Não há mais poema que se possa escrever,
Nos semblantes não vejo ninguém a sonhar,
Nem noto nos olhos dançar esperança,
Não há estações nem apito de trem,
Nem moça inquieta, num afã de partir.
Se à volta a paisagem é tão trivial,
Sequer há casais em abraços febris
Nem alguém que chore o amor que partiu.
Não há beija-flores parados no ar
E o canto tristonho das aves noturnas.
Não há mulher doce com olhos de busca,
Não há nos jardins criança a brincar,
Não tem nos arbustos pardal a pousar,
Não sinto um desejo intenso de amar.
Não há mais poema que se possa escrever,
Não há poesia que se possa cantar.
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