Pesquisar este blog

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O CAOS DA CULTURA NACIONAL

Houve um sábado em que tomei coragem e assisti ao “Altas Horas”, com Serginho Groismann, que ali teve a desfaçatez (que aliás tem quase todo santo sábado) de exibir ao grande público alguns entre os mais consagrados expoentes da breguice, do mau-gosto e do bizarro que hoje grassam na cultura nacional.

Imagine que tínhamos naquele dia, entre outros culturicidas, Nego do Borel, que além de tentar cantar, relatava num requinte pavoroso de crueldade que já fizera um dueto com Wesley Safadão. Nossa mãe!!!! Sabe o que é um dueto de Nego do Borel com Wesley Safadão?! É um atentado cruel e sanguinolento ao bom-gosto, de deixar qualquer criatura dotada do menor bom-senso estarrecida e deprimida, saturada da vida e desgostosa do mundo.

Como não bastassem Nego do Borel e outros da mesma má qualidade, o apresentador ainda teve a coragem de convidar o Pablo Vitar, eleito pela Globo “a revelação do ano de 2017”. Puxa! Já revelamos coisas muito melhores. Antigamente nosso artista do sexo masculino que cantava com voz feminina era o Ney Matogrosso, de canto  bonito e expressão infinita, dotado de uma técnica de cantar perfeita. Depois do Ney, surgiu o Edson Cordeiro, um fenômeno capaz de executar barítono, tenor, contralto, soprano, numa maestria singular. Pena que este tenha desaparecido do cenário nacional: é assim a cultura brasileira de hoje, que renega os bons. Se Matogrosso e Cordeiro são dois antigos e potenciais talentos, esse Pablo é lamentável como artista.

Numa vã tentativa de assemelhar-se a uma mulher, a atual “revelação”, com cabelos compridos, vestido curto e falando e cantando em falsete, mais parece um participante perdido e desgarrado dos blocos das “piranhas” do Carnaval. A voz é feia, frágil, irritante, rachada,  e o cantor não tem técnica nem competência para usar o que já não é nada bom. Um pseudotalento criado pela mídia, sem nada que possa lastrear o rótulo que lhe dão.

A área cultural no Brasil de hoje é isso. O declínio foi grande, houve um quase aniquilamento da nossa cultura. Copacabana fechava os finais de ano com apresentações de Tom Jobim com Mílton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso. Hoje os sertanOjos (como diz Rita Lee), funkeiros, pagodeiros, cantores de axé é que dominam a MPB, tão esfrangalhada e aviltada pelas gravadoras, pelos intérpretes e compositores e pelo mau gosto popular.

Caímos da poesia de Belchior pro ridículo nada-dizer do Michel Teló, de Jessé pra Luan Santana, de Gal Costa pra Anita, de Bethânia pra Valeska Popozuda, de Tim Maia pros Mc's. Uma verdadeira degradação artístico-cultural. O caos da cultura. Caos este que não é mais que um dos reflexos e uma das facetas  do deplorável caos social, moral e político que hoje o Brasil vive e do qual imagino que infelizmente jamais irá se libertar.



sábado, 18 de novembro de 2017

NÃO SEI SE DEVO FICAR APREENSIVO OU MORRER DE RIR, MAS FICO IMPRESSIONADO COM O FATO DE QUE MINHAS POSTAGENS NOS BLOGS TÊM MUITO MAIS PÚBLICO NOS ESTADOS UNIDOS E CANADÁ DO QUE NO BRASIL(ONDE HÁ APENAS UNS TRINTA POR CENTO DAS VISUALIZAÇÕES). ISTO NÃO QUER DIZER QUE EU ESTEJA FICANDO INTERNACIONALMENTE FAMOSO, MAS QUE NESTES PAÍSES HÁ UMA LEGIÃO DE INVESTIGADORES IDIOTAS ACHANDO QUE EU POSSA SER UM TERRORISTA OU COISA ASSIM. VIRAM? O INSPETOR CLOUSEAU EXISTE.

sábado, 14 de outubro de 2017

DEFESA ABSURDA!

Só a Globo e certos artistas seriam capazes de defender a exposição do Santander, em que eram expostos quadros com cenas de pedofilia e zoofilia. Lamento profundamente que coisas tão aberrantes, cruéis e bestiais tenham sido defendidas por gente que forma opinião. Pode-se através da arte fazer proselitismo da torpeza, da crueldade, da impiedade, do inaceitável? É válido que ela, a arte, preconize o neonazismo, a violência, a tortura, a perversidade? Felizmente a desastrada instituição bancária que patrocinou e promoveu o evento teve o bom-senso (tardio, é claro) de cancelar a exposição. Quanto aos artistas que se manifestaram a favor da apresentação, só me resta expressar meu mais profundo repúdio e indignação. Agora, por fim, quanto à Globo, não há mais palavras para defini-la e qualificá-la, não só por este episódio, mas por ser absolutamente indigna de credibilidade, dado tudo o que fez e faz ao longo de sua história.

domingo, 8 de outubro de 2017

DAS LICENÇAS POÉTICAS

Às vezes (ou muitas vezes) publico com licenças poéticas acidentais: reviso, reviso o texto e não vejo que repeti a expressão às vezes mais de uma vez. Mas em geral não retifico: fica como licença e pronto! Que me perdoem os amigos leitores e escritores, mas abuso desta liberdade (licença poética) que temos.

BUSCA AO IRREAL


Vida, traga a mim as esperanças
Ou bem  menos, por favor: uma utopia.
Ou seria a utopia maior do que a esperança?
Mas é claro, vida, que é maior uma utopia(!),
Se ela é livre das amarras da verdade,
Que desola, martiriza e aniquila as  criaturas.

Quem me dera, dera mesmo a fantasia,
Que tem asas e que voa sem limites,
Por estrelas, por delícias, ribeirões e paraísos,
Não conhece bom-senso, juízo nem razão.

Mas, meus dias, por demais contentaria
Crer que um dia os perversos, os que usurpam e os que oprimem 
Muito caro pagassem os pecados cometidos
E que a injustiça humana, que é infalível,
Sucumbisse sob os pés  da justiça verdadeira,
Que viria de um Deus justo ou bons espíritos.

Ah, se o Universo nos desse uma outra vida
E reparasse a todo ser o mal sofrido 
Neste mundo de maldades e tragédias...

Vida, traga a mim uma utopia, fantasia, uma loucura,
Porque, mundo, a realidade nos indigna, nos dói demais.










sábado, 30 de setembro de 2017

Onde é maior a hipocrisia? No poder público, no poder privado, na família ou na religião?
Não entendo por que as pessoas travam uma verdadeira guerra ideológica, se direita e esquerda, sobretudo no Brasil, se parecem tanto, seja nos métodos sujos de obter e permanecer no poder ou no perfil autoritário e antidemocrático que ambas possuem.

A GENTE ELEGE MANDATÁRIOS, NÃO PAIS

A figura de um pai provedor e protetor está irremediavelmente arraigada na cabeça  de cada ser humano.  Tal pai é tão imprescindível na vida de nós, homens, que criamos um pai maior ainda, onipotente, onisciente e onipresente: Deus, herdado dos nossos genitores, que o criam para substituir os seus pais quando estes não mais os provêm e protegem.  Desse modo a cadeia segue,  cada filho recebendo a crença dos progenitores.  Essa praxe é absolutamente aceitável por estar intrinsecamente ligada à nossa necessidade  de suprir de algum modo a nossa impotência diante das coisas que não podemos controlar total ou parcialmente.  O que é lamentável, porém,  é isso se refletir na esfera política, nas ocasiões em que os eleitores escolhem seus mandatários.   
O prefeito é um pai menor, o governador, um pai mediano, o presidente, um pai maior abaixo de Deus.   Essa relação filial é, na cabeça de uma grande fatia do eleitorado, de  uma comodidade extrema:  você elege três caras, um te dá um puta município, com todos os serviços plenos e gratuitos ou a preços módicos, outro te propicia segurança, saúde e tudo o que é necessário no âmbito estadual, o terceiro te agasalha, dá casa, comida, emprego, bons salários e tudo aquilo de que um bom cristão (ou muçulmano, ou budista) necessita para  viver um verdadeiro jardim do éden em vida.  E o melhor:  sem que tu precises lutar por nada: vem tudo de mão beijada.
Tanto a minha tese é irretorquível, que aqui não se dá nenhuma importância às eleições para as casas legislativas:  Senado, Câmara Federal, assembleias legislativas e câmaras municipais.  Vota-se irresponsavelmente para vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, como se fossem meras figuras decorativas e não pudessem ser altamente perniciosos por mal escolhidos, como se dá atualmente em todo o território nacional. É a desinformação, a negligência e a imperiosa necessidade de levar vantagem que conduz a eleições desastrosas e ao caos irremediável em que se encontra o Brasil.  O Congresso conchava com o executivo, e os reais interesses da sociedade são jogados no lixo, num cenário em que a corrupção e a requintada crueldade das elites se abatem sobre todas as classes não abastadas do país, tirando-lhes  os mais sagrados direitos, os horizontes, dignidade e oportunidades.  
Enquanto forem sufragados nomes absolutamente avessos às necessidades e interesses da população, quer por ignorância, brincadeira ou malandragem, enquanto se pensar que um mandatário é um pai, o caos irá se agravando e aprofundando a cada dia, e a corrupção, hoje totalmente disseminada pela nação, jamais deixará de assolar este país, que hoje  encontra-se muito próximo a uma condição que se pode qualificar como de desgraça.


sábado, 9 de setembro de 2017

TERRA SEM LEIS


O Brasil é definitivamente um republiqueta muito da sórdida!  Aqui não há leis nem  exercício de justiça.  Todo Estado precisa de uma legislação oficial, por isto temos aqui vários códigos, mas estes existem apenas para constar no papel.  Os julgamentos são feitos em consonância  com as tendências e interesses  de quem julga.  Não há Constituição, Código Penal, etc... As leis são os desmandos de quem detém a caneta ou as armas, e fim!  Resalvadas as exceções, o poder é uma imensurável rede criminosa.  Estou sendo genério porque não sou burro de ser específico e dar nomes aos bois.  As citadas exceções existem, sim, mas são de uma impotência desoladora diante da crudelíssima safadeza nacional.
Vivemos sob regime de ocupação e dominação, somos reféns de criminosos, e criminosos não têm pudor para se ocupar com o que é ético ou justo: apenas querem se locupletar através da usurpação dos bens e direitos dos que estão debaixo do seu domínio.
Não há nenhum motivo para ninguém nutrir esperanças.  Infelizmente a imbecilidade nacional acredita ser sempre possível tirar um coelho de  uma cartola e fica contando com um súbito milagre, algo como a volta do Messias para punição dos maus e recompensa e felicidade  dos bons.  A alienação é um carcinoma do tamanho da crueldade e torpeza dos que dilapidam o patrimônio nacional.

domingo, 30 de julho de 2017

UTOPIA

Se uma doce emoção repontar
na gente rude das ruas cinzentas...?
Se o ódio silenciar tão profundo
de parecer estar morto e sepulto...?
Se eu me apaixonar pela prostituta
e viver uma inquietação mais sem fim..?
Se as pessoas quebrarem o asfalto
e plantarem jardins nas estradas...?
Se eu vir a ternura brotando
nos olhos tão frios de Helena...?
Se alguma voz bela cantar 
e encantar toda a praça e a cidade...?
Se tudo for só poesia,
sem juízo, sem bom-senso ou limite...?
Se esta utopia crescer de tal modo, 
que arrebente a impalatável verdade...?
Se minha quimera vencer o real,
parecerá vivermos pura felicidade.


SE EU AMAR ESSA MULHER?

E se eu amar essa mulher
de olhos tão despidos dos afetos?
E se eu amar essa mulher
loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas,
verificar furtivamente seus papéis, seus aparelhos,
suas vestes íntimas no cesto e no varal?

E se eu amar essa mulher,
obsessivo de falar seu nome o tempo todo,
nas noites frias de tristeza e de distância?
E se eu amá-la de um modo assim tão tresloucado
de perdoar-lhe as traições e os seus desprezos?
Se eu amá-la de um jeito tão servil e tão demente
de sentir-me um ser chão diante dela?
Se eu amar demais essa mulher, 
de querer morrer caso ela suma dos meus olhos,
de querer matá-la caso queira me deixar,
ou ainda me deitar pelas sarjetas se perdê-la para sempre?

Vou deixar que essa mulher siga em paz o seu caminho:
não, não posso, não, jamais amar essa mulher!


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Como ter alguma esperanças num país que se preocupa mais com o desempenho dos seus jogadores de futebol em campo do que com os atos dos seus políticos... onde uma passeata LGBT reúne pelo menos cinquenta vezes mais pessoas do que um protesto contra os desmandos e a corrrupção da sua degenerada classe política... onde  ministro de alta corte, ao invés de portar-se como magistrado, defende com unhas e dentes parlamentares e gestores sujos  e por isto mesmo espúrios... onde as Organizações Globo - que são a mais tendenciosa rede de comunicação e a maior deturpadora da história contemporânea do Brasil - é que mais formam opinião?  Para mim chega.  Desisti de tudo, joguei a toalha, entreguei os pontos: não quero mais lutar por nada. Vai ser tudo como Temer, a Febraban, a Fiesp, a Firjan, a Globo e etc. quiserem.  Porque aqui não há lei, justiça ou ética:  manda e faz o que bem quer quem tem a arma ou a caneta na mão.  Só lamento não ter idade e especialização para tentar uma vida e uma história diferente em outro país.  Da mesma forma como me desola profundamente ter dado filhos e uma neta a esta terra.   Aqueles que deram as costas para os fatos extremamente graves que dilapidaram e ainda dilapidam o Brasil, também sentirão, tanto quanto eu, na carne os efeitos de termos um Estado  antidemocrático e estarmos caminhando a passos largos para nos tornarmos a Somália da América Latina.  Não há nenhuma eperança, nada de bom ficou por aqui. Acabou tudo... Acabou tudo.

domingo, 2 de julho de 2017



Não creio em nada. Ou em quase nada.  Não creio em Deus. Nos homens, muito menos.  Não alimento ilusões e esperanças quanto às coisas à volta e ao mundo.  Não vivo destilando alegria pelos quatro cantos do planeta.  Sou um misantropo e não cultuo deuses nem homens.   Mas me embeveço quando de manhã olho pra fora da janela do meu quarto e vejo a árvore florada e repleta de vida, uma pequena mostra do quanto a Natureza é sublime, que contrasta com a rua pavimentada e quase totalmente desprovida de verde.  Beija-flores, besouros, percevejos.  Às vezes mariposas entram de madrugada, e tenho de acender alguma luz para que elas se aquietem.  Uma vez entraram dois beija-flores por volta das três da manhã, e precisei apagar as luzes para deixarem de se bater e não se ferirem.  Na primeira claridade abri as bandeiras porque não souberam sair pela janela aberta.  A Natureza, os bichos: este é meu culto, meu alumbramento, minha crença absoluta.  Eu creio na vida, nos animais, nos besouros, nas árvores e plantas e me me irmano com eles, e a simples vista de tais criaturas me traz uma paz de nirvana, me faz contente com a própria existência, me faz encantado, enlevado e feliz.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O QUE VOCÊ ACHA?

Diante da ciência de tanto crime na política nacional, no âmbito de estados, municípios e da União, fico me perguntando:  ressalvadas as exceções, é claro,  não dá o poder público no Brasil a impressão de ser a maior rede criminosa do mundo?

quinta-feira, 11 de maio de 2017

JUIZ SOUTO MAIOR CONTA O QUE HÁ POR TRÁS DAS REFORMAS DO TEMER


EMBORA SEJA UMA LONGA EXPLANAÇÃO, LEIAM O ARTIGO DO JUIZ JORGE SOUTO MAIOR SOBRE TUDO O QUE HÁ E VEM ACONTECENDO POR DETRÁS DAS REFORMAS DO TEMER

http://www.jorgesoutomaior.com/blog/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista

sábado, 22 de abril de 2017

Que me perdoem os meus amigos poetas mais eruditos, mas  não fiz escola com os grandes expoentes da literatura nacional, porém com aqueles cuja poesia ouvi cantada, como Fernando Brandt (um dos maiores letristas do Brasil), Chico Buarque (o maior),  Belchior,  Dolores Duran... Mas foi impossível  não deixar que me entrassem a crueza quase perversa  do Drummond e o lirismo ora alumbrado, ora sofrido  (ou as duas coisas ao mesmo tempo) do Bandeira.  Na crônica penso que segui muito a linha do Augusto Nunes e do Sebastião Nery, pelo sarcasmo e pela incredulidade (até porque sou um incrédulo e sarcástico inato);  mas na crônica analítica sou disciplinado e austero como um professor antigo. No humor enveredei pelo caminho do Carlos Eduardo Novaes, do Jaguar, apesar da minha absoluta admiração pelo mestre Millôr Fernandes.   No conto não posso me definir, dada a minha ínfima produção neste campo.  Mas o humor e a ironia que mais me fascinam são as irreverências do genial Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly,  o antológico "Barão de Itararé" - sem esquecer o brilho do Luiz Fernando Veríssimo.   Juro que o "Barão" do meu pseudônimo vem do cachorro que a minha mãe tinha (sendo o "da Mata" uma alusão à natureza), não é uma tentativa de parecer o mencionado talentoso.    Porém o que é mais relevante para mim é que sou escritor (amador, claro) praticantte.  Melhor que escrever, só sexo, viagem, música  e meus amores, não necessariamente nesta ordem. 
Já recebi duras crítica nas redes sociais... e reagi de forma muito deselegante, chamando um dos críticos de "subcrítico de merda".   Mas de uma coisa tenho certeza: se não valer a pena viver, ao menos vale a pena escrever.
Mais importante que tudo, entretanto, é fazer que quem gosta dos meus escritos saiba de onde vem mnha essência literária.

domingo, 19 de março de 2017

NOITE SÚBITA

Era a tarde bonita e colorida,
E vertia alegria pelas ruas,
E era toda enfeitada de esperança.
Eu andava, assim tão leve qual planasse,
Derramava meu deleite em cada esquina,
Com minha’alma extasiada pela vida.

Por que foi que então Sônia Cristina,
Sua fala altiva, dura e fria
Fez que a noite chegasse de repente
E s enchesse de trevas , labirintos,
E eu voltasse, assim pesado como o mundo,
Gotejando minha dor pelas sarjetas,
Coração tão saturado da existência?



sábado, 11 de fevereiro de 2017

NOSTALGIA III

Tinha Lúcia, que era tão bonita,
e cheirava sempre a sabonete,
e era tão boa de deitar.

Tinha o quintal com três cachorros
e a terra, que cheirava a chuva à tarde,
e os arbustos sob a luz a balançar.

Tinha o futuro, que se vestia de esperança
e parecia tão delícia e tão de festa,
que era capaz de toda agonia afugentar.

Tinha um desejo imenso de cantar
que pulsava toda vez que a semana se acabava
e me fazia feliz por existir tão simplesmente.

Não vou me encher assim não mais de nostalgia,
porque é tal como me apertar de dores pelos cantos,
como morrer, viver a morte todo o dia,  o tempo inteiro.
Não, não vou me encher não mais de nostalgia,
senão tanta saudade vai doer em mim demais.

POEMA TÓRRIDO


Vai, meu verso ardente, e te embevece da lindeza que há na noite latejante.
Vai, verbo candente, e odeia assim qual fora tempo de somente guerrear.
Vai, poema cálido, e ama assim com toda a lira, toda a sede que tu tens de te [entregar
Vai, fala pulsante, e exibe a dor que rasga a carne e é de matar, martirizar e [contorcer.
Vai, palavra em chama, e faze o peito tão festivo de alegria plena dilatar.
Vai, pena tão vária, e exibe os sentimentos mais diversos que no peito vibram [como ebulição.
Mas não te cales nunca, poesia, e brota do meu ser como se fora um mar de [sensações a se espalhar na vastidão.