Pesquisar este blog

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

"MÃE É MÃE, PACA É PACA", JÁ DIZIA O SAUDOSO BUSSUNDA. SOCIALISTA É SOCIALISTA, CANALHA É CANALHA, COMUNISTA É COMUNISTA, SOCIAL-DEMOCRATA É SOCIAL-DEMOCRATA, CAPITALISTA É CAPITALISTA, LADRÃO É LADRÃO. PACA PODE SER MÃE, MAS NÃO SE PODE SER SOCIALISTA OU SOCIAL-DEMOCRATA OU COMUNISTA E CAPITALISTA AO MESMO TEMPO, MAS PATIFE E/OU DITADOR QUALQUER UM DESSES PODE SER

Para melhor elucidar:


Primeiro: todo comunista é socialista, mas nem todo socialista é comunista.  Por quê?  Porque Marx -- que não li, mas sei --defendia que o socialismo fosse apenas transição para o comunismo, em que o Estado deixaria de existir para dar lugar à ditadura do proletariado, ou seja, os trabalhadores exercendo a autogestão e a gestão dos meios de produção.  No socialismo o Estado existe e se incumbe de gerir o sistema.  O que nos leva a concluir que...

Segundo: Cuba, China, Rússia, Polônia  e outros países do Leste Europeu jamais foram comunistas, porque nesses países houve um socialismo implantado pela metade, em que seus cidadãos dividiam escassez (não de forma exatamente igualitária), enquanto os "amigos do rei", ou seja, as incontáveis pessoas ligadas ao comitê central do Partido Comunista, levavam uma vida nababesca.  Nesses países só houve ditaduras, de  socialismo, quase nada, de comunismo, nada!  Nunca houve socialismo ou comunismo em nenhum tempo ou qualquer parte do mundo.  D'onde se deduz que...

Terceiro: obviamente, socialismo e comunismo não passam de meras utopias e não são duas coisas exatamente iguais.

Quarto: apesar de socialismo e comunismo, assim como o anarquismo, serem meras utopias, não há nenhum desvio de caráter em quem acredita nos dois sistemas: são pessoas que acham que deva haver uma distribuição equitativa de renda somada à estatização dos meios de produção, para evitar a divisão entre pobres e ricos, isso com a presença do Estado ou não.  Donde percebemos que...

Quinto: canalhas são aqueles que sofismam e insistem em qualificar os socialistas e comunistas como sórdidos, porque esses sofistas são ricos e têm pavor da mais insignificante distribuição de renda dentro da sociedade. Por isso embotam a visão dos idiotas sem riquezas e os fazem repeti-los como papagaios (perdoem-me as puras e sublimes aves).  Daí tanta gente pobre como eu (ou ainda mais) viver a praguejar: "Comunistas desgraçados!" "Malditos comunistas!" "Comunistas f... da p..." "Comunista tem que morrer!"

Sexto:  Lula, Dilma, Chavez, Maduro, Moralez sempre  pareceram socialistas, mas não atingiram nem a social-democracia, onde a iniciativa privada e o lucro são respeitados e aceitos, mas ao governo fica a obrigação de garantir saúde, educação, transporte, alimentação, segurança e outros itens básicos e essenciais para todos.  Houve muita roubalheira em governos que vendiam a imagem de esquerdista,  o que é muito diferente de esquerdista ser sinônimo de ladrão.  Neste tópico a gente detecta novamente a torpeza dos ricos e a burrice de alguns pobres repetidores, compreendendo então o porquê de expressões como "esquerda infame", "esquerda que só sabe roubar", esquerdalha", etc.

Sétimo:  capitalista é aquele que detém meio de produção (indústria, terras, máquinas), riquezas e alto patrimônio.  Os que não  os detêm e se dão essa definição (capitalista) são apenas bobos. Não passam de meros simpatizantes dos verdadeiros detentores do capital, acometidos de um distúrbio emocional parecido com a Síndrome de Estocolmo, visto que, se na S.E. a vítima ama quem a maltrata e aprisiona, a idolatria aos ricos é amor por aquele que o rouba, humilha, vilipendia...

Oitavo: nem todo rico é ladrão, mas há muitos ladrões, sobretudo de dinheiro público, entre os ricos, e esses não são presos ou não ficam reclusos por muito tempo. Assim entendemos que dizer que candidato rico é melhor por não precisar roubar é balela. Se rico tanto insiste em dizer que esquerdista é canalha, pergunte se o patrimônio dele foi conquistado com  luta, suor e trabalho ou se foi por herança.  Pergunte se os grandes latifúndios se formaram, ainda no tempo dos antepassados dos grandes latifundiários, com as mãos calejadas de enxada ou  dedos amoldados ao gatilho, se pela disposição para o trabalho ou pela grilagem e/ou usurpação de terras.

Nono: pelo que aqui se expõe, quem é o canalha? O esquerdista ( social-democrata, socialista  ou comunista) ou o rico?  O burro a gente já sabe quem é.

Décimo: Não sou socialista nem comunista, justamente pra não queimar energia em defender utopias, mas estou  muito, muito distante mesmo de ser um simpatizante do capitalismo.  Sou obrigado, assim como a absolutíssima maioria da população do mundo, a tolerá-lo e o engolir de maneira indigesta, mas acolho bem a detenção dos meios de produção pela iniciativa privada, desde que o Estado intervenha na economia para conter os abusos das elites e nos garanta saúde, educação e os outros requisitos que mencionei no tópico sexto.  É bom para todos.  A social-democracia seria a solução para a erradicação ou no mínimo arrefecimento da miséria no Brasil e no mundo, mas, enquanto houver bilionários doentes de ganância a produzir fome e escassez ( e eles não vão mudar a mentalidade jamais), as pessoas continuarão a morrer pelo avanço de doenças tratáveis, pela violência urbana, pela fome em frente a enormes hotéis, restaurantes e resortes onde os ricos se fartem dos pratos mais caros e sofisticados.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O OBSTINADO NECROLÓGIO A USTRA SERIA ESTRATÉGICO?




Quando Bolsonaro insiste em chamar Brilhante Ustra de herói, deixa bastante claro até para o mais parvo dos seus eleitores que é um homem de valores absoluta e aberrantemente invertidos, pois que heroísmo há em quem dá choques elétricos, arranca unhas, esmurra e queima homens e mulheres trancafiados e amarrados, inteiramente imobilizados e sem o menor recurso para fugir à morte e às dores lancinantes do martírio?
Para que público fala o sádico e arrogante presidente? Para os ex-torturadores militares hoje decrépitos e presos às suas cadeiras de rodas e à própria demência, que vez por outra se lambuzam de prazer nos vagos e breves lampejos de memória que experimentam  acerca das atrocidades que cometeram e presenciaram em seu período de exercício de poder? Ou se dirige aos ignaros que por juventude e impressionante desconhecimento político e histórico vibram, num surto mórbido de sadismo, com os relatos das dores e sofrimentos experimentados pelos torturados, assim como se assistissem a um filme em que o personagem antipático a seus olhos sofresse enormemente para proporcionar-lhes um prazer vibrante e quase voluptuoso? Ou volta o capitão o verbo maldito para o regozijo dos que viveram a época do regime de exceção, mas estavam, enquanto atrocidades aconteciam, voltados muito mais ou até exclusivamente para o que acontecia nos gramados de futebol do Brasil e do mundo, empanturrando a barriga de comida pesada com cerveja e o cérebro de ignorância e estupidez?
Ou será que o faria apenas por uma arrogância doentia, para provocar os que sentem náuseas e se repugnam e horrrorizam da simples ideia de ver ou saber o martírio de qualquer criatura? Provocá-los-ia com o intento de atiçar-lhes a revolta e buscar nos próprios seguidores patológicos o respaldo suficiente para reiniciar o lamentável passado esquecido da ditadura militar, por iniciativa de si próprio ou por ser um mero fantoche, um reles instrumento de experimento de uma extrema-direita, que o capitão teria por trás de si e que estaria louca para reinstaurar aqui nestas terras um sistema tirânico, com o fim usurpar da população nacional todas as matas, a fauna, os direitos, riquezas e dignidade, diante dos olhos estupefatos, medrosos, cansados e da quietude e tristeza impotente de todos nós?

domingo, 14 de julho de 2019




O tempo do medo está mais presente que nunca. No Brasil, felicidade está muito aquém de uma utopia.

Chorar, até crocodilo chora. No caso do inocente réptil, dentro de um processo natural que nada tem de emocional. Mas o réptil é irracional e inocente. Enquanto o chorão aqui em questão pranteou pelo triunfo de ter conseguido prejudicar grave e irreparavelmente milhões de trabalhadores. Entre ele e o gigantesco lagarto, qual é o cruel? Apesar da minha solidariedade e tristeza pelos prejudicados, dói também a tragicomédia de haver quem se tenha comovido com essas lágrimas demoníacas.
O mundo, por conta da ganância e do neoliberalismo -- entre outros fatores -- é um lugar de valores invertidos. Mas nunca me abandona a sensação de que no Brasil isso é mais gritante do que no resto do planeta.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Quando o "Fantástico" anunciou que o Japão decidira voltar a caçar baleias, e mais ainda quando o país colocou em prática a sua decisão, exibindo um desses enormes mamíferos morto por um dos seus pesqueiros, como se fosse um troféu de um ato heroico e não uma inocente vítima de uma perversa covardia, todos nós, amantes de animais, assim como os ambientalistas, sentimos uma dor e uma tristeza que as palavras não podem de forma alguma definir. Ainda estou, como os demais citados, abalado e roído de ódio, além de profundamente desanimado e desesperançoso quanto ao destino dos animais e do meio-ambiente no Brasil e no mundo.
O governo japonês, arrogante e cinicamente, alega que comer carne de baleia faz parte da cultura do povo daquele país asiático. Se é assim, eu pediria aos amigos que contatássemos o Greenpeace para que a instituição empreenda uma campanha recomendando ao mundo o não-consumo dos produtos produzidos pelo Japão, não excluindo-se da lista as comidas dos restaurantes japoneses genuínos e das franquias estabelecidas no Brasil e nos outros pontos do globo. Porque, se comer baleia é parte das praxes dessa gente, pois que eles paguem com a redução dos seus negócios a manutenção desse lado maldito, bestial e vergonhoso da sua cultura.

sábado, 29 de junho de 2019

O LADO MULHER DE MALANDRO DOS ELEITORES DO BOLSONARO

Já dizia o cancioneiro popular que "mulher de malandro, rapaz(!), apanha num dia, no outro quer mais".
Entre os eleitores do Bolsonaro, há aqueles que sufragaram seu nome em prol dos interesses pessoais, como os banqueiros, os latifundiários, os negociantes de previdência privada e fundos de pensão, os investidores do mercado financeiro, os megaempresários e outros da mesma camada.  Esses jamais poderíamos comparar a uma mulher de malandro: porque os dessa classe social são a esposa, casada por interesse, já que o marido zela pelo patrimônio da cônjuge e cuida de multiplicá-lo.    
A mulher de malandro é a parcela muito significativamente maior dos eleitores do "magnânimo e brilhante" discípulo do "mestre" Olavo de Carvalho, uma grupo que corresponde a no mínimo oitenta por cento dos que o elegeram, já que há menos de quinze por cento da população detendo noventa por cento da renda nacional.  Aquela maioria , assim como eu, não teve até o presente momento sequer um rascunho de notícia de o presidente ter feito o menor dos menores gestos, ou mesmo elaborado o mais tímido projeto, de gerar benefícios às classes trabalhadoras.  Muito pelo contrário, o "jesus" revelado pela "deidade" Edyr Macedo toca no Congresso a perversa reforma da previdenciária, pretendendo usurpar direitos de quem está no mercado de trabalho, além de pretender reduzir à metade o benefício de quem é atendido pela LOAS (Lei Orgânica da Assistência social), quer desvincular as aposentadoria do salário mínimo e praticar um sem-número de barbaridades contra quem já trabalha (ou trabalhou) muito e ganha(ou ganhou) pouco.
O que me assombra, porém, é que uma maioria muito grande dos inclusos nesse caso defende seu presidente com unhas e dentes, quase disposta a matar ou morrer por seu eleito, assim como uma mulher de malandro, prostituída e explorada pelo macho, constantemente menosprezada e agredida, sai em defesa do seu homem com porrete ou navalha em punho, sempre que alguém a ele faz críticas, enquanto o malandro não tem pela amante o menor apreço, cuidado ou sentimento.  
Já me levantaram a tese de que muita gente já estaria arrependida e no entanto a recusar-se permanentemente a dar o braço a torcer, e isso é uma característica da mulher do cafetão que nega-se a admitir aos seus críticos os defeitos do pelintra.  
A pobreza de conhecimentos e argumentos de tais pessoas leva-as a rebater a desaprovação dos atos do ídolo com os argumentos mais vazios de conteúdo, de realidade, de verdade, de sentido,  de inteligência.  Se você disser que o governante é um monstro para o meio-ambiente e para os animais, vão responder que tantos políticos do PT tanto roubaram que o país chegou à situação em que está, sem que entretanto tal resposta nada tenha a ver com a questão levantada.  Desviam o foco, partem para a ofensa pessoal, levantam a voz e são capazes de atos violentos para defender raciocínios que simplesmente não têm.
Coisas assim só explicam pelo fato de o presidente ser o espelho da sociedade, que é pouco brilhante de ideias e pensamento, além de antidemocrática, racista, homofóbica, fascistoide, agressiva,  antiecológica e cruel.

domingo, 16 de junho de 2019

BAIRRO PERIFÉRICO


O sol se pondo, a tarde morna,
os operários e suas mochilas.
Ladeiras, ruas, vilelas,
mulheres de curtos vestidos,
decotes protuberantes.

Crianças brincando em calçadas,
poema quente ao crepúsculo.
Os homens, mulheres chegando
e entrando em casas pequenas,
despindo as vestes suadas.

Vai caindo a noite, quase festiva.
Os homens apertam as mulheres,
e estas se dão, sequiosas.
Suor, o sêmen, os fluidos,
verão acendendo os desejos:
quão linda é a magia do sexo!

Conversas, os risos, as mesas,
a dança dos copos nos bares.
Tevês, novelas, notícias,
queixumes, atrito nas casas.

Existe a tensão n'alguns becos
onde homens suspeitos conversam
e quase nunca sorriem, 
e o bairro lhes é como um servo.

A Lua, redonda, bonita,
reluz sobre as casas e bares,
prateia os telhados e muros,
atiça a alegria da gente
e é um canto lotado de vida.


quinta-feira, 23 de maio de 2019


Tenho visto aposentados com discurso favorável à reforma da previdência: a miséria humana sempre me assombrou.

domingo, 19 de maio de 2019

Não vou dizer que Bolsonaro atrasou a mentalidade nacional em 50 anos porque brasileiro 
nunca deixou de pensar como há 80 anos; daí terem-no conduzido à Presidência. Nossos compatriotas nunca deixaram de ser racistas, antiecológicos, homofóbicos, antidemocráticos, falsos moralistas, reacionários e odientos; só tinham antes vergonha de confessar.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

A NOITE EM DUAS FACES

Vejo a noite da janela,
as mulheres caminhando
com seus trajes sedutores.

Eu, já velho, avisto a noite
como à lua tão distante.

Mas eu velho, mas que velho?
Que velhice que me assola?
Tenho pulsos, tenho anseios,
mas idade, não, jamais.

Quero a noite e seus pecados,
nessa noite me atirar.
Porém, sei que a noite é puta,
não a puta que eu respeito, 
por querer ganhar seu pão.

Não, a noite é meliante,
é rameira perigosa,
é sereia e é valquíria,
é uma ninfa tão mortal...

Mas que importa, se ela é ninfa?
Pois com ninfas já vivi.
E livrei-me todavia
do feitiço inebriante
com que as pérfidas satânicas
me enlaçaram nos seus braços.

Mas também a noite pode
ser doçura comovida,
se alguns olhos nos seus entram,
traduzindo acordes brandos
e o vulcão do coração.

Da janela fito a noite,
que é feroz e que é serena,
meretriz afeita ao crime,
que é uma amante apaixonada.

Ai, a noite e suas faces,
qual moeda para apostas.
Ganho ou perco nesse jogo?
Mas que noite a que me espera?

quarta-feira, 15 de maio de 2019

PAULO GUEDES, O "SUPERGÊNIO"

Quando Bolsonaro ainda estava em campanha, Paulo Guedes, entrevistado, enumerou uma série de coisas que Delfim Neto, Roberto Campos e outros economistas que geriram as finanças do País teriam errado por deixar de fazer.  O nosso atual ministro da Economia sabe de tudo, é o dono da verdade, o descobridor da pólvora, da roda e da pedra filosofal;  tem consigo a chave da felicidade e do sucesso.  Não é à toa que é tão aplaudido pelos banqueiros, megaempresários, políticos de extrema direita, donos de previdência privada (estes já babando e se mastrurbando pela iminência de aprovação da reforma previdenciária).  Cabral devê-lo-ia ter trazido em sua vasta e numerosa esquadra, pois o Brasil tem mazelas e mazelas desde quando os intrépidos navegadores lusitanos  cá colocaram os pés.
Roberto Campos, Delfim Neto e todos os outros gestores da economia nacional não fizeram mais do que o arrogante ministro vem fazendo e tentando: concentrar renda nas mãos dos ricos, empobrecer a classe média e miserabilizar os pobres.   Segue tão somente a maldita bula elaborada pelos grandes grupos e conglomerados financeiros do Brasil e do estrangeiro. Nada de novo há nas suas ideias perversas.  É, como todos os antecessores, um mero fiel seguidor do velho e óbvio script preparado pelo crudelíssimo poder econômico mundial..

sexta-feira, 10 de maio de 2019

POR QUE GOSTAMOS DOS ASSASSINOS DO CINEMA AMERICANO?



Por que os assassinos frios do cinema americano nos fascinam tanto?  
São facínoras com todas as letras, personagens capazes de matar ou mandar fazê-lo com a serenidade e tranquilidade de quem acende um isqueiro ou penteia os cabelos.   São frios, insensíveis, demoníacos, impiedosos, intrépidos, seguros, pragmáticos, racionais e determinados.  Por alguns desses atributos (ou todos)gostamos deles?
Um personagem como Hannibal Lecter, interpretado por Antony Hopkins em roteiro de David Mamet, Martha de Laurent e Thomas Harris, sob direção de Ridley Scott... um homem como o psiquiatra louco, ignóbil, canibal  vivido pelo veterano ator seria, na vida real,  de provocar repulsa, ódio, abominação, aversão, pavor.   Entretanto, por estar nos limites da ficção e ser dotado de grande talento, inteligência, ilustração e um refinamento britânico (o que é o caso do ator, nascido no País de Gales), conta com a nossa admiração e simpatia, nossa torcida por sucesso no embate  com seus inimigos.
O mesmo se dá com relação a Raymond Reddington, vivido por  James   Spader em "Lista Negra", roteiro de John Eisendrad e Jon Bokenkamp, direção diversificada conforme as temporadas.  Reddington é muito parecido com  Hannibal, igualmente brilhante embora não ligado às ciências, mas capaz de suplantar o médico em sarcasmo, além de ser expert em manobras políticas e criminosas.  Se há algum plágio, não caberá a mim verificar: gosto igualmente de ambos, sou fã de carteirinha do seriado, dos dois roteiros e dos dois assassinos, como dos dois atores, é claro.
Na vida cotidiana eu me mudaria da cidade onde pisasse Raymond, por me sentir ameçado e injuriado com a presença de matador tão frio.  Mas a ironia do criminoso  e a sua situação ficcional fazem-no a mim extremamente simpático e bom de ver em ação.
O terceiro assassino a que faço alusão é extremamente antigo: Michael Corleone, encarnado por Al Pacino na trilogia "O Poderoso Chefão"( 1972, 1974 e 1990), baseada na obra de Mario Puzzo e dirigida por Francis Ford Copolla.  Michael é, como os outros, igualmente frio, também brilhante nas articulações, mas de uma natureza austera, sucinto, instrospectivo, expressão fria e firme nas decisões.  Avaro nas palavras, às vezes ordena a morte com um leve gesto de cabeça ou um simples olhar. 
Se todos são criminosos, assassinos frios e sanguinários, por que gostamos deles?  Por estarem confinados na ficção e termos um instinto assassino latente que por intermédio deles exercemos de forma simbólica? Por sua inteligência e competência, seu sucesso e sua firmeza e coragem?  Ou por de algum modo virem acudir o nosso senso de justiça, já que, embora criminosos de causas longe de serem nobres,  sempre eliminam outros meliantes ainda menos desprovidos de caráter do que eles? Ou por tudo isso ao mesmo tempo?
Reddington ainda tem uma ética que, embora inabitual, é existente e consonante com os padrões mais comuns, e mata às vezes em defesa dessa ética. Enquanto os outros não têm compromisso com moral nenhuma. Mas no frigir dos ovos são todos  sociopatas: por que então os perdoamos?   Se eu visse alguém ser assassinado, levaria meses frquentando os consultórios psiquiátricos e os divãs, mas por que, como muitos outros espectadores, gosto de vê-los fazer justiça com as próprias mãos?   Abomino a violência, não tenho vísceras pra presenciá-la e, porém, gosto quando esses personagens infligem castigos aos seus desafetos.
Em conclusão, acho que os colocamos no mesmo altar dos policiais e heróis americanos, idolatramos mocinhos e bandidos que fazem justiça na ficção porque muito raramente a presenciamos na realidade.

BREVE MANIFESTAÇÃO DE UM MALDITO


Alguns dias atrás, fiz algumas declarações que pareceram antipáticas a algumas participantes do Facebook, e estas passaram o dia inteiro me desferindo ataques. Claro que foram todas devidamente bloqueadas. Dentre elas a que mais me chamou a atenção foi uma que disse que a partir dali seria difícil alguém me ler. Ué? Mas nunca fui lido mesmo, principalmente no Facebook. Não sei se elas sabiam, mas sempre vivi do meu trabalho e, hoje, da minha aposentadoria: escrevo por hábito e por gosto e, ao invés de ganhar, só fiz gastar dinheiro com impressoras, tintas, luz, xerocópias, pagamento de registro e vai por aí adiante. Tanto gastei, que resolvi fechar a mão e nada mais imprimir. Nos últimos cinco anos, acumulei mais de cento e cinquenta poemas em versos e alguns textos em prosa que ainda não cuidei de registrar... por preguiça mesmo -- já que o gasto não é alto. 

Nunca editei um livro e não vou jamais editar. Sou extremamente vaidoso, mas não vou gastar tanto com a vaidade de ter um livro impresso. Publicar sem ter verba para divulgar é altamente infrutífero. Meus escritos vão sempre pros blogues, ficarão eternamente nos blogues, e as citadas senhoras deveriam estar cientes de que encontro em minha vida três ou quatro prazeres maiores do que o de escrever: a questão é que o hábito vem dos meus quatorze anos, quando elaborei meu primeiro texto, daí não conseguir parar a atividade.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O ESFRANGALHAMENTO DO PENSAMENTO NO BRASIL

Quando tomei conhecimento da decisão do governo de extinguir do ensino público as faculdades de Filosofa e Sociologia, sob o argumento de que "a educação deve servir para ensinar leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa"... Quando fiquei ciente da resolução, entendi que o nosso capitão e  "professor de História", que descobriu em  Hitler um ferrenho marxista-leninista, do alto do seu pragmatismo inefável, acha que de nada vale o conhecimento.  O importante é ter uma profissão de nível médio ou básico.  O Brasil, de acordo com os desígnios do "mestre", dever-se-ia tornar um país operário... Xi!! Abafa!! País operário não é uma uma expressão que poderia soar como comunista?Eta! Palavrão aqui, não!  
Sua Excelência, na sua infinita sabedoria, sabe perfeitamente o que é bom para o País e para as classes trabalhadoras.  Até porque os trabalhadores o amam... ou então não tê-lo-iam ajudado a vencer as eleições com cinquenta e sete milhões de votos.  O que me preocupa, no entanto, é que num dado momento nosso socrático mandatário reflita e entenda que carreiras como Direito, Letras, História devam todas ir pro fundo do penico, junto com o pensamento e as ciências sociais. Nesse contexto, não é necessário ser brilhante pra entender que as artes devem ser abolidas de todos os currículos.  Afinal, para que servem  a música, a poesia, o romance, o conto, o cinema, a pintura, a escultura, se nada disso se converte em produto industrializado que possa ser consumido pelo deus mercado?  O mercado é tudo, o lucro está acima de todas as coisas, e o Brasil precisa unicamente de industriários e outros geradores de fortunas para as classes abastadas, essas, sim, merecedoras do conhecimento, do qual há muito já detêm o oligopólio, e que terão então mais facilidade para manipular as massas produtivas. Além do mais, se o povo quer entretenimento, que assista a uma boa parada militar diariamente e estará extasiado de tão feliz. 
É a desintegração e a cremação do pensamento, do conhecimento e da cultura  nacional.   Parabéns, Brasil!


https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-decreta-fim-das-faculdades-de-filosofia-e-sociologia-objetivo-e-focar-em-areas-que-gerem-retorno-imediato/

domingo, 21 de abril de 2019

PRECE DO POETA

Vem, meu verso, e faze meu poema encantado e tão bonito,
Que eu me torne um eterno emissário dos deuses comovidos
     [ a propalar ternuras pelos quatro cantos do Universo.
Faze que eu emocione o coração mais rijo e que meu verbo seja doce e leve
                                                      [ como brisa matutina.
Faze o meu escrito radiante e tão viçoso qual menina adolescente com seus
                                                       [ sonhos e desejos juvenis.
Faze que o lirismo torne a mim e os outros homens elevados e  cientes
                                       [ de que somos unos com o cosmo.
Torna então meu canto o elemento que aos humanos faça entregues aos mais
                                                  [ altos sentimentos,
Ao pensar profundo que nos leve à visão mais cristalina sobre as coisas.
Faze enfim, meu verso, ser a poesia o ponto onde se encontre o físico e o
                                          [ controverso metafísico
E, mais, que descubramos a completa unicidade entre os dois.

2011
Se houvesse socialismo, eu seria socialista.  Se houvesse anarquismo, eu seria anarquista. Infelizmente, porém, não me é possível preconizar utopias.  

DAS PROSTITUTAS E O MEU RESPEITO

Tenho um profundo respeito pelas prostitutas, em cuja profissão  nada há de desonroso: uma prostituta recebe seu pagamento e se entrega às vezes com repulsa e um sacrifício desmedido do próprio bem-estar.   Enquanto um detentor de autoridade corrupto -- esse sim uma prostituta de grande sordidez, um excremento altamente nocivo --,  sempre quando se prostitui, recebe com escárnio o suborno e sem o menor pudor entrega a vida de milhões aos martírios mais variados.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

RÁDIO BESTEIROL, EZEQUIAS NEIRA E O PROGRAMA "QUE SEJA AMOR"

A "Rádio Besteirol" apresenta, para o orgasmo múltiplo de sua alma, mais um programa "Que se-ja aa-mor"!.  O amor da mídia à mentira, o amor dos mandachuvas atuais a dizer tolices... Mas que seja aa-mor!  Este programa, com Ezequias Neira, seu amigo de todas as horas,  tem o patrocínio do desodorante íntimo "Xaxado", aquele que enlouquece até o cabra menos chegado, e  das calcinhas transparentes "Serejo", ideais para usar no funk ou sertanejo.
Leio agora o e-mail da Marilea Figueira, de Austin, que diz:
"Querido Ezequias, não sei o que me acontece, mas tenho um furor uterino danado: quando danço nos bailes funk, e os 'tigrão começa' a me instigar, dá um fogo assim tão desesperado, que nem peço pra eles 'fazer' fila: me embolo com cinco, seis de uma vez só!  Haja b... " Rrrram, rrrram! Aqui não me é permitido reproduzir o que a moça diz no e-mail... Mas sigamos lendo com os devidos cortes: "Você não imagina, querido, como chego em casa: sou obrigada a ficar toda arreg..." rrrram-rram!..." e a colocar gelo no ..."rrram, rrram!" e na ..."rrram, rram!" e ainda  ficar com tudo bem em frente ao ventilador.  Você acha, meu querido Ezequias, que estou exagerando?"
Querida Marilea, quem sou eu para julgar se exagera ou não nessa fúria de se dar?  Nada me cabe senão sugerir a você que providencie o mais rápido possível um ar-condicionado para ajudar nesse seu trabalho de.. digamos, arrefecimento da queimação. No mais só posso parabenizá-la, amada ouvinte, por ter tanto amor... e mais muita coisa, é lógico, para dar. Porque antes e acima de tudo, que seja amor!  Que seja aa-mor!
O Alcinésio Carapinha, do Rio  Comprido, nos escreve contando que só consegue fazer amor ouvindo sertanejo, mas o sertanejo tem de ser bem brega e bem alto.  Diz que adora aquela música que diz que alguém "beijou a boca errada, a certa é do outro lado".  Parabéns, amigo Alcinésio!  Embora a canção lembre uma cópula entre um casal de minhocas, é linda, linda mesmo de se ouvir! Pois manifesta amor. Amor! Que seja aa-mor!
Agora, queridos ouvintes , se me permitem, recito, como sempre, um poema de minha autoria.

DANADINHA AMADA

Ah, morena tão bonita,
dos duzentos namorados,
ao te dares na guarita,
ao soldado enamorado,

eu espero, paciente,
que ao menino satisfaças,
pra depois tocar, demente,
essas partes que tu assas.

Como eu amo a ti, princesa,
muito embora tu, menina,
dês do corpo essas belezas
pros sujeitos lá da esquina.

Este amor, moça, me dói,
pois bem sei, não correspondes:
Se te avisto, quão corrói,
Ver que co'outro tu te escondes.

Mas te amar me é colorido,
é tão belo, é pueril,
mas confesso, o dolorido
é tomar benzetacil.

A Marinalva de Nova Brasília conta que está apaixonada por um funcionário de uma fábrica de gelo... e fica toda arrepiada quando abre a geladeira da própria casa.  Querida Marinalva ?  Uma coisa seria sugerir como apagar seu fogo. Mas e para apagar seu frio?  Contudo, querida, que seja amor!
O Marinaldo Godinho, de Bangu, diz que em 2005, quando viu "Casablanca", apaixonou-se pela Ingrid Bergman, que morreu já idosa nos anos 1980. Marinaldo, fique tranquilo: você um dia também vai morrer...e quem sabe encontrará sua amada?  O importante é ser amor. Que seja aa-mor!
Até a próxima edição, meus amigos. E que seja amor!  que seja aa-mor!




domingo, 23 de dezembro de 2018

SE EU TIVESSE ACESSO AOS DIRIGENTES (BRASILEIROS E ESTRANGEIROS) DE TODA A INDÚSTRIA DE ENTRETENIMENTO QUE OPERA NO BRASIL, DIRIA-LHES QUE O YOUTUBE ENTRETÉM UM TRILHÃO DE VEZES MAIS DO QUE AS TVS ABERTA E FECHADA E A NETFLIX JUNTAS.  FICA AQUI A MINHA OBSERVAÇÃO E O MEU PROTESTO.

JOÃO DE DEUS COLOCOU O ESPIRITISMO EM XEQUE

O caso João de Deus suscita (ou ressuscita) as  antigas dúvidas e descrenças acerca  das chamadas curas espirituais realizadas em centros espíritas, igrejas e outros lugares onde supostamente operam-se "milagres" de todo ou quase todo gênero.   Propagadas largamente pela  mídia, que na falta de matéria sempre as explora,  essas obras fantásticas e questionáveis foram ao longo das décadas impressionando e enchendo de interesse e esperanças o grande público, que ficava a se perguntar se era possível haver entre o céu e a terra muito mais do que o sonhado pela vã filosofia.  Divulgações desse tipo levaram legiões de doentes e desenganados aos cuidados de "médiuns", "reveladores divinos" e outros supostos operadores de façanhas que vão além do entendimento humano e do que acreditam as ciências. 
Meu ceticismo não decorre da desinformação ou da pura e simples intransigência de quem não quer crer de forma alguma.  Estive nesses meus  seis decênios de vida em igrejas, centros de espiritismo africano e casas espíritas kardecistas, racionalistas  e esotéricas,  observando e analisando filosofias, sermões, pregações, palestras... e assim cristalizei minha visão sobre  as religiões.  Logo a princípio descartei qualquer possiblidade, por mais que fosse remota, de adotar o catoliocismo ou o protestantismo, por sua raiz comum cercada de mitologia, impossibilidades e preconceitos e relatos descabidos.  No mesmo patamar de incredibilidade  coloco as religiões africanas.  No kardecismo vi muitas lacunas e influências católicas (não creio em evangelhos, e os kardecistas teimam em seguir uma interpretação própria do que escreveram  Mateus, Lucas, João e Marcos), no Racionalismo Cristão muitas respostas faltaram, e o esoterismo me pareceu muito permeado de crenças absurdas.
Contudo, a divulgação (ou criação midiática ou mística) de sucessos em tratamentos espirituais de doenças graves me chamou muito seriamente a atenção: aqueles relatos de as pessoas livrarem-se de cânceres e outras doenças mortais  a partir de tratamentos espirituais me fizeram refletir muito. 
Não creio definitivamente em Deus, mas Deus e espiritualidade são duas coisas inteirametne distintas e independentes, ou seja, Deus poderia existir e não haver  vida após a morte nem qualquer outro espírito, os espíritos poderiam existir, mas Deus, não.  Assim eu poderia ser ateu mas espiritualista.  João de Deus, entretanto, joga qualquer embrião de crença, qualquer boa-vontade, qualquer análise... joga tudo, tudo por terra!  Colocou em xeque o próprio espiritismo.  Porque, se levarmos em conta o que propalam os palestrantes, entidades de luz e de  infinita bondade e pureza atuariam utilizando como canais os médiuns e praticariaqm as curas a curto, médio ou longo prazo.  Para o fenômento acontecer, no entanto, far-se-ia mister que o médium também estivesse com pensamentos puros, bons e fosse de ótima índole e boa-fé.  em moutras palavras, em perfeita sintonia com tais espíritos.
Deste modo, as tão publicadas curas, se realmente houve alguma, só podem ser atribuídas a algo que poderíamos entender como poder mental ou auto-sugestão do paciente: uma fé inabalável e uma infinita crença na possibilidade de curar-se.  Li aos quinze anos "O Domínio de si Mesmo pela Auto-Sugestão", de Émile Coué https://www.jrmcoaching.com.br/blog/o-poder-da-sugestao-as-3-leis-de-emile-coue/     https://citacoes.in/autores/emile-coue/ 
http://www.psicanalise.psc.br/coue.htm , obra em que o autor defendia  ser possível que um ser humano livre-se de alguns males através do pensamento de cura, mas não sei se a seu ver isso se aplicaria a doenças graves como câncer, Aids e outras bastante devastadoras.
Enfim, embora não possa negar ou afirmar peremptoriamente a existência ou inexistência de vida além da matéria, acho muito pouco provável que haja no Universo algo além do que captam os cinco sentidos.  A única certeza  que tenho é  que todos esses milagreiros dos centros espíritas, das igrejas, de sei lá mais onde... que esses milagreiros demandam cadeia ou, na melhor das hipóteses, tratamento psiquiátrico.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

ELEITOR NÃO PODE SER PASSIONAL

As pessoas deveriam ser pragmáticas e voltar os olhos para o Congresso Nacional, que é o que vai endossar ou não os desmandos do futuro-presidente da República.  Há políticos e partidos que são essencialmente venais e concordam com tudo o que o poder central proponha, em troca de vantagens que este lhes ofereça.  Esses políticos e agremiações acabam por ter mais peso na vida nacional do que o próprio chefe do Governo, pois decidem o que acontece ou não no País: por isso devem ser banidos da vida pública.
Esbugalhem os olhos na direção dos parlamentares e deixem de fanatismos: cultuar Bolsonaro ou Lula como verdadeiros deuses de carne e osso nada constrói.  Muito pelo contrário, o fanatismo sempre destruiu: foi  o responsável pela ascensão de Hitler, a Segunda Guerra Mundial, a morte de mais de seis milhões de judeus e mais de vinte e sete milhões de soldados e civis. Fez florescer no Irã o regime dos aytolás e causou a morte de homossexuais e dos avessos a estes líderes políticos travestidos de sumos religiosos.  Deu vida ao stalinismo, que nada teve de socialista ou comunista e só reprimiu, condenou a trabalhos forçados  e matou os opositores de Stálin nos campos de concentração soviéticos. Levou mais de novecentas pessoas ao suicídio coletivo em obediência a um pedido de um louco como Jim Jones.   O fanatismo leva à guerra fratricida, à divisão entre a população e ao fortalecimento dos tiranos.
Por favor, concentrem  sua atenção nos deputados e senadores: eles que decidem se vai haver ou como vai ser a maldita reforma da previdência, quanto você vai ganhar de salário e o tanto que vai pagar de impostos.  Vão determinar se você ou seus filhos terão acesso à saúde, educação, habitação, segurança e outros direitos sagrados de qualquer cidadão.  Se votarem em parlamentares e partidos honestos, o presidente da República, por mais que seja mal-intencionado, jamais conseguirá implantar um regime autoritário e massacrar as classes pobres e trabalhadoras, a classe média e o povo de um modo geral.

sábado, 14 de julho de 2018

VOU-ME EMBORA

Não, não fico, parto, vou-me embora.
Abandono o amor perverso e sem recíproca.
Não, não levo uma viola, pois não toco,
Mas solfejo no caminho as melodias mais bonitas
E murmuro os versos que a mim sempre comoveram.

Vou pr'um canto onde os dias sejam frescos
E o sol toque de leve as paredes desbotadas.
Um recanto calmo e  de pura e singela poesia,
Onde seja muito mais brilhante a estrela D'Alva.

Vou-me embora e despido deitarei sob uma sombra
pr'uma fêmea eventual me abusar inteiramente
E transpormos os limites existentes do pudor.

Cuidarei que seja em mim eterna a juventude
Que os decênios, fios brancos, rugas, desencantos,
Que as vivências e que as dores, nada pôde destruir.

Vou-me embora pr'um lugar bonito e simples
Onde a paz despeje em mim sua brandura
E as narinas sintam os cheiros bons das frutas e do amor.


sábado, 26 de maio de 2018

Não podemos nos deixar iludir pelos candidatos às eleições deste ano.  Em campanha, sempre são contra tudo o que é ruim, injusto e sórdido.  Mas, quando eleitos, são contra tudo o que é justo, bom e digno.

NÓS, OS MALUCOS BELEZA DE JACAREPAGUÁ

Os personagens, histórias e situações são todas reais, apenas os nomes são fictícios.
Conheci a Ângela num boteco da Estrada de  Jacarepaguá, de uma forma meio adversa. Era professora de história, uma mulher branca, meio gorda e masculinizada,  tez avermelhada, descendente de alemães. Era 1990, dia do jogo Brasil X Argentina,  em que perdemos por um  a zero.  Eu passara a tarde assistindo ao evento esportivo, certo de que o Brasil venceria de goleada, mas o priomeiro gol não saía; não saía e acabamos tomando ao final do jogo.  Terminada a partida, desci, entrei no bar e pedi uma cerveja. Os comentários não podiam ser outros senão o jogo, e eu tive a infelicidade de dizer que torceria pela Argentina na final.  Foi quando a Ângela, que nem sequer me vira antes, retrucou com veemência: 
--Pela Argentina não torço!  Meu pai foi adido comercial lá... -- depois baixou a cabeça e resmungou  sem nenhum cuidado para que eu não ouvisse: "Idiota!"
Alguns dias depois, entretanto, acabamos  conversando amenidades e o momento político.  Foi quando passou a simpatizar comigo:  ambos éramos radicalmente contra o governo Collor e acreditávamos que existia socialismo; assim, éramos de esquerda.   Comunhão de pensamentos à parte, numa outra oprtunidade ela me soltou um outro "idiota". Juro que numa terceira vez eu acabaria por me acostumar.
O nosso grupo tinha o Maurício, um jovem músico recém-formado, também simpatizante do socialismo e que, além de ser um etilista respeitável, um dia me exibiu o dedo inchado e disse que conseguira aquela proeza cheirando cocaína.  Como aquilo sucedera eu não me lembro, não sei se por ter sido afetado de esquecimento pós-alcoólico ou se por ele não ter explicado nada simplesmente.  Noutra ocasião apareceu com um braço  na tala e tipóia, e me contou:
--Foi num condomínio lá da rua Ituverava...
--O que foi que aconteceu? -- perguntei.
--Tinha ido tomar umas cervejas e, no caminho de casa, deu vontade e eu quis dar uma mijada em frente ao condomínio.  Apareceu um "gorila branco", que fazia a segurança por lá e disse pra eu não fazer. Eu respondi: "Meu amigo, a rua é pública", e comecei a mijar.  O cara me arrebentou na porrada: era um gorila, gorila mesmo!
Uma vez convidei a Ângela pra jantar em minha casa, com minha primeira mulher e minhas filhas, que ainda eram pequenas.  Foi feita uma peixada, e ela já chegou embriagada e roubando um pedaço de posta do prato de uma das minhas meninas.  Depois de as crianças dormirem, propôs que eu a ex-esposa fumássemos maconha no apartamento, junto com ela. Nunca fomos de drogas, não topamos.  Passados alguns minutos,  a mulher foi ao banheiro, saiu e, de volta para a sala, remexeu-se um pouco e deixou que lhe caísse a bermuda de cadarço, ficando de blusa e calcinha (por sinal um calçolão).  Era uma visão aterrorizante. Felizmente ela nao tardou a se recompor.
Contou que num colégio onde dera aulas dissera:
--Consta que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil...
Motivo pelo qual foi advertida pela diretoria:
--Você não pode dizer isso aos alunos.
Em aula seguinte repetiu a dose. Foi demitida.
Ainda contou -- não sei se mentindo ou dizendo a verdade -- ter na juventude sido mulher do Manfredo Colasanti, de haver passado uma noite inteira com o Lupecínio Rodrigues, de haver morado com alguns artistas bem baderneiros e dividir com eles o repúdio e a antipatia dos vizinhos.
Naquele período entretanto vivia com um mecânico beberrão e brigão, que odiava, à minha exceção, todos os amigos da mulher que moravam no bairro, pelo fato de eles sempre dividirem drogas com ela.
Uma vez um desses amigos, numa roda de cinco ou seis, perguntou se eu toparia um dia dar uns tecos, fazer sexo grupal e exercer atividades bissexuais.  Respondi que tinha medo de usar drogas pelo risco de prisão e de ficar dependente e  que, quanto à atividade bissexual, embora não me posissionasse contra, não tinha curiosidade nem interesse em praticá-la.
--Se é cético, já é um bom caminho. -- replicou ele com o apoio da Ângela.
Lá pelas duas da madrugada, quando este estava em outro bar, sentado com dois outros rapazes, resolvi, já bêbado feito um indigente doidão, fazer uma gozação com ele:
--Olhem, meus amigos, procurem não ir embora pra casa, não, porque depois vou distribuir "brioco" pra todo mundo.
Os dois riram sem entender nada, o que propusera também riu, mas um riso amarelo e extremamente sem graça.  Naqueles dias as pessoas tinham vergonha de assumir a homossexualidade.    Saí dali e fui perturbar outro.  
Havia na Freguesia bares inteligentes.  Salvo a Ângela, que tinha exatos cinquenta anos, éramos todos jovens e politicamenre embasados como a mulher. Eu era talvez o menos louco. Mas todos tínhamos responsabilidade política e social. Nós versávamos sobre diversos assuntos.  Gostávamos de bons filmes, de músicas de boa qualidade, interessávamos-nos pela história do Brasil e do mundo, pela política nacional e internacional, pelos personagens que marcaram a vida do planeta.  Nossa mesa de bar era rica em assuntos. 
Não votávamos em ninguém por ser jogador de futebol, galã, palhaço, apresentador de tevê.  Tínhamos aversão ao que chamávamos de direita, não achávamos bonito desempregar legiões de pais de família.  Não nos passaria pela mente nada parecido com reforma trabalhista, previdenciária ou  qualquer outra que servisse de instrumento para agredir  quase uma sociedade inteira.  Não comíamos estrume pelos olhos e ouvidos, pois não acreditávamos na grande imprensa nem nos formadores de opinião da mídia.  Repelíamos com intensidade a tecnocracia, por sua total e absoluta carência de humanismo.
Havia por ali também gente reacionária, mas que a era por ignorância, estupidez,  não levada a sério pelos esclarecidos, dentre os últimos o Célio, um "marchand" que, progressista, pregava no deserto suas ideias, ante o silêncio dos imbecis, que não o questionavam por puxassaquismo, já que esse ostentava boa posição social.  Uma vez ele disse, com muita propriedade, que "o Brasil é um país bom pra se roubar, não pra se ganhar dinheiro".  Os calhordas que não o retorquiam ficavam a ponto de querer me linchar quando eu defendia pensamento igual ao daquele homem.  A grande parte deles já deve ter ido para o Inferno.  Infelizmente a Ângela e o marido podem não estar mais vivos, e o "marchand" estará, se não  morreu, estar pelos setenta e poucos anos.
Dizíamos não,  tínhamos convicções firmes, e acho que, assim como eu, todos viram ao longo de todos esses anos os bares tornaram-se pobres de ideias, plenos de alienação e emburrecerem. Vimos a alienação crescer, encorpar-se, o futebol ser a prioridade absoluta de uma nação.  Vemos uma sociedade assistir aos desmandos de políticos inescrupulosos  sem um protesto sequer,  de uma forma lamentavelmente bovina.





segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O CAOS DA CULTURA NACIONAL

Houve um sábado em que tomei coragem e assisti ao “Altas Horas”, com Serginho Groismann, que ali teve a desfaçatez (que aliás tem quase todo santo sábado) de exibir ao grande público alguns entre os mais consagrados expoentes da breguice, do mau-gosto e do bizarro que hoje grassam na cultura nacional.

Imagine que tínhamos naquele dia, entre outros culturicidas, Nego do Borel, que além de tentar cantar, relatava num requinte pavoroso de crueldade que já fizera um dueto com Wesley Safadão. Nossa mãe!!!! Sabe o que é um dueto de Nego do Borel com Wesley Safadão?! É um atentado cruel e sanguinolento ao bom-gosto, de deixar qualquer criatura dotada do menor bom-senso estarrecida e deprimida, saturada da vida e desgostosa do mundo.

Como não bastassem Nego do Borel e outros da mesma má qualidade, o apresentador ainda teve a coragem de convidar o Pablo Vitar, eleito pela Globo “a revelação do ano de 2017”. Puxa! Já revelamos coisas muito melhores. Antigamente nosso artista do sexo masculino que cantava com voz feminina era o Ney Matogrosso, de canto  bonito e expressão infinita, dotado de uma técnica de cantar perfeita. Depois do Ney, surgiu o Edson Cordeiro, um fenômeno capaz de executar barítono, tenor, contralto, soprano, numa maestria singular. Pena que este tenha desaparecido do cenário nacional: é assim a cultura brasileira de hoje, que renega os bons. Se Matogrosso e Cordeiro são dois antigos e potenciais talentos, esse Pablo é lamentável como artista.

Numa vã tentativa de assemelhar-se a uma mulher, a atual “revelação”, com cabelos compridos, vestido curto e falando e cantando em falsete, mais parece um participante perdido e desgarrado dos blocos das “piranhas” do Carnaval. A voz é feia, frágil, irritante, rachada,  e o cantor não tem técnica nem competência para usar o que já não é nada bom. Um pseudotalento criado pela mídia, sem nada que possa lastrear o rótulo que lhe dão.

A área cultural no Brasil de hoje é isso. O declínio foi grande, houve um quase aniquilamento da nossa cultura. Copacabana fechava os finais de ano com apresentações de Tom Jobim com Mílton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso. Hoje os sertanOjos (como diz Rita Lee), funkeiros, pagodeiros, cantores de axé é que dominam a MPB, tão esfrangalhada e aviltada pelas gravadoras, pelos intérpretes e compositores e pelo mau gosto popular.

Caímos da poesia de Belchior pro ridículo nada-dizer do Michel Teló, de Jessé pra Luan Santana, de Gal Costa pra Anita, de Bethânia pra Valeska Popozuda, de Tim Maia pros Mc's. Uma verdadeira degradação artístico-cultural. O caos da cultura. Caos este que não é mais que um dos reflexos e uma das facetas  do deplorável caos social, moral e político que hoje o Brasil vive e do qual imagino que infelizmente jamais irá se libertar.



sábado, 18 de novembro de 2017

NÃO SEI SE DEVO FICAR APREENSIVO OU MORRER DE RIR, MAS FICO IMPRESSIONADO COM O FATO DE QUE MINHAS POSTAGENS NOS BLOGS TÊM MUITO MAIS PÚBLICO NOS ESTADOS UNIDOS E CANADÁ DO QUE NO BRASIL(ONDE HÁ APENAS UNS TRINTA POR CENTO DAS VISUALIZAÇÕES). ISTO NÃO QUER DIZER QUE EU ESTEJA FICANDO INTERNACIONALMENTE FAMOSO, MAS QUE NESTES PAÍSES HÁ UMA LEGIÃO DE INVESTIGADORES IDIOTAS ACHANDO QUE EU POSSA SER UM TERRORISTA OU COISA ASSIM. VIRAM? O INSPETOR CLOUSEAU EXISTE.

sábado, 14 de outubro de 2017

DEFESA ABSURDA!

Só a Globo e certos artistas seriam capazes de defender a exposição do Santander, em que eram expostos quadros com cenas de pedofilia e zoofilia. Lamento profundamente que coisas tão aberrantes, cruéis e bestiais tenham sido defendidas por gente que forma opinião. Pode-se através da arte fazer proselitismo da torpeza, da crueldade, da impiedade, do inaceitável? É válido que ela, a arte, preconize o neonazismo, a violência, a tortura, a perversidade? Felizmente a desastrada instituição bancária que patrocinou e promoveu o evento teve o bom-senso (tardio, é claro) de cancelar a exposição. Quanto aos artistas que se manifestaram a favor da apresentação, só me resta expressar meu mais profundo repúdio e indignação. Agora, por fim, quanto à Globo, não há mais palavras para defini-la e qualificá-la, não só por este episódio, mas por ser absolutamente indigna de credibilidade, dado tudo o que fez e faz ao longo de sua história.

domingo, 8 de outubro de 2017

DAS LICENÇAS POÉTICAS

Às vezes (ou muitas vezes) publico com licenças poéticas acidentais: reviso, reviso o texto e não vejo que repeti a expressão às vezes mais de uma vez. Mas em geral não retifico: fica como licença e pronto! Que me perdoem os amigos leitores e escritores, mas abuso desta liberdade (licença poética) que temos.

BUSCA AO IRREAL


Vida, traga a mim as esperanças
Ou bem  menos, por favor: uma utopia.
Ou seria a utopia maior do que a esperança?
Mas é claro, vida, que é maior uma utopia(!),
Se ela é livre das amarras da verdade,
Que desola, martiriza e aniquila as  criaturas.

Quem me dera, dera mesmo a fantasia,
Que tem asas e que voa sem limites,
Por estrelas, por delícias, ribeirões e paraísos,
Não conhece bom-senso, juízo nem razão.

Mas, meus dias, por demais contentaria
Crer que um dia os perversos, os que usurpam e os que oprimem 
Muito caro pagassem os pecados cometidos
E que a injustiça humana, que é infalível,
Sucumbisse sob os pés  da justiça verdadeira,
Que viria de um Deus justo ou bons espíritos.

Ah, se o Universo nos desse uma outra vida
E reparasse a todo ser o mal sofrido 
Neste mundo de maldades e tragédias...

Vida, traga a mim uma utopia, fantasia, uma loucura,
Porque, mundo, a realidade nos indigna, nos dói demais.