Que niilista enfim eu sou,
Se o feitiço da morena
Me arrebata ao firmamento,
E eu deliro entre as estrelas
Num me-dar descomunal?
Mas que incrédulo sou eu,
Se sei santo o amor maior
Da Melzinha e Raposinha,
Amadinhas de focinho,
A fazer da casa o Céu
Ansiado pelos místicos
Co'a presença simplesmente?
Como nego essa magia
Que detêm os animais
De despir-me das maldades
E me encher do amor imenso
Que dilata o coração?
Como não me devotar
À sublime natureza
Com seus rios, suas matas,
Os seus bichos, suas cores
E seus sons mais divinais?
Os bichinhos, as florestas
E pessoas, poucas delas,
São amores que alimento,
Têm poder como de deuses
De me dar razões à vida,
São motor do meu desejo
De seguir tocando os dias:
São meus deuses essas vidas:
Que niilista então sou eu?