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sexta-feira, 3 de abril de 2026

NAS ANDANÇAS DO PODER -- NONA PARTE: "O GENERAL"

     Numa  tarde bonita  de Copacabana, o general  Maurício Sampaio degustava um belo chope com o seu irmão mais velho, o engenheiro Frederico Sampaio, enquanto ambos contemplavam a movimentação das pessoas que circulavam no calçadão e na ciclovia do outro lado da rua, e discutiam acerca da tentativa de golpe que teve seu ponto culminante no 8 de janeiro de 2023.

--Eu não participei daquela furada porque sabia que não daria certo.

Frederico olhou-o com um olhar inquisidor e disparou

--Você não devia participar daquela sujeira ainda que tivesse a certeza do sucesso.

Maurício olhou-o com certo desdém.   Não entendia como aquele homem nascido do mesmo pai e da mesma mãe era tão diferente dele, "com manias de democracia e discursos progressistas".  Não compreendia porque ainda se reunia com ele para tomar umas bebidas e falar de coisas da política e do mundo.  Talvez porque o achasse inteligente e culto, porém avaliava que aquela companhia acabava saindo cara por conta das verdades que o interlocutor sempre lhe dizia.

--Mas acho que agora vamos ter a revanche -- tornou Maurício.

--É claro! O processo de golpe nunca parou! -- indignou-se Maurício.

--Que golpe o quê! O governo não pode ficar na mão de comunistas...

--Você sabe perfeitamente que Lula e o PT não são comunistas.  Nem social-democratas eles conseguem ser porque o Congresso e as forças reacionárias que você defende não permitem.

--Pra mim tudo é comunismo!

--Você sabe perfeitamente que tá mentindo.  Não sou ignorante nem despolitizado, e sei que você também não é.  Não tenta sofismar pra mim.

--Com essa gente no poder os valores de família foram todos corrompidos...

--Não vem com essa história, Maurício! Deixa de ser hipócrita! Não vem falar em valores de família se você próprio tem amante.   Casado e com amante, e até de suruba já participou após casado e pai  de filhos.

--Você também não é nenhum poço de virtudes...

--Mas eu sou solteiro, não quero casar e não sou falso moralista.  Além disso, o que é que Bolsonaro e a família dele têm de exemplares e inseridos  nesse teu conceito moralistoide e falso de família?  Vai falar em Deus e pátria também?

--Eu defendo Deus e pátria também...

---Defende nada, Maurício!  No teu patriotismo, a pátria são teus interesses pessoais e teus anseios de poder, e Deus é você mesmo.  Bolsonaro e família são patriotas?  Você viu a proposta do Flávio no CPAC, de entregar nossas terras raras a Trump em troca de apoio à candidatura dele, Flávio? Isso é patriotismo,  Maurício!?  Isso é vergonhoso e muito mais.  Nem tenho palavras pra classificar.  Essa família não quer nem que o Brasil seja dela um feudo, mas apenas ter a situação de  uma espécie de síndico de um Brasil ocupado, assim como Caifás e Pétain respectivamente  na Judeia e na França ocupada.     Você é uma  xerocópia dos Bolsonaro, não por burrice, mas por buscar vantagens pessoais no contexto sócio-político.

--Mas esse momento tá perto de chegar -- apontou Maurício com um ar vitorioso: o Trump ainda esses dias vai qualificar os traficantes daqui como narcoterroristas, e logo, logo os militares americanos vão estar aqui dentro.  E eu, é claro, vou ficar à disposição deles pra combater o crime.

--Você sabe que eles são traficantes, mas não podem ssr definidos como terroristas.  Terroristas foram os militares do período da ditadura, que quiseram explodir o gasômetro e o Riocentro. Isso é nojento demais, Maurício!  Você exaltar uma figura repugnante e nociva como o Trump e ainda abrir mão da soberania do país...? Que militar é você!?

--Se fosse a Rússia ou a China entrando aqui, você aceitaria de bom grado, porque o que quer é um regime comunista...

--Você de novo querendo me passar atestado de burrice.  Pensa que sou imbecil?  Primeiro China e Rússia nada têm mais de comunista, e além disso eu jamais festejaria a perda da soberania do meu país.  Você é um militar fascista e entreguista, Maurício!

O general virou outro gole do chope:

--Você não pode falar de mim: sempre foi ovelha negra da família, sempre envolvido com mulheres, com putas, com pó... Você se lembra quando fui à polícia pra te soltar, porque tava doidão, com o nariz branco de cocaína?  

Frederico começava a exasperar-se:

--Não muda de assunto, Maurício! Você quer que eu agradeça de novo? Ou quer cobrar pelos seus serviços?

--Não é isso, é que você não pode me criticar...

--Posso, sim, porque eu fazia mal a mim.  Aliás, nem uso mais drogas, porém repito que eu fazia mal unicamente a mim mesmo, enquanto você quer a desgraça de todas as pessoas que não são ricas deste Brasil.

--Lá vem você com essa conversa de esquerdalha...

--Esquerdalha é neologismo desse ignorante mal-intencionado com que você colaborou porque baixou um decreto que elevou teus ganhos acima do teto do serviço público, e te deixou ganhando mais de cem mil por mês.  O que te revolta é ter voltado ao salário de origem, dentro dos limites da lei.   

--Viu? Papo de equerdalha...

--Não sou esquerdalha, sou de esquerda, socialista, enquanto você é oportunista.

--Não se envergonha de ser petista?

--Não sou petista, mas filiado e militante do PSOL.  Mas teria orgulho de simpatizar com qualquer partido que como o PT, unido às esquerdas, tirou aquele purulento Bolsonaro do poder.

--Cara -- Maurício virou o resto da tulipa enquanto olhou para o irmão com cara de poucos amigos -- você por hoje me encheu o saco com essa tua conversa de herói nacional pela metade.  

Frederico levantou-se de pronto:

--Não seja por isso!  Só vou pagar minha despesa  e ir embora daqui.

--Não precisa, deixa que eu pago...

--De forma nenhuma!

Chamou o garçom, pagou sua conta e, ao sair, disse ao irmão:

--Espero que, se acontecer o pior, tua consciência doa bastante.

Maurício nada respondeu, apenas ficou balançando a cabeça pra um e outro lado, com um sorriso debochado no rosto: quanta ingenuidade a de Frederico!


Abril de 2026

  


quarta-feira, 1 de abril de 2026

A REVOLUÇÃO DOS ARTISTAS

 Se não existe em definitivo a justiça dos homens

Nem Deus no Universo a nos defender, resgatar,

Pois que venham então de todos os lados

Multidões de artistas sem nome e sem palco

E que invadam as sedes mesquinhas dos bancos,

E vejam seus lucros com profundo desdém.

Que vão pelas ruas numa utópica gana 

De acabar co'a maldade, egoísmo e ganância.



Ocuparão os artistas auditórios e ruas,

Tocarão instrumentos de forma sagrada,

Cantarão nem fervor, num se-dar sem medidas.

Baterão seus tambores, seu bumbos, metais,

Mostrarão as pinturas de amadas despidas,

Paisagens   bonitas parecendo infinitas.

Viverão Cristo e César, Mr. Hyde e Otelo,

E as pessoas, então, num espanto assombroso,

Conseguirão ver que a Arte é coisa maior.




TEU POR DEMAIS

 Perdoa-me, amor, desmaiar de tão bêbado,

Sem perceber as batidas do teu coração.

Perdoa não dar o teu nome ao meu samba,

Pois podia quebrar a prosódia dos versos.

Mas, saiba, ao compô-lo, foi em ti que pensei.


Deixa agora de cisma, de mágoa e de medo:

Sente o afã, sente a entrega no meu beijo tão quente,

Sente o quanto incandesce o meu corpo no teu,

Nas palavras percebe um amor sem tamanho

E a franqueza dos mais fascinados poetas.


Sorri, meu amor, e me dá tuas mãos,

Vem comigo cantar poesia ao luar,

 Olha fundo em meus olhos tão cheios de súplica

E entende, querida, que sou teu por demais. 


[Fiz esse poema para o Marcelo Bizar musicar]

domingo, 22 de março de 2026

A MÚSICA

 De longe, uma canção tão tristonha

Atravessa as cidades, as ruas e  praças

E fica em minha alma, infinda, a tocar.

Não tem som, instrumentos a música,

Nem melodia, nem  nota, é silente,

À alma torna tão cheia de sombras

A música vinda de um canto longínquo,

Do fundo do fundo, de dentro de mim.






DIA INFINITO

Hoje me fiz tão menino,

Hoje me fiz pueril,

Alumbrado tal como um bebê

Que brinca nas águas do mar.


Hoje me fiz sem pecado,

Hoje me fiz delicado

Como alma encantada de moça

Tomada de amor e paixão.


Beijei os teus lábios vermelhos 

Deitei no teu corpo rosado,

E tudo ficou na memória

E me agitou de emoções.


Segui por ruas pequenas, 

Andei por becos escuros, 

Mas tudo eu via tão claro,

E vasto e tão musical.


A minha alma ribomba, 

Parece dançar em festança

E se emprenhou da alegria

Que trouxe a fascinação.


Quando de novo eu te vir,

Não sei se terão teus olhos

O mesmo enlevo infinito

Ou serão frios, sem luz.


Só sei que o dia de hoje

Tem pura, doce magia,

Tem tanta lira, alegria,

Que, acho, não vai terminar.




segunda-feira, 9 de março de 2026

VERSEJAR COM MAGIA

Quero escrever como canta Elis:

Co'a alma quente toda aflorada

E a voz candente a se irradiar.

Como  quem abre inteirinha a casa

E faz entrar a luz da manhã.

Qual deslumbrado da doce vista

Da serra verde em exuberância.

Como quem molha seus pés no rio,

Abrindo os braços pra natureza.


Vou versejar como me despisse

E me entregasse a um sedento amor,

Como quem olha, se embevecendo,

Gatos brincando pelos jardins.

Poetar qual fechasse os olhos

E levitasse na dança mágica.

Como deixasse que a viva lágrima

Molhasse as letras dos versos tristes.


Versejar como arrebatado

Por emoções mais angelicais.

Qual longamente beijasse a amada

E, de mãos dadas, com ela andasse

Em rumo a um canto tão magnífico,

Que só um sonho pode inventar.

Poetar num enlevamento

De quem vê quando brota a vida,

Quem se consome ao adeus da amada

Ou quem se enreda, surpreendido,

Num novo tempo de outra paixão.





domingo, 8 de março de 2026

O STF VAI ACABAR E SER SUBSTITUÍDO PELA MALU GASPAR E A GLOBO

             Quando o Gabeira disse que o STF tinha de acabar, a primeira dúvida que tive foi se era ele mesmo falando ou se o espírito do Eduardo Bolsonaro tinha se deslocado do corpo desse e baixado no veterano jornalista.  Procurei observar se o comentarista sofria tremeliques e convulsões (porque acontece isso quando um espírito entra numa criatura) e, como não notei nada de anormal, vi que era o Gabeira mesmo que proferia asneiras e que o espírito do Eduardo tava lá nos  Estados Unidos, bem alojadinho dentro do corpo do ex-deputado.

Quando deu tal declaração, o repórter mostrou uma fidelidade canina pra Malu Gaspar, que quer ver o capeta, menos o Alexandre de Moraes no STF, e tem crise de urticária só de ouvir falar na Suprema Corte.  A  lealdade de sabujo do global, aliás, não é só devotada a Malu Gaspar, mas também aos seus patrões da família Marinho: Gabeira é um excelente colega de trabalho e um  empregado perfeito, só como brasileiro é que deixa muito a desejar.

Não sei se ele acha que o fechamento do STF só iria requerer um cabo e um soldado, como disse Eduardo, mas isso o global tem lá sua sabedoria pra responder.

Gabeira foi membro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e participou em 1969 do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, tendo sido posteriormente  preso e exilado, só voltando ao Brasil em 1979, por conta da Anistia.  No início dos anos 1980, praticou um ato revolucionário: usou na praia uma sunga de crochê.   Depois voltou a envolver-se em política, concorrendo a governador do Estado do Rio de Janeiro em 1986, perdendo, assim com Darcy Ribeiro, para Moreira Franco, em virtude de uma diarreia mental do eleitorado fluminense -- da qual, ao que parece, até hoje ainda não se curou (só tendo parecido se recuperar em 1990, quando elegeu Leonel Brizola -- segunda vez eleito no Estado -- para em 1994 voltar ao estado encefálico-diarreico).  Em 1997 concorre a deputado federal e se elege, iniciando uma sucessão de quatro mandatos, deixando a carreira política em 2011 e dedicando-se ao jornalismo a partir de então.  Se sua trajetória política marcou seu repúdio ao autoritarismo de Estado e afeição à democracia, rompeu com toda a sua história desde o dia em que pisou na Globo.   

Dizem (infelizmente não li) que o genial e saudoso Luís Fernando Veríssimo teria escrito, durante o segundo mandato do Fernando Henrique (aquele socialista arrependido que governou seguindo rigorosamente a cartilha neoliberal de Roberto Campos e Delfim Neto), que o verdadeiro FH estava preso num calabouço e quem governava o Brasil era um impostor -- humorista de raríssimo talento aquele escritor.  Se o brilhante Veríssimo fez essa anedota, eu agora ouso repeti-la com relação ao Gabeira: será que ele foi sequestrado e substituído por um clone?

Fico imaginando como será depois do fechamento do Supremo.  Como creio que até o ex-guerrilheiro compreenda que, fechado o STF, algo terá de ser colocado no lugar, até porque a República ficaria mutilada... Pois é, se é assim, outro órgão teria de ser criado para substituir a instituição mais alta do Judiciário, e creio que a criação deverá ficar a critério das Organizações Globo.  Como os globais odeiam tudo o que é estatal sem dar-lhes nenhuma subvenção ou vantagem financeira, a instância mais alta de Justiça seria exercida por uma entidade privada:  a Central Globo de Julgamentos.  O que acha, hem?  Não vai perfeitamente ao encontro dos ideais da empresa midiática?   Como os ministros teriam todos de ser substituídos, qual seria a composição da corte máxima (Central Globo de Julgamentos)?  Acho que não seria necessário os membros terem formação em Direito ou notório saber jurídico, basta um senso de justiça global, não é?  Aí o Merval Pereira seria o presidente, e os outros componentes seriam  Malu Gaspar,  Demétrio Magnoli, Gerson Camarotti, Míriam Leitão, Andreia Sadi, Daniel Sousa, César Tralli, Joel Jovem Pan Pinheiro, Mônica Waldvogel e Dado Dolabella.  Os processos relativos à XP Investimentos seriam distribuídos pro Gérson Camarotti, os referentes a ataques à democracia, ao Jovem Pan Pinheiro, os ligados ao André Esteves e ao BTG Pactual, à Malu Gaspar,  os que tratassem de violência contra a mulher, ao Dado Dolabella.

A Globo, arrependida de ter defendido a democracia no início da gestão Lula, mostra-se agora obcecada pela ideia de emplacar no Brasil um governo de extrema-direita, daí já haver entrevistado Waldemar Costa Netto como se esse fosse referência de algo positivo neste país, como se ele fosse o sábio dos sábios, com o fito de permitir que tal deplorável político fizesse propaganda e defesa da candidatura do igualmente deplorável Flávio Bolsonaro.   A mesma Globo que em 1982 contratou a Proconsult para contar os votos das eleições ao Governo do Estado do Rio, num episódio em que a empresa contratada apontava Moreira Franco em primeiro lugar, a despeito de Leonel Brizola liderar na contagem de todas as outras emissoras, não mudou em absolutamente: as caras mudaram porque muitos morreram, outros não mais conseguem trabalhar, mas as praxes continuam as mesmas: a desinformação, a tendenciosidade, o desprezo à democracia, o afã de atender pelos meios mais sórdidos aos interesses próprios  e aos de seus parceiros comerciais, porque, na visão dessa empresa de jornalismo e mídia, o mundo se resume e se limita a ela mesma e à sua confraria empresarial, nada mais mais importando neste vasto Brasil e neste vasto planeta tão conturbados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

SEM POESIA

 

Não há mais poema que se possa escrever,

Nos semblantes não vejo ninguém a sonhar,

Nem noto nos olhos dançar esperança,

Não há estações nem apito de trem,

Nem moça inquieta, num afã de partir.

Se à volta a paisagem é tão trivial,

Sequer há casais em abraços febris

Nem alguém que chore o amor que partiu.


Não há beija-flores parados no ar

E o canto tristonho das aves noturnas.

Não há mulher doce com olhos de busca,

Não há nos jardins criança a brincar,

Não tem nos arbustos pardal a pousar,

Não sinto um desejo intenso de amar.

Não há mais poema que se possa escrever,

Não há poesia que se possa cantar.


domingo, 15 de fevereiro de 2026

COISAS DO FASCISMO

 Se levarmos em conta que Bolsonaro é misógino, sexista, ignaro, homofóbico, sem-empatia, negacionista, contrário a vacinas e à saúde pública, mentiroso, autoritário, golpista, incompetente,  odeia pobres e aposentados, acha que só as classes abastadas têm direito à vida e ao bem-estar social, e que as declarações de seus filhos fazem-nos no mínimo muito parecidos com ele, há de se depreender, então, que, caso eleito, Flávio Bolsonaro retornará à nefasta obra do pai.  Dá arrepios de imaginar.

Se avaliarmos a situação a partir do eleitorado do capetão, ops(!) desculpe, capitão, que é o mesmo de qualquer candidato de direita ( a direita não tem muito pudor e se converte facilmente em extrema-direita, desde que seus privilégios -- ou, no caso do direitista pobre, os privilégios dos que ela idolatra -- sejam mantidos), veremos que o Brasil não será, como não vem sendo (graças à atuação maligna das forças reacionárias), um país onde irá haver ordem, e isso a gente percebeu desde o momento em que, em 2018, foi anunciada a vitória do Bozo na disputa eleitoral.  Exemplo disso é que, naquele dia, eu morava em Araruama, no Rio, e fora a Arraial do Cabo. Quando voltei do passeio, fiquei boquiaberto:  era tanta garrafa de  cerveja long neck   largada, inteira ou quebrada,  nas  calçadas e na pista, que parecia ter havido uma revolução em que  as armas  eram aquela frascos de vidro.  Alguns dizem que o vidro é quebrado com cerveja e tudo em oferendas ao chamado "povo de rua", mas duvido muito que algum exu ou pomba-gira em sã consciência queira tanta destruição.  Há os que alegam que é para extravasar as emoções, como  fazem no Natal e na virada do ano, mas a verdade é que explodem fogos e quebram coisas pelo simples prazer do exercício da destruição e da arruaça.  


Fico imaginando as comemorações em caso de triunfo do "pimpolho" Bozinho.  As ruas cheias de milicianos, traficantes, uma legião de feminicidas, homófobos, desordeiros,  violentos, ignorantes, etc, todos promovendo um imenso carnaval fora de época e quebrando garrafas  e espalhando tiros de armas de fogo a três por dois.


Imagine agora a política salarial:  aposentados, servidores públicos de carreira, trabalhadores ativos não terão vez apesar de alguns participarem dessas verdadeiras folias satânicas -- não por eventualmente bozistas envolverem entidades africanas nos festejos (até porque a moda é ser evangélico, e as religiões da África estão em baixa e sofrendo perseguições), mas pela índole dos que estiverem engajados nas comemorações.  


O SUS vai direto à privatização ou extinção,  as mortes vão  se multiplicar de forma assustadora, as vacinas serão negligenciadas.  Por que essa palhaçada de comprar vacinas, se não servem pra nada?  É gastar dinheiro à toa, quando tem tanto bilionário e tanto banqueiro de boca escancarada, esperando as verbas do governo como passarinho de bico aberto à espera de receber comida do bico da mãe.   Aí vai surgir uma epidemia de Covid no Brasil, mas não haverá necessidade de ninguém se vacinar, segundo o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro, retirado da cadeia por ato autoritário do presidente Bozinho, que terá aproveitado o ensejo para cerrar as portas do STF, deixando lá de plantão apenas André Mendonça e Nunes Marques, para depois nomear uns sessenta ministros, todos amigos da família, e assim recompor a  Corte.  Bolsonaro não será ministro apenas da Saúde, mas da Casa Civil, Casa Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Defesa e presidentte vitalício do Supremo, acumulando todos os cargos, recebendo por cada um deles, mas passando os dias a pescar em Angra e aproveitando os domingos de descanso para promover e participar de motociatas.  Sobre a desnecessidade de imunização, alíás,  é preciso compreender que a necropolítica é muito importante para a robustez financeira dos governos autocráticos, que precisam dar muitos mimos às elites para estas manterem, mais que apoio, a sustentação a eles.  Velhos mortos e ausência de saúde pública geram uma puta economia aos cofres públicos, que aí passam a ter muito mais folga e conforto pra distribuir benesses entre seus representantes talibãs.                                      

Matar mulheres,  homossexuais, animais, pobres e idosos estará liberado, mensagem subliminar perfeitamente entendida já nos dias de hoje, em que o governo é progressista, mas a gritante maior parcela dos políticos e autoridades é de exrema-direita.  Só que os eleitores idiotas não entendem é que despossuídos, independentemente de serem idólatras da família Bozo, estarão todos sujeitos a desmandos como os que houve no tempo da ditadura militar.  As polícias saíam às ruas pra prender, matar e baixar a porrada, e não perdoavam desempregados e desordeiros de boteco, e não perguntavam a ideologia de suas vítimas: não será criada uma carteira de fascista.

Não tenho dúvida de que São Donald Trump, deus dos fascistas e estúpidos do Brasil, terá uma participação importante na volta dos extremistas de direita ao poder, só não posso mensurar ainda o tamanho e as características dessa interferência

O lado bom do fascismo é que um dia ele acaba, embora em geral se haja de esperar por uns vinte e poucos anos.  Pelo menos é o que podemos imaginar quando verificamos o tempo que Hitler e Mussolini permaneceram  no poder.  A própria ditadura brasileira durou vinte e um anos. No entanto, se considerarmos os casos de Stroessner  e Franco, que governaram respectivamente o Paraguai e a França França por 36 anos,  e a ditadura salazarista, que durou de 1933 a 1974, veremos então que a galerinha sadia irá precisar de um pouquinho mais de paciência. Coisas do fascismo.