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domingo, 8 de março de 2026

O STF VAI ACABAR E SER SUBSTITUÍDO PELA MALU GASPAR E A GLOBO

             Quando o Gabeira disse que o STF tinha de acabar, a primeira dúvida que tive foi se era ele mesmo falando ou se o espírito do Eduardo Bolsonaro tinha se deslocado do corpo desse e baixado no veterano jornalista.  Procurei observar se o comentarista sofria tremeliques e convulsões (porque acontece isso quando um espírito entra numa criatura) e, como não notei nada de anormal, vi que era o Gabeira mesmo que proferia asneiras e que o espírito do Eduardo tava lá nos  Estados Unidos, bem alojadinho dentro do corpo do ex-deputado.

Quando deu tal declaração, o repórter mostrou uma fidelidade canina pra Malu Gaspar, que quer ver o capeta, menos o Alexandre de Moraes no STF, e tem crise de urticária só de ouvir falar na Suprema Corte.  A  lealdade de sabujo do global, aliás, não é só devotada a Malu Gaspar, mas também aos seus patrões da família Marinho: Gabeira é um excelente colega de trabalho e um  empregado perfeito, só como brasileiro é que deixa muito a desejar.

Não sei se ele acha que o fechamento do STF só iria requerer um cabo e um soldado, como disse Eduardo, mas isso o global tem lá sua sabedoria pra responder.

Gabeira foi membro do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e participou em 1969 do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, tendo sido posteriormente  preso e exilado, só voltando ao Brasil em 1979, por conta da Anistia.  No início dos anos 1980, praticou um ato revolucionário: usou na praia uma sunga de crochê.   Depois voltou a envolver-se em política, concorrendo a governador do Estado do Rio de Janeiro em 1986, perdendo, assim com Darcy Ribeiro, para Moreira Franco, em virtude de uma diarreia mental do eleitorado fluminense -- da qual, ao que parece, até hoje ainda não se curou (só tendo parecido se recuperar em 1990, quando elegeu Leonel Brizola -- segunda vez eleito no Estado -- para em 1994 voltar ao estado encefálico-diarreico).  Em 1997 concorre a deputado federal e se elege, iniciando uma sucessão de quatro mandatos, deixando a carreira política em 2011 e dedicando-se ao jornalismo a partir de então.  Se sua trajetória política marcou seu repúdio ao autoritarismo de Estado e afeição à democracia, rompeu com toda a sua história desde o dia em que pisou na Globo.   

Dizem (infelizmente não li) que o genial e saudoso Luís Fernando Veríssimo teria escrito, durante o segundo mandato do Fernando Henrique (aquele socialista arrependido que governou seguindo rigorosamente a cartilha neoliberal de Roberto Campos e Delfim Neto), que o verdadeiro FH estava preso num calabouço e quem governava o Brasil era um impostor -- humorista de raríssimo talento aquele escritor.  Se o brilhante Veríssimo fez essa anedota, eu agora ouso repeti-la com relação ao Gabeira: será que ele foi sequestrado e substituído por um clone?

Fico imaginando como será depois do fechamento do Supremo.  Como creio que até o ex-guerrilheiro compreenda que, fechado o STF, algo terá de ser colocado no lugar, até porque a República ficaria mutilada... Pois é, se é assim, outro órgão teria de ser criado para substituir a instituição mais alta do Judiciário, e creio que a criação deverá ficar a critério das Organizações Globo.  Como os globais odeiam tudo o que é estatal sem dar-lhes nenhuma subvenção ou vantagem financeira, a instância mais alta de Justiça seria exercida por uma entidade privada:  a Central Globo de Julgamentos.  O que acha, hem?  Não vai perfeitamente ao encontro dos ideais da empresa midiática?   Como os ministros teriam todos de ser substituídos, qual seria a composição da corte máxima (Central Globo de Julgamentos)?  Acho que não seria necessário os membros terem formação em Direito ou notório saber jurídico, basta um senso de justiça global, não é?  Aí o Merval Pereira seria o presidente, e os outros componentes seriam  Malu Gaspar,  Demétrio Magnoli, Gerson Camarotti, Míriam Leitão, Andreia Sadi, Daniel Sousa, César Tralli, Joel Jovem Pan Pinheiro, Mônica Waldvogel e Dado Dolabella.  Os processos relativos à XP Investimentos seriam distribuídos pro Gérson Camarotti, os referentes a ataques à democracia, ao Jovem Pan Pinheiro, os ligados ao André Esteves e ao BTG Pactual, à Malu Gaspar,  os que tratassem de violência contra a mulher, ao Dado Dolabella.

A Globo, arrependida de ter defendido a democracia no início da gestão Lula, mostra-se agora obcecada pela ideia de emplacar no Brasil um governo de extrema-direita, daí já haver entrevistado Waldemar Costa Netto como se esse fosse referência de algo positivo neste país, como se ele fosse o sábio dos sábios, com o fito de permitir que tal deplorável político fizesse propaganda e defesa da candidatura do igualmente deplorável Flávio Bolsonaro.   A mesma Globo que em 1982 contratou a Proconsult para contar os votos das eleições ao Governo do Estado do Rio, num episódio em que a empresa contratada apontava Moreira Franco em primeiro lugar, a despeito de Leonel Brizola liderar na contagem de todas as outras emissoras, não mudou em absolutamente: as caras mudaram porque muitos morreram, outros não mais conseguem trabalhar, mas as praxes continuam as mesmas: a desinformação, a tendenciosidade, o desprezo à democracia, o afã de atender pelos meios mais sórdidos aos interesses próprios  e aos de seus parceiros comerciais, porque, na visão dessa empresa de jornalismo e mídia, o mundo se resume e se limita a ela mesma e à sua confraria empresarial, nada mais mais importando neste vasto Brasil e neste vasto planeta tão conturbados.

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