva das pessoas e bichinhos que eu amei.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PARTIR II

  Só quero ir embora

Daqui da cidade:

Do lugar eu não tenho

O menor fragmento

E nela não vejo

Nadinha de mim.


Saí pelas ruas,

Bebi pelos bares,

Andei pelas vias:

Não vi poesia,

Não vi os campos belos

De Minas Gerais.


Até a mineirinha, 

Que agora mal vejo,

Não mais brilha ou dança

Nem tenho na cama,

Assim como eu,

Bem vi, envelheceu.


Só quero partir

Sem por um segundo

Olhar para trás

E de outra cidade

Sentir-me um pedaço,

Sentindo-a  em mim.


VELHICE

 O que me espera à frente,

Uns anos adiante,

Senão tentar debalde

Fugir das minhas trevas

Por labirintos negros,

Entre as assombrações?



Não nascerão auroras

Nem mesmo as esperanças,

Não ouvirei orquestras,

Será tudo sombrio,

Não haverá mais sambas,

Tampouco carnavais.



Temer o inevitável,

Ter salvação na morte,

Que é qual morar no nada,

Qual existir no nunca,

Que é tão absoluta,

Que é o fim de tudo, o fim(!).