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quinta-feira, 20 de março de 2025

A ASSUSTADORA E REPULSIVA PROFUSÃO DE DIREITISTAS

 O bolsonarismo e o trumpismo, sinônimos de fascismo, decorrem, assim como na ideologia de centro-direita, de crueldade e maucaratismo nas camadas socialmente mais altas e, nas mais baixas, de tudo isso junto e somado à burrice e ignorância mais absoluta.  

A quantidade de direitistas nos EUA já está banalizada por sua própria tradição histórica, porque o cruel neoliberalismo está arraigado ao perfil da gritante maioria daquele povo ensinado a abominar a mais tímida modalidade de distribuição de renda desde a mais remota infância... mas no Brasil, por ser o país onde vivo, me indigna, causa repulsa e assusta.  Parece que nós, progressistas, coexistimos com uma profusão de demônios fétidos vindos dos mais imundos esgotos, todos ávidos de tirania, de caos social e de sangue, sonhando sádica e ardorosamente com o ressurgimento dos porões da ditadura com as mais lancinantes torturas e os gritos mais pejados de sofrimento e agonia que só a mais pavorosa perversidade pode produzir.


segunda-feira, 17 de março de 2025

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Hoje a grandiosa, linda, magnífica, brilhante e talentosa Elis Regina faria 80 anos.
Quanta saudade!

17 de março de 2025



 

sábado, 8 de março de 2025

NAS ANDANÇAS DO PODER: SEXTA PARTE: "A REUNIÃO"

 O deputado Breno Tomasini acordou com a insistência  toque do celular, esfregou aas mãos nos olhos,  olhou o identificador do aparelho e apressou-se em atender:

--Fala Marcondes! Como é que tão as coisas?

Do outro lado, num tom arrogante, o outro, um chefe miliciano de peso, devolveu:

--Você é quem deve saber.  Há dias que tá circulando na imprensa essa história de união das polícias no combate às organizações.  O que é que vai acontecer? Vamos acabar todos trancafiados?

--Calma, amigo!  Você viu que tem um bocado de gente contra:  governadores, congressistas, porque isso vai encher muito a bola do governo federal, e a última coisa que a gente quer é esse cara que tá aí reeleito... ou qualquer um de fora da direita, claro! Eu, de minha parte, vou fazer muito lobby contrário na Câmara.  

--Eu também vi isso no noticiário, mas esperei uma informação tua.  Essa sacanagem não pode passar.

--Passar!!!??? - gargalhou Bruno -- Pode crer que isso não vai ser nem votado!  Não vai sequer ser enviado a nenhuma comissão.

-- Um descalabro isso!!!! Afinal de contas, nós somos poder com grande capacidade de ação e importância, e temos de quer ser respeitados como tal.

--Lógico, amigo!  O governo não tem força no Congresso pra atingir a gente.

-- Isso é verdade...

--Agora tem uma coisa! -- o deputado agora fala de um modo mais austero -- Tenho pensado muito e visto que o momento é de diálogo.  Diálogo e união.  Tem que haver pelo menos uma trégua com o tráfico.

O miliciano fica em silêncio por alguns momentos e a seguir concorda:

--Já tem alguns grupos  nossos conversando com os caras. Não são todos, mas  acho que isso é válido, é construtivo...

--Inclusive amplia o leque de opções da organização...

--Pois é, pois é! Em alguns casos isso tem acontecido.  Tenho conversado com o Rogério, que fazia a segurança do Adriano Ferraz, que não se reelegeu e agora deixou ele fora do serviço público, mas o cara é ruim de conversa demais...

--Para de falar com ele, ora! Marcondes, passa a falar agora com o Edvaldo, que é o chefe dele  e é mais fácil de negociar.  O Rogério é cabeça-dura: nem sei por que o Edvaldo confia tanto nele: vai acabar se metendo numa fria por causa da incapacidade do outro.

--Boa ideia, Bruno!

--Olha, Marcondes!   O Edvaldo também é carne-de-pescoço.  É radical, meio teimoso, mas tem uma pessoa que tem que mediar a conversa entre vocês.

--Quem? -- quis saber Marcondes.

--O Mateus, o pastor, porque tem muito prestígio com o Edvaldo, já que a igreja dele deixa a grana do sujeito limpinha...  Tem um puta trânsito com ele!

--Isso é muito bom, parceiro.  Vou dar até um pulinho na igreja daqui a pouco. vou ter uma conversa com ele.  Como eu já disse, não tenho preconceito.  Se tem que negociar com os caras, a gente negocia.  Se alguns companheiros de outras áreas já fizeram acordo, por que meu grupo não?

--Isso aí, Marcondes!

 --O importante é a gente permanecer fortes.

E a reunião se deu uma semana depois, num clube que as partes fecharam exclusivamente para ela,  num cenário cheio de seguranças armados de ambos os lados, com a presença do pastor e de alguns líderes do tráfico e da milícia.  Rogério tentou fazer algumas objeções, mas Edvaldo não lhe deu ouvidos. 

--Essa união já acontece em algumas regiões, não todas, mas em algumas, mas eu acho que no momento é o melhor.

--A proposta do governo federal -- observou Marcondes -- pode nos deixar meio em xeque...

--Não! -- atalhou Edvaldo --  "Nós tem" parceiro em tudo que é canto, e acho difícil uma coisa dessa ir pra frente.  "Nós tem" que se unir é pra ficar mais forte, não por causa disso.

--Mas tem uma putada na política -- insistiu o miliciano -- que é osso duro de roer: é essa esquerda filha da puta!  Eles são capazes de fazer uma ´pressão fodida...

--Cá pra nós, "cumpádi".  Tu sabe que essa esquerda tá sem força nenhuma, tem pouca gente dela na política no geral e não é ameaça pra ninguém.

--Olhando por aí você tem razão -- aceitou o chefe da milícia.

Edvaldo ergueu e levantou a mão direita:

--"Nós sela" aqui um acordo de cooperação e lealdade, e ninguém invade o território de ninguém, e trabalhamos juntos ali, ombro a ombro, todos pelo bem-estar de todos.

Várias mãos se juntaram naquele gesto simbólico, e o pastor Mateus postou  a sua sobre elas e vociferou:

--Com a bênção de Jesus Cristo, nosso Senhor!

--Amém!!! -- secundaram as outras vozes.


domingo, 23 de fevereiro de 2025

A MÚSICA E A RUA

 A rua, essa gente

que segue, que passa

pr'um lado, outro lado,

meus fones de ouvido: 

que música linda!


A gente, esse tráfego,

os carros, o asfalto, 

as motos ruidosas

quebrando a canção

tão doce de ouvir.


Alguém que pragueja

o que nem imagino;

mas nem me interesso:

que notas sublimes!

Nasceram no Céu?


A gente passando,

os carros parando

diante dos olhos

cansados de carros,

cansados de gente.


As cores mais várias,

pessoas aos montes,

sorrisos, conversas...

Cantiga tão linda

que quase chorei.


domingo, 16 de fevereiro de 2025

DIAS GOMES, O TITÃ DA CRIAÇÃO

 Um  homem, tentando pagar uma promessa (pela sobrevivência de seu burro a uma hemorragia), carrega uma cruz com o fito de colocá-la no altar de uma igreja, empreitada na qual não conta com o consentimento do padre da paróquia, e isso gera publicidade à sua história, fazendo que a imprensa, ávida de matérias e de sensacionalismo, o entreviste e, por seu relato de ter doado parte de suas terras a outros lavradores, sem arrependimento,   declare-o favorável à reforma agrária, ao mesmo tempo em que um gigolô e ex-policial com alcunha de Bonitão (Sill Farney), interessado em sua mulher(Glória Menezes), "delata-o" aos ex-colegas da polícia como comunista arrastando o  objeto como forma de protesto.   Zé do Burro (Leonardo Villar), o protagonista de "O Pagador de Promessa", peça anedótica  de  profunda dramaticidade de Dias Gomes, sofre gravíssimas consequências decorrentes da calúnia do gigolô e da mídia despudorada.

Outro grande momento da genial obra do autor é "O Bem-Amado", em que Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), um político sem caráter nem projeto da imaginária  cidade de Sucupira, na Bahia,  candidata-se a prefeito, prometendo aos habitantes do município um cemitério próprio (já que enterravam seus mortos na cidade vizinha, em longas caminhadas com seus defuntos na rede).  Vencendo a eleição, constrói o sepulcrário, mas começa a partir daí a sofrer um imenso  desgaste por ter gasto uma verba significativa numa construção que mostrou-se inútil, porque não conseguia inaugurar o cemitério de modo algum, já que ninguém morria após a conclusão da obra.

Numa outra diferente ocasião da vasta e genial criação de Dias Gomes, um novo drama anedótico conta a história de "Roque Santeiro", personagem-título de uma telenovela (José Wilker),  um jovem que confeccionava estátuas de santos e, num certa oportunidade de periculosidade  em Asa Branca, também cidade fictícia da Bahia, uma quadrilha domina e ameaça a cidade, e Roque, ao fazer-se portador do resgate que Sinhozinho Malta (Lima Duarte), pecuarista e chefe político da região,  pagaria a Navalhada (Osvaldo Loureiro) e seus comparsas, acaba por cair em tentação e se apropria do dinheiro e mais, leva consigo também o ostensório da igreja e foge.  Um corpo encontrado na beira de um rio é identificado equivocadamente como o cadáver de Roque, que acharam que teria enfrentado o bando até ser assassinado, e posteriormente virado santo, operando uma infinidade de milagres.

A partir daí, a cidade passa a desenvolver-se, com a implantação de comércio, indústria, hospedagens, boate e outros elementos de progresso, por conta da frequente ida de romarias e fiéis a Asa Branca para pagamento de promessas e louvores ao suposto santo.  O município passou a ter a sua economia quase totalmente sustentada pelo turismo e pela fé das pessoas no mito.

Tudo ficaria na mais perfeita paz se um dia Roque não resolvesse voltar à cidade para se redimir dos seus erros.  É quando tudo se complica, porque revelar a verdade a Asa Branca a faria desmoronar, porque significaria o fim da ocorrência de romeiros, da venda e fabricação de velas e artigos religiosos, do comércio, da indústria e de toda a atividade econômica naquela terra, com consequente falta de investimento, recessão, desemprego e miséria.

Em todas as três comédias dramáticas está o brilhantismo de Dias Gomes, que em seu mais grandioso talento sabia usar realismo e surrealismo, humor e tragédia, com personagens intrinsecamente ligados à realidade brasileira, como Sinhozinho Malta, tão bem-interpretado por Lima Duarte, que fazia que em certas horas eu sentisse raiva e desprezo pelo latifundiário para logo depois me cutucar e lembrar de que era só a interpretação primorosa de Lima Duarte.  A referência ao ator, aliás, é bastante oportuna, porque Lima como Wilker, Gracindo, Cláudio Cavalcante e outros pareciam incorporar com absoluto perfeccionismo os seus papéis por extremo respeito, dedicação e uma quase veneração ao trabalho esplêndido e magistral de Dias Gomes.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

SUBLIMAÇÃO: DEVANEIO?

 Deixar a paz entrar por cada poro assim como uma água sacrossanta que sublima, enleva e eleva doce e plenamente um ser humano.  Sentir o amor tocar a alma fundamente e fazê-la tão repleta desse amor que ele se emane por todo o derredor como fachos de luz branca a se expandir.  Sentir  a harmonia e irradiá-la pelo cosmo, numa purificação absoluta.

Amar numa entrega plena e cheia de delicadeza.  Amar e buscar alguma coisa transcendente para, então unidos, espalharmos benesses sobre as amadas criaturas.  Cultivar os meus desejos mais benevolentes como quem cultiva flores nos jardins.  Contatar intimamente o metafísico e sentir-me e saber-me parte dele, sem limite que nos possa separar.

Notar que a música e a sagrada natureza, a arte e os olhos angelicais dos animais, também sagrados,  como toda, toda forma de alumbramento e poesia, nos conduz numa viagem magnífica à intimidade, à harmonia e à unicidade com tudo aquilo que vivemos a chamar de transcendentes.

Ou seremos nós mesmos, quando despojados da maldade e alumbrados, a própria transcendência que pensamos ser exterior?


UMA QUASE-PRECE UTÓPICA

 Não seja, não, o tempo  hoje o prenúncio de uma era de ódios predominantes e de embates, de martírio e de profusões de carnificinas.  Não seja, não, ainda que o sobrenatural se faça existente e que venha interceder.  Não fique, não, o mundo nas mãos  de bestas medonhas, com corpos mutilados e ensanguentados em campos de batalha e com os calabouços e infernais porões cheirando a mofo, a sangue e a fluidos putrefatos das torturas lancinantes entre os gritos assombrosos e impregnados das dores tenebrosas que é impossível descrever.

Que venham os dias de paz e calmaria, e os mais fortes permitam aos mais fracos o sossego e a harmonia a que todo ser tem o direito mais sagrado.

Que a justiça se sobreponha à vil ganância e acima de tudo paire a paz e a compaixão.  Que os povos todos se tornem livres, soberanos, e as sociedades vivam de mãos dadas, no arrefecimento das tão cruéis desigualdades.

Que viver seja leve, doce para toda criatura, para todo e qualquer ser.


 Existirão forças racionais no Universo a quem nós, humanos, possamos rogar e nos amparar?  Serão, se existentes tais forças, sensíveis aos nossos clamores ou absolutamente indiferentes a nossos dramas e anseios?   Ou seremos nós mesmos a fonte de poderes grandes ou pequenos que atribuímos a outras entidades?   Ou não há em nós e no cosmo nada além do que os óbvios cinco sentidos captam?  Se somos o que há de energia mental que pode porventura mudar ou direcionar fatos unicamente com o poder do pensamento,  o que ocorrerá depois de nossa morte?  A consciência sobrevivendo à morte do corpo ou o puro e simples fim de tudo, um mergulho profundo no mais completo nada?

Não sou resposta, sou apenas a manifestação das dúvidas inquietantes e aflitivas dos humanos diante do desconhecido.

domingo, 26 de janeiro de 2025

CHUVA BRANDA

 Hoje choveu, mas não a chuva assoladora e cheia de devastações e temporais.  Hoje choveu, e as águas, brandas, arrefeceram o calor abrasador e a agonia do meu espírito lotado de apreensões e indignações as mais diversas.

Hoje choveu, e o fogo ateado nas matas não pôde prosperar ante a frustração desolada dos incendiários criminosos, demoníacos e ignóbeis como a mais chã das criaturas não consegue ser.  Não há verme repulsivo como um homem que incinera flores, árvores, insetos, frutas e puros e inocentes animais.

Hoje choveu, e o cheiro da terra molhada adentrou as narinas como um perfume divinal.  Foi como uma trégua numa guerra sangrenta e lancinante.  Hoje choveu, e minha alma se fez serena e suave,  e fresca, e leve, e amena e doce como a paz.

domingo, 5 de janeiro de 2025

SAIBA O QUE SÃO OS NOCIVOS "MERCADOS" QUE A GLOBO E GRANDE MÍDIA TANTO VENERAM

Primeiro voltemos a 1989 e lembremos que a campanha  eleitoral do Collor não foi somente contra os servidores públicos, mas também contra os especuladores do sistema financeiro, esses mesmos "mercados" que os globais mencionam com fala emproada e mão no peito, como se rendessem reverências a um deus, um rei ou general.  Na época o candidato referia-se a essa gente com frases como "eu vou acabar com esses vagabundos".  E como vagabundos é que essa gente hoje tão venerada era vista naquela época.

São banqueiros que emprestam dinheiro a juros estratosféricos, jogadores da Bolsa de Valores,  compradores de títulos do Governo,  especuladores do dólar, malandros que operam com câmbio e com mais outras mamatas.  Todos esses espertalhões têm um ponto em comum: NÃO PRODUZEM NEM UM PALITO E NÃO GERAM UM ÚNICO EMPREGO.  Nem de um secretário para fazer aplicações eles precisam, porque já há os operadores da Bolsa e essas empresas de operações monetárias  para fazê-lo.  Poderia até um idiota dizer que, se existem essas citadas empresas e operadores, é porque os ociosos financistas dão vida a postos de trabalho, mas eu destacaria que tais ocupações são numericamente insignificantes e de uma importância nula no contexto social, porque os sanguessugas concentram nos bolsos todos os lucros obtidos com seus negócios e essa verba represada agrava a concentração de renda, além de nunca ser utilizada na implantação de indústrias, de comércio e de qualquer atividade que venha a gerar mais vagas de emprego e consequente desenvolvimento do país como um todo.  Daí eu afirmar categoricamente que são parasitas e nocivos, pois nada produzem e ainda estagnam e atrofiam o setor produtivo nacional.

Quando a Eliane Cantanhêde, da Globo News,  diz que o mercado especulativo tem também o seu João e a dona Maria, que têm um dinheirinho guardado e nele aplicam, mente deslavadamente, porque seu João e dona Maria não gostam de correr riscos numa seara que não conhecem e preferem deixar a grana guardada numa poupança ou investir na compra de um imóvel, que é seguro, em geral não desvaloriza e até pode render uma receita de aluguel.  Um outro âncora que defende o segmento indolente com um furor leonino seria, como amplamente divulgado nas redes sociais, casado com uma sócia de uma intituição de investimentos em capital.

O mercado financeiro adquire superpoderes em decorrência do próprio capitalismo financeiro, surgido no século XX em escala mundial, e é lógico que é impossível contê-lo.  Entretanto não há nenhum motivo para que ao mencioná-lo achemos que estamos falando de Deus.  E esse mercado de finanças mostra-se ainda mais pernicioso quando, como no caso do Brasil, procura imiscuir-se na política partidária e destruir ou erguer líderes políticos, e exemplo disso é essa obstinação desses megadesocupados em destruir o governo Lula para trazer de volta ao Planalto alguém de perfil direitista bem sólido, não se importando se tratar-se-á de alguém de direita ou extrema-direita.  Não importa pra eles quantos morram sob fome ou tortura: o que tem relevância é o aumento dos seus lucros.  Isso me parece um precedente de altíssima periculosidade,  pois a gande mídia é uma espécie de secretária e porta-voz desse setor improdutivo da economia e pode, da mesma forma como a Globo  ataca ostensiva e sistematicamente o governo Lula, passar à opinião pública os recados subliminares dessas elites à população, e já em 2026 esvaziar ainda mais o Legislativo de parlamentares progressitas.

Todos sabemos que o golpe militar de 1964 no Brasil foi, como todos os golpes militares da América Latina, uma demanda das classes privilegiadas -- que se urinavam de medo de perder parte de suas regalias -- de pronto atendida por John Kennedy, que optou, por sugestão da Cia, a apoiar e incentivar as ditaduras ao invés de prestar apoio sócio-econômico às nações do continente, que vislumbravam alguns acenos das esferas comunistas.   O golpe que se pretende, desta vez, é inteiramente midiático, sem necessidade de violência ou intervenção militar.   Aponta-se apenas o que quer o mercado financeiro: juros mais altos, títulos da dívida pública com valorização imensa e galopante, pouco investimento do governo, menos consumo e menos emprego -- ou não foi o próprio Campos Netto, ex-presidente do BC, que disse que o pleno emprego pode acarretar  inflacão por poder valorizar os salários?...  Pois é: o mercado financeiro dá os ditames e os órgãos de imprensa separam o joio do trigo, apontando em seus noticiários de rádio, televisão, internet e impressos quais os candidatos às prefeituras, governos estaduais, federal e  parlamentos  são dissonantes quanto ao que estabelecem essa gente dos setores que só especulam.

Acho que ficar tentando combater o sistema financeiro é quixotesco, mas é papel dos políticos honrados e dos cidadãos esclarecidos e igualmente dignos esclarecer à parcela da população menos informada o que são os tais "mercados" e tudo o oque eles pretendem,  e que não há nenhuma sacrilégio, mas aboluto acerto em contrariar os desígnios desses caras que não querem nada além de multiplicar suas fortunas em detrimento de quase totalidade da sociedade.


 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

O CATADOR DE ENCANTOS

 Quero o olhar desvanecido da mulher apaixonada

E a vista das serras majestosas e cascatas.

Quero os cachorros brincando, felizes, nos quintais

E a canção mais linda a vir no vento qual carícia.

Quero a paz dos recantos maviosos, temperados

E a magia das emoções e alumbramentos,

Como vivera o alvorecer eternamente,

Como ficasse a catar encantos sem cessar.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

SE EU MORRESSE HOJE

 Se eu morresse hoje, tornar-me-ia em poucas horas um homem notável, brilhante, com veia artística e de uma bondade incomparável, uma perda inaceitável para a humanidade.  Como, porém, continuo vivo, sou intragável, mau, energúmeno, inútil, desprovido de talento e alguém que não faria falta se morto.

Vi muitas criaturas adquirirem uma elevação moral, intelectual e humana impressionantes pouco após pararem de respirar.  Não sei se isso é fruto da miserável hipocrisia humana, que finge uma saudade na verdade inexistente, ou se é uma necessidade que as pessoas têm de se redimir perante os mortos que, segundo as crenças da maioria, poderiam viver fora da matéria e ter a capacidade de assustá-las e perturbar-lhes a vida.  Ou se ainda é uma necessidade que as pessoas têm, para parecerem iluminadas, de notar num finado supostos atributos que imperceptíveis aos olhos dos outros.  

A despeito da motivação dos necrológios, o indubitável é que são de uma artificialidade espantosa.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

OS DEMÔNIOS

 A Rússia não abre mão de devastar a Ucrânia e quem lhe resista,

Israel promove crueldades  implacáveis entre os palestinos

E não poupa nem mesmo hospitais e crianças,

Terroristas brasileiros só aguardam o que acham bom momento de queimar as matas

E de modo hediondo incinerar os animais inocentes,

As milícias, traficantes, polícias dão-se ao "regalo" das carnificinas:

A alma dos homens é árida como os mais imensos desertos

E pavorosamente perversa como os mais tenebrosos demônios:

O bem-estar e a paz só poderão se estabelecer com a extinção dos humanos,

Que sequer deveriam ter surgido na face da Terra

E são prova irrefutável da inexistência de Deus.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

SE O MERCADO FINANCEIRO ODEIA O LULA, EU AMO O LULA - A CAMPANHA À PRESIDÊNCIA DE 2026 FOI DETONADA PRA TARCÍSIO PELA GLOBO EM 2023


A Globo estampa nas legendas há dois dias que a pesquisa Quaest apurou que Lula é mal-avaliado por 90% do mercado financeiro, que é composto por banqueiros, doleiros, agiotas legalizados, jogadores da Bolsa de Valores e outros come-e-dorme que não geram um único emprego e não investem um centavo na produção industrial, agrícola, etc, e tornam-se a cada mais ricos à custa da miserabilização das classes pobres e medianas.  São vagabundos por excelência que não fazem nada absolutamente de bom para a sociedade brasileira -- sendo, muito pelo contrário, nocivos ao país.  É fácil entender que a Globo, que é, como toda a grande mídia,  porta-voz extremosa e veemente desses perniciosos malandros, tente passar a falsa mensagem de que o Brasil está caindo do abismo unicamente porque esses sanguessugas abomináveis não estão contentes -- e por sinal  amavam fervorosa e tresloucadamente o Bolsonaro, que enfiou no Ministério da Economia o medíocre Paulo Guedes (que era incompetente, mas não precisava de talento para transferir renda dos pobres pros ricos) para atender aos seus intetesses.

A missão sórdida da Globo é mentir (como de praxe e tradição) para desgastar Lula a cada dia mais perante a opinião pública, com o intuito de conseguir emplacar o bolsofascista Tarcísio de Freitas, sabujo do Bolsonaro, na Presidência da República em 2026.

A Globo mente deslavadamente, porque o DESEMPREGO atual é O MAIS BAIXO DE TODA A HISTÓRIA DO BRASIL, e os níveis salariais dos mais pobres ganharam algum avanço após anos de declínio e estagnação, além de o acesso à alimentação e ao consumo

ter atingido um melhor patamar.

Esse cenário é um sintoma de que os chamados mercados, embora sempre estejam felizes, não estão neste momento tendo orgasmos múltiplos e cheirando coca de alegria como no tempo do antecessor de Lula. Porque esses caras vivem do caos, da degradação, do infortúnio alheio, e produzem mais miséria para se robustecerem ainda mais.  São nefastos, reacionários, fascistas, escravocratas, e a Globo e todos os grandes órgãos da grande mídia em nada diferem deles.

A mídia já antecipou a campanha presidencial de 2026 ainda no momento da posse do atual governo, e é bolsofascitarcisista ardente, apaixonada, dessas que têm taquicardia e alimentam uma enfiada de expectativas no seu amado às vésperas do primeiro encontro.  Uma vez que Tarcísio é o paladino dos extremistas de direita, da polícia truculenta, do Estado autoritário, das elites e da devastação das classes à margem das abastadas.

É preciso cuidado e não se deixar envolver por falácias e mentiras safadas, porque a campanha já começou, e nós temos duas alternativas: ou dar amplo apoio ao Governo Lula e tentar reelegê-lo, ou votar aos dias caóticos e pavorosos dos dias do Bolsonaro.

sábado, 23 de novembro de 2024

A MPB DE RESISTÊNCIA

 RESISTÊNCIA À SUBMÚSICA QUE O MERCANDO VEM NOS IMPONDO


Há vários grupos novos cantando e criando MPB, além de outros já se apresentando há alguns anos(e ainda a gente já consagrada no cancioneiro do Brasil), sem que no entanto abram mão de produzir e interpretar música popular brasileira, como samba, samba-canção, bossa-nova, baião, toada, xaxado, ritmos tradicionais incorporados à Grande MPB.  Isso é uma resistência aos estilos musicais totalmente desprovidos de qualidade e elaboração satisfatória que vêm abarrotando o mercado musical.  É uma resistência arrojada a esse processo de declínio cultural por que vem passando o Brasil, cuja fatia predominante da população não mais lê e agora se dá a ouvir as melodias mais desqualificadas.  Os artistas sérios e compromissados com o valor do seu trabalho travam uma batalha árdua pela sobrevivência da boa música nacional num cenário extremamente adverso, e por isso vejo-os como músicos de MPB de Resistência, que é como se pode chamar a Nova MPB, nova pelas composições recentes ou mesmo pela leitura diferente de antigas canções consagradas.

A MPB de Resistência é um movimento sem conotação política ou que envolva qualquer forma de protesto, mas que traz em si a firmeza da decisão dos compositores, cantores e instrumentistas no sentido de manter vivo seu trabalho num contexto atualmente tão desfavorável.

Acho que o termo MPB de Resistência deve sempre ser cunhado pelos que trabalham com a boa música nacional, para que esses intérpretes e criadores marquem sua presença no momento artístico de hoje e na própria história da Música Popular Brasileira.


terça-feira, 19 de novembro de 2024

O MOMENTO É GRAVE, E DEVEMOS DAR O MAIS PLENO APOIO A LULA E AO PT

 Há um bombardeio maciço, vindo de todos os lados, principalmente de toda a grande mídia, contra Lula e o PT. A Globo contratou o bolsonarista Joel Nascimento, que era da  incredível "Jovem Pan", para a missão exclusiva de atacar Lula, quando já tinha Demétrio Magnoli, Eliane Cantanhêde, Gérson Camarotti e Merval Pereira para esse "trabalho". Tudo o que o presidente diz a emissora define como um erro político capaz de levar o Brasil às mais desastrosas consequências, para desgastá-lo, descredibilizá-lo, criar pânico antilulista e colocar Tarcísio de Freitas em seu lugar.  Vejo ataques mentirosos, infundados e descabidos partindo de pessoas despolitizadas. É um processo difuso, amplo e orquestrado. Eles querem o extremismo de direita, pai extremoso das elites e carrasco das classes média e baixa, de volta.  O momento é de todos nós, progressistas (mesmo os não-petistas como eu) nos unirmos em apoio a Lula e ao PT, para evitar em 2026 a eleição de um fascista, e assim caminharmos para a social-democracia (que não é comunismo nem socialismo, como os canalhas vivem apregoando) ao invés de aceitarmos o retrocesso que nos levará à mais deplorável miséria, negacionismo, revisionismo histórico e definitiva depredação do meio-ambiente com os seus efeitos mais trágicos e nefastos.

sábado, 16 de novembro de 2024

EXISTE EVOLUÇÃO MUSICAL?

 

Vi no Youtube um entrevistador dizer ao Ney Matogrosso que as músicas do "Secos e Molhados", grupo no qual o cantor iniciou a carreira, continuam atualíssimas, ao que o artista respondeu que "isso é ruim porque demonstra que não evoluímos" musicalmente.  Acho, no entanto, na minha pretensão de reles leigo que há um equívoco na afirmação do Ney.  Porque seria necessário que soubéssemos o que  seria evolução musical e se afinal tal conceito não se mostraria muito vago e subjetivo.  Se formos comparar a música de 1973 ao funk, ao axé, sertanejo brega e sertanejo universitário(ambos bregas), veríamos que o Brasil sofreu uma gritante involução musical, principalmente no que tange às letras. Mas não é esse o caminho pra conceituar a questão.  O aprimoramento da música não é algo instrinsecamente ligado ao tempo, pois, se assim fosse, as obras de Chopin, Brahms, Barch,  Mozart estariam absolutamente desqualificadas se comparadas às canções que se produzem nos dias de hoje, o que seria a mais completa inverdade.  São valsas e ritmos minuciosa e ricamente elaborados, com notas mais numerosas e complexas, que exigem muito mais recursos do compositor (e também do executor).  Não há evolução ou involução, mas somente movimentos musicais diferentes.  A bossa nova, amálgama do jazz com o samba-canção, não a faz superior a nenhum dos dois outros estilos: foi, em relação a eles, um mais novo gênero musical.  Voltando à música clássica, poderíamos até dizê-la superior por sua complexidade, mas, se examinarmos o quesito beleza, tudo fica muito difícil de definir e comparar, justo por essa subjetividade que envolve o que seja melhor ou pior, menos ou mais.  Freddye Mercury ou Jessé cantando é menos belo do que a música clássica?  Tem uma carga poética inferior?

O que é evoluir em música? É tecnologia? O piano tem qualidade abaixo da do teclado eletrônico?  O violino perde para a guitarra? O rock, o bolero, o samba, o jazz, a salsa, o baião, a toada, etc mudaram tanto assim com o decorrer do tempo?

Quando se diz que a música do "Secos e Molhados", como a do Chico Buarque, do Mílton Nascimento, da Elis Regina continuam atualíssimas, é porque nenhum outro novo movimento musical importante apareceu depois da MPB, e também por tais músicos cantarem letras de poetas modernistas e pós-modernos como Fernando Brandt, Aldir Blanc, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Solano Trindade, Manuel Bandeira, João Apolinário, Gilberto Gil e outros.  É muito tênue a linha que separa a poesia da letra de músicas, em muitas vezes até inexistente.

Então, acho que aí equivocou-se o grande intérprete e cantor Ney Matogrosso.   A música é como qualquer outra arte, e não há de se falar em evolução quando se trata de arte, pois do contrário a pintura moderna seria mais alta do que a pintura clássica.  Arte se compõe de diversidade de movimentos e gêneros artísticos e não está jamais ligada ao conceito de evolução.

Quando faço críticas à música brega, é pelo total descompromisso de certos músicos com a qualidade da melodia, do arranjo ou da letra. Nesse caso, sim, se formos fazer uma comparação com os anos 1980, concluiremos que passamos por um grave processo de declínio cultural.  Mas esses artistas são grupos à parte, voltados para a canção comercial, e não primam pela citada qualidade, e portanto não poderiam ser citados como um sinal de estagnação da MPB.

A DEVOÇÃO MUNDIAL À ULTRADIREIRA


Após tanto os diretores e roteiristas de cinema dos Estados Unidos  criticarem e satirizarem as ditaduras  impostas por John Kennedy, sucessores e CIA à América Latina, o povo americano, na sua mais infinita arrogância e estupidez, elegeu, através dos delegados eleitorais que escolheu, um ditador ignorante, imbecil, despreparado, inepto, rasteiro, cruel, desprezível, asqueroso e abominável como Donald Trump, que é discípulo de Roy Cohn, criatura capaz de provocar ânsias de vômito no ser mais desprovido de escrúpulos. Trump exercerá sua tirania com o respaldo de um Congresso que será mero homologador de seus atos, assim como Maduro na Venezuela.

Acho que qualificar um ditador com tudo o que atribuí ao desqualificado futuro mandatário é redundância, já que não tenho notícias de autocratas inteligentes.  Há viúvas taradas do Hitler que conferem-lhe uma genialidade que a meu ver não foi além do dom de manipular um  desesperado e desnorteado povo alemão, mentalmente exaurido, além de humilhado e espezinhado pelos países vencedores da I Grande Guerra. O resto o Exército Alemão fez.

Os autocratas só têm respaldo das elites e das forças armadas, grupos sempre com interesses diretos nos efeitos dos desmandos desses antidemocratas perversos e chinfrins.  São na verdade marionetes do poder econômico.

O que dói mais, entretanto, é a absoluta nudez de memória dos povos e a inexplicável afeição desses aos regimes totalitários.  O Brasil é um desolador exemplo disso, o que se nota pelas demonstrações de simpatia dos paulistas pela polícia do Tarcísio de Freitas, pela mais absurda projeção eleitoral do jocoso e perigoso Pablo Marçal e vitória eleitoral de Ricardo Nunes, com o agravante de que Tarcísio, escravo político de Bolsonaro, é sonho de consumo de eleitores de vários estados do Brasil -- a partir, é claro, da indisfarçável ajuda da Globo e de toda a grande mídia, com o destaque de que o império dos Marinho  é uma partidária extremosa e com alto furor uterino do inconsistente e fascistoide governador. 

Em suma, Brasil e mundo tendem a dar uma grande guinada para a extrema-direita, e os efeitos disso vão ser simplesmente, absolutamente nefastos e devastadores.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

MORRE ARTHUR MOREIRA LIMA AOS 84 ANOS

 Não vai daqui uma homenagem, porque sou simplesmente avesso a homenagens. Até porque sempre é praxe que elas venham impregnadas da repulsiva hipocrisia. Prefiro exaltar de modo eufórico o talento e a sublimidade, e acho que Arthur Moreira Lima reunia as duas coisas.

Não me caberia fazer-lhe um poema, porque pareceria (e seria) oportunismo, e ele já era poesia simplesmente. 

Sempre tive uma simpatia especial por Moreira Lima, talvez ampliada pelo fato de sabê-lo progressista num Brasil desprezivelmente retrógrado e fascistoide.  Nutria por ele um certo carinho apesar de não conhecê-lo pessoalmente.  Coloco-o no rol das pessoas que acho grandiosas, pela sua arte e sua índole.

O tempo passou e Arthur envelheceu e morreu, e a morte na velhice, embora doa nos mais próximos, não deixa espaço para inconformismos -- a não ser pela própria existência da morte e pela própria cruel natureza das coisas.  Mas Arthur Moreira Lima foi longevo e morreu, e eu, embora não esteja sofrendo, me sinto tocado, comovido, com uma leve ponta de tristeza.  A morte libertou-o do sofrimento do câncer, e isso consola quem fica.  Mas é uma pena a gente perder alguém como ele.