Não ruminar a dor e tirar os olhos de dentro da escuridão da alma.
Debruçar-se à janela e voltar os olhos para a vida lá fora,
Atirar-se na vida que existe lá fora...
Atirar-se na vida que existe lá fora...
Mas como, se não há vida lá fora,
Como não há vida nas ruas, na cidade, no país,
E o mundo se tornou um deserto imensurável,
E as assombrações vagueiam tristemente por todo lugar,
Num silêncio tão noturno e tumular?
Como, se a noite que cobre o peito magoado
Se expandiu no universo por inteiro,
E o dia parece que não mais se acenderá?
Como, se os ventos lamentosos percorrem os desertos incontáveis,
E não há voz nem som de um instrumento
Que traga à quietude alguma poesia?
Como, se a morte se apossou da alma,
Se a alma se apagou de sombras,
E as assombrações, assustadoras,
Vagueiam, senhoras da tristeza e do medo,
No seu macambúzio semblante de morte?
2012
Poemas, vídeos, fotos, comentários, humor, crônicas, contos, músicas, uma variedade de produções. Compilação dos escritos e outros trabalhos produzidos ao longo do tempo. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC Demóstenes "Barão da Mata"
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segunda-feira, 20 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
NÃO HÁ ESTADO DE DIREITO NO BRASIL
Uma autoridade colocou uma funcionária pública à disposição do órgão onde ambos trabalham, determinando que fosse verificada se o estatuto funcional previa punição para o ato que praticara. O ato? Ofensa de forma genérica numa página de rede social à classe a que pertence a autoridade que a puniu.
Ações julgadas e transitadas em julgado são rejulgadas no mérito anos depois, banindo de vez do país a chamada segurança jurídica.
Minhas postagens no Google+ somem sistematicamente. Um detalhe: todas criticavam Temer e seus (in)fiéis escudeiros. Talvez por obra de algum fofoqueiro barato e desocupado muito afeito a isso que chamam de nova ordem política. Mas não deixa de ser uma grave censura, um atentado à liberdade de expressão.
Nunca acreditei em Estado democrático de direito aqui nesta república, mas hoje ele está ainda mais ausente e raquítico do que no tempo do famigerado luopetismo. Se o governo do PT já cerceava muitas liberdades, se Dilma dava sinais muito cristalinos de que pretendia governar despoticamente, a era Temer me parece igualmente pavorosa.
Não há porões, não há torturas (pelo menos ao que eu saiba), mas há uma ditadura em curso. Mas vivemos vigiados, tolhidos, espreitados. Se Temer não é centralizador, pior ainda: o totalitarismo é praticado por muitos personagens.
É a volta dos tempos de autoritarismo e obscurantismo vividos na ditadura militar.
Barão da Mata
domingo, 29 de maio de 2016
O OPORTUNISMO DE TEMER E SEUS TECNOCRATAS
Aprovar a reforma trabalhista é criar um modelo econômico ainda mais concentrador de renda, uma tentativa de fazer que a indústria e o comércio naveguem de vento em popa enquanto a classe trabalhadora simplesmente se miserabilize. De nada adianta um empresariado vigoroso com empregados famintos.
No caso da previdência, têm os governantes desta nação a obrigação de respeitar os direitos adquiridos dos que já se encontram trabalhando, ainda que hajam de sobretaxar os bancos para arcar com sua responsabilidade quanto aos futuros aposentados e pensionistas. Não só de pagar as futuras aposentadorias, como de manter as já consumadas incólumes.
Repito que não há motivos para nostalgias: o lulopetismo é igualmente tecnocrático, seguirá a receita de Temer caso Dilma retorne ao Planalto, nunca enfrentou banqueiros, instituiu esmolas mas não implementou uma lei salarial justa, não distribuiu renda, fingiu que é socialista mas é conservador, não investiu na saúde, na educação, na segurança, levou hospitais à falência e ao fechamento, causou desemprego, fome, morte nas emergências, sucateou a Petrobrás e levou as finanças nacionais a um quadro deplorável.
Se Temer diz que vai cortar 4.000 cargos comissionados políticos, não está mais do que podando a ponta do iceberg. Poderia contar inúmeros outros mais, sobretudo aqueles que são de interesse da base aliada agora sua. Isto ajudaria o setor público a arcar com suas responsabilidades relativas às categorias laboradoras.
Não nos deixemos emprenhar pelo discursinho dos jornalistas globais ou de outras emissoras, porque a mídia está sempre do lado do poder ou de quem está em vias de abocanhar o poder. Os mesmos jornalistas que hoje atacam Dilma e o PT são os mesmos que há menos de um ano defendiam-nos com unhas e dentes, dentro daquele antiga troca de favores entre imprensa e governo, em que comentaristas e âncoras mantêm a aprovação e poupularidade de quem governa enquanto seus patrões são contemplados com uma série de préstimos que só quem tem nas mãos a máquina pública pode oferecer.
SE OS ECONOMISTAS COMETEM UM MONTE DE ASNEIRAS, POR QUE NÃO POSSO DIZÊ-LAS?
Se a solução de nossos problemas passasse pelos economistas, seríamos uma grande potência econômica. Se não somos, é porque não são eles muito versados. Por isto, sinto-me bastante à vontade para falar de um assunto cujos especialistas não conseguem resolver.
Primeiro: não há por que se falar em direita, se não existe um contraponto, um ponto antagônico para que se estabeleça uma equiparação: em outras palavras, não há esquerda. Há quem detém e quem quer deter o poder. Na França pós-revolução, esquerda passou a designar os opositores ao governo revolucionário, que se sentavam ao lado esquerdo do parlamento. Hoje define os que dizem professar o socialismo, que por sua vez não é mais que uma utopia. Utopia porque nunca foi posto em prática em qualquer parte do mundo. É apenas uma doutrina longe de se alicerçar na realidade, assim como as doutrinas religiosas: catolicismo, protestantismo, kardecismo, etc...
O fato de não existir esquerda nem direita não exime todavia o capitalismo de toda a crueldade que encerra, que carrega dentro de si. Porque é perverso como a natureza humana, que demanda sempre leis que tentam conter sua inerente maldade. Noutras palavras, se o capitalismo é invevitável como a má-índole humana, e fazem-se leis para conter esta má-índole, é preciso que haja dispositivos que controlem os ímpetos cruéis da economia de mercado, liberalismo econômico ou que outra definição possa ter.
É preciso haver garantia de empregos, de salários dignos, de saúde, de educação, de habitação, de segurança, atenuação da concentração de renda e a inserção ao menos da maioria absoluta no contexto sócio-econômico. São pontos irrefutáveis a que só daria vida uma legislação que desonerasse a mão-de-obra e suprisse as carências decorrentes desta renúncia fiscal na taxação das grandes fortunas, grandes heranças e dos grandes lucros dos bancos. Far-se-ia mister que os empresários fossem compelidos a pagar melhores salários, pois, desonerada a força de trabalho, melhores condições teriam os empregadores de melhor remunerar seus funcionários.
A extinção do excesso de cargos comissionados no serviço público, aliado a um ostensivo combate à corrupção e a uma taxação considerável dos ricos somada ao menor investimento dos governos em autopropaganda, permitiria ao Estado construir hospitais e escolas com equipamentos e funcionários de qualidade e atendimento pleno; dar-lhe-ia condições de criar uma política habitacional concreta ao invés de populista e demagógica, isto a partir de um programa sério de financiamentos e construção de habitações populares - como havia nos anos 1960-1970, quando tínhamos conjuntos de habitação do IPASE, IAPI, COPEG, outros, todos bancados pelo Governo Federal, que era militar e estava muitíssimo longe de ter pensamento estatista ou socialista. Não vai daqui um elogio aos governos militares, mas o reconhecimento de que estes ao menos tinham consciência do papel social que deve ter primordialmente qualquer governo.
As melhorias na área de segurança podem ser obtidas através da redução dos gastos governamentais com os presidiários, exigindo-lhes que produzam para seu próprio sustento e manutenção dentro dos presídios, onde trabalhariam ao invés de se darem à ociosidade para bolarem e articularem atividades criminosas. Não se pode negar aqui que é preciso melhorar e muito, e urgentemente(!), as condições carcerárias dos presos, mas a empresa de torná-los produtivos, auxiliada pela arrecadação obtida dos milionários, bancaria facilmente melhores acomodações e menores riscos de violências para estes. A Constituição não permite que um preso seja compelido a trabalhar? Pois que se mude a Constituição(!), sempre modificada ou estuprada para atender aos interesses geralmente pessoais dos políticos e governantes.
Não defendo aqui a estatização da indústria, do comércio, da área produtiva, mas a educação, saúde e segurança, privadas ou públicas, são responsabilidades e obrigações irretorquíveis de todos os governantes, que deveriam responder criminalmente por não cumpri-las.
Se digo que o socialismo é uma utopia, não replico que esta minha tese possa igualmente ser vista como uma série de devaneios, porque jamais haverá um grupo de políticos com a coragem e o interesse de criar pesados impostos sobre a gigantesca arrecadação dos bancos e dos milionários, por conta justamente do poder de barganha e ascendência que têm estes sobre a classe política. Nunca serão supertributados exatamente por serem milionários. E porque os políticos existem ironicamente para defender os interesses do poder econômico. O sistema carcerário jamais será reformulado porque exige empenho e vontade de trabalhar e não resulta em votos, e político não quer trabalho nem aporrinhações senão em prol de benefícios próprios. Sem a redução da corrupção, a maior tributação das fortunas, heranças e imensuráveis ganhos e a extinção das funções comissionadas políticas, não haverá uma desoneração da mão-de-obra, e o emprego continuará escasso, e os salários, aviltados. Não haverá maior oferta de educação e saúde pelos mesmos motivos.
Tudo poderia melhorar, mas não estamos na Suécia: estamos no Brasil, terra de espertalhões, onde pra começar a corrupção é cultural e profundamente arraigada ao pensamento brasileiro, pois é herança dos donatários das capitanias hereditárias, escória da sociedade portuguesa que passou para seus filhos sua mentalidade torpe. Assim, tal mentalidade sórdida vem sendo passada de pai para filho ao longo de mais de quinhentos anos.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
VEM, VIDA!
Vem, ah(!), vida em plenitude, me renasce,
Vem brotar do olhar mais doce da morena
Ou de um tempo claro e novo que amanheça.
Vem, me brilha como lua ou sóis, estrelas,
Vem dançar e saltitar aqui no peito.
Ai, não deixes que a tristeza me aquebrante
E arrefece toda dor que em mim lateja.
Vem pulsante qual meu peito, como as veias,
Vem vibrante como as tardes mais festivas,
Vem, me traze o canto, as cores da alegria
E me faze assim feliz qual renascesse.
Vem brotar do olhar mais doce da morena
Ou de um tempo claro e novo que amanheça.
Vem, me brilha como lua ou sóis, estrelas,
Vem dançar e saltitar aqui no peito.
Ai, não deixes que a tristeza me aquebrante
E arrefece toda dor que em mim lateja.
Vem pulsante qual meu peito, como as veias,
Vem vibrante como as tardes mais festivas,
Vem, me traze o canto, as cores da alegria
E me faze assim feliz qual renascesse.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
O CAOS DA MORAL POLÍTICA PODERÁ DAR VIDA A UM MONSTRO
Nem se sabe ao certo se Dilma vai ser afastada e se Temer assumirá, e já sou um ferrenho opositor do possível futuro presidente e de todo o seu séquito. Lamentavelmente a ideia de uma nova eleição presidencial é, esta sim, uma intenção golpista do PT, que conta com a descabida e inacreditável projeção eleitoral de Lula caso novo sufrágio fosse convocado. Além disto, neste momento o Brasil carece demais de opções para a presidência. Ficaríamos com Aécio, que disse que o Brasil sob sua gestão seria tratado como empresa? Ou seja, o que não desse lucro seria descartado. O que seria então dos aposentados e pensionistas? Teriam seus direitos reduzidos ou suprimidos? Os hospitais públicos teriam suas portas cerradas em definitivo? Os salários dos trabalhadores ativos, públicos ou privados, tornar-se-iam meras ajudas de custo?
Na alternativa Marina Silva, volta-me à lembrança que esta, na campanha de 2014, em resposta aos ataques desleais de Dilma, disse que a presidente reeleita deveria cuidar de reformar de uma vez por todas a CLT. Seria então o tão pretendido (pelos empresários e políticos conservadores) fim do décimo terceiro salário e das férias remuneradas, do FGTS, da jornada máxima de trabalho? O que pretende essa senhora, que tem formação política progressista e defende uma medida reacionária?
E Lula? Salvador da pátria para os iludidos e os simplórios, mas um aventureiro oportunista que agregou em torno dos governos petistas uma legião de corruptos, que saquearam a nação e a deixaram num estado deplorável e talvez irremediável; que para manter seu partido no poder recorre ao periculoso expediente de jogar os chamados movimentos sociais contra a sociedade inteira, conclamando-os a fazer manifestações barulhentas e quase ameaçadoras, não poupando a população brasileira de seus discuros inflamados e pejados de ameaças veladas ou até mesmo bastante claras. O que nos traria esse mito de papelão senão uma versão brasileira do chavismo, com cerceio das liberdades dos cidadãos e da imprensa, com todas as mazelas e percalços e infortúnios típicos das ditaduras populistas?
E uma alternativa vinda do PSOL ou PSTU ? Como acreditar em agremiações que, vendendo uma imagem de progressistas, ante toda a gravidade e inviabilidade mais do que óbvia da permanência do PT no governo, teimaram em dizer "não" ou em omitir-se quanto ao encaminhamento do processo de "impeachment" de Dilma ao Senado? Como não bastasse o PT haver colocado em xeque a credibilidade de todas as forças rotuladas de esquerdas, partidos como PSOL e PSTU optaram por atirar no próprio pé com sua intransigência em oporem-se ao afastamento de Dilma. A opinião pública doravante verá todas essas correntes, se comparadas ao partido de Dilma e Lula, como farinha do mesmo saco. E francamente não sei se estará errando. Porque a postura desses partidos mais parece uma confissão estapafúrdia e incompreensível de uma culpa que não se tem, pelo fito único de lutar pela impunidade dos assemelhados.
Não vou falar no PSB, PC do B com Jandira Feghali e companhia, outros partidos igualmente oportunistas, porque não são alternativas a nada, e prova disto é que em 1986 os comunistas, com discursos veementes de Jandira, apoiaram Moreira Franco e o "companheiro" José Sarney.
O palpite que tenho é que, com a crise ética vivida pelo Brasil há alguns decênios - e acentuada assustadoramente nas gestões petistas - , levando em conta que toda crise ética faz emergir oportunistas que se dizem bastiões quase messiânicos da moralidade... Considerando os fatos, penso que crescerá no cenário político nacional algum falso moralista autoritário, que encontrará no eleitorado respaldo para o seu verbo e seus atos proibitivos a tudo quanto se possa chamar liberdade. Trará de volta a censura às artes, à música, ao teatro, aos meios de comunicação, implementará um regime duro, e o Brasil se verá preso numa armadilha montada por uma retórica inconsistente, mas que encontrará acolhida nas pessoas cansadas de tanta imoralidade no campo político.
Este papel poderia agora caber a Jair Bolsonaro, mas este caiu em desgraça ao cometer o erro capital de homenagear o atroz Brilhante Ustra em plena votação do encaminhamento do "impeachment". Assim, abriu espaço para algum levy fidélix ou coisa do gênero que se disponha no momento oportuno a topar a empreitada com chances bastante palpáveis de sucesso.
sábado, 9 de abril de 2016
A MULHER MADURA
A mulher madura
que se decota,
que mostra o ventre,
que exibe as coxas,
que põe biquíni,
que se desnuda...
Ah, mas como ela é bela
nas suas formas já não mais tão perfeitas!
A mulher madura...
Ah, mas como acende
os meus instintos de macho
e os meus enlevos mais juvenis!
que se decota,
que mostra o ventre,
que exibe as coxas,
que põe biquíni,
que se desnuda...
Ah, mas como ela é bela
nas suas formas já não mais tão perfeitas!
A mulher madura...
Ah, mas como acende
os meus instintos de macho
e os meus enlevos mais juvenis!
domingo, 28 de fevereiro de 2016
O ICONOCLASTA
Não exaltarei salafrários engomados e com títulos pomposos
Que detêm nas mãos sujas poder e autoridade imerecida.
Não farei reverências a senhores e doutores,
Sobretudo pela parca moral das pessoas
Para o exercício do mando, poder, senhoria.
Não farei louvações a calhordas de terno
Que decidem destino de gentes e povos sofridos,
Que fazem das vestes capa de suas sarnas malditas,
De sua podridão intrínseca, vindas da mente abjeta.
Não homenageio fraques, fardas, coroas e togas,
Porque conheço profundamente a pequenez dos homens.
Não farei vivas a abastados ridículos
No alto de suas fortunas como de pedestais.
Não farei canto a gente emproada, arrogante
Que se vê qual deidade de carne e de osso.
Não farei verso a enfeitados de ouro e de brilho,
A criaturas cheias de "cumpra-se" e "faça-se".
Não saudarei quepes, brasões e divisas.
Também não cultuarei mitos e grandiosos de plástico.
Ao contrário: desmantelo os mitos, dissolvo os heróis
Com o meu senso de realidade iniludível.
Os mitos arrotam, engasgam, são bem como nós;
Heróis, se algum há, quero ver e tocar.
Eu vejo a cara dos homens tal como é a cara dos homens.
Não me iludo ou fascino, imune a todos embustes.
Ninguém a meus olhos fará belo o que é feio,
Fará grande o que é mero, é reles, é vil.
Que detêm nas mãos sujas poder e autoridade imerecida.
Não farei reverências a senhores e doutores,
Sobretudo pela parca moral das pessoas
Para o exercício do mando, poder, senhoria.
Não farei louvações a calhordas de terno
Que decidem destino de gentes e povos sofridos,
Que fazem das vestes capa de suas sarnas malditas,
De sua podridão intrínseca, vindas da mente abjeta.
Não homenageio fraques, fardas, coroas e togas,
Porque conheço profundamente a pequenez dos homens.
Não farei vivas a abastados ridículos
No alto de suas fortunas como de pedestais.
Não farei canto a gente emproada, arrogante
Que se vê qual deidade de carne e de osso.
Não farei verso a enfeitados de ouro e de brilho,
A criaturas cheias de "cumpra-se" e "faça-se".
Não saudarei quepes, brasões e divisas.
Também não cultuarei mitos e grandiosos de plástico.
Ao contrário: desmantelo os mitos, dissolvo os heróis
Com o meu senso de realidade iniludível.
Os mitos arrotam, engasgam, são bem como nós;
Heróis, se algum há, quero ver e tocar.
Eu vejo a cara dos homens tal como é a cara dos homens.
Não me iludo ou fascino, imune a todos embustes.
Ninguém a meus olhos fará belo o que é feio,
Fará grande o que é mero, é reles, é vil.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
O METAFÍSICO E A POESIA
Quando um homem se comove por um poema que lê ou música que escuta...
quando ainda o toca um filme, um conto, romance, peça, uma novela
ou ainda uma lembrança emocionante que lhe assalte a memória...
quando a comoção lhe bole fundo, e ele se desnuda dos seus ódios e torpezas,
das maldades, das vilezas e pequenezes tão peculiares...
quando a emoção o faz humilde, inofensivo, terno, um ser purificado...
quando o arrebata um sentimento que o desvanece docemente...
é a poesia que opera o milagre que atribui-se aos santos e aos deuses improváveis
e lhe traz do fundo d'alma o anjo puro e emocionado que ele tem dentro de si.
E é a poesia o ponto onde se encontra esse anjo belo
co'as correntes mentais benignas do cosmo;
ou faz então que se juntem mentes encantadas igualmente.
Assim, enfim, caso haja o metafísico, a união benévola das ondas que há nas mentes
fará que vejamos que não há linha qualquer que o separe do que é físico,
e a poesia assim será um dos tantos reveladores elementos
que fará que enfim nós enxerguemos
que a Lua e os homens, a Terra e os bichos, que o Universo
somos um só.
quando ainda o toca um filme, um conto, romance, peça, uma novela
ou ainda uma lembrança emocionante que lhe assalte a memória...
quando a comoção lhe bole fundo, e ele se desnuda dos seus ódios e torpezas,
das maldades, das vilezas e pequenezes tão peculiares...
quando a emoção o faz humilde, inofensivo, terno, um ser purificado...
quando o arrebata um sentimento que o desvanece docemente...
é a poesia que opera o milagre que atribui-se aos santos e aos deuses improváveis
e lhe traz do fundo d'alma o anjo puro e emocionado que ele tem dentro de si.
E é a poesia o ponto onde se encontra esse anjo belo
co'as correntes mentais benignas do cosmo;
ou faz então que se juntem mentes encantadas igualmente.
Assim, enfim, caso haja o metafísico, a união benévola das ondas que há nas mentes
fará que vejamos que não há linha qualquer que o separe do que é físico,
e a poesia assim será um dos tantos reveladores elementos
que fará que enfim nós enxerguemos
que a Lua e os homens, a Terra e os bichos, que o Universo
somos um só.
sábado, 30 de janeiro de 2016
QUEM DISSE QUE HITLER MORREU?
Tenho visto os analistas morrerem de rir com os impropérios de Donald Trump, como se ele não fosse mais que uma figura engraçada e inofensiva, e estivéssemos fora de alcance em sua suposta linha de ação. Acontece que esse cara, candidatao a candidato a presidente dos E.U.A. pelo Partido Republicano, já ostentando a primeira posição na preferência dos eleitores do partido, está em vias de concorrer com o representanto do Partido Democrata e ganhar as eleições americanas. Poderíamos dizer: e o que temos a ver com a eleição presidencial dos americanos lá do Norte? Mas infelizmente eu responderia: tudo. O que difere esse homem de Adolf Hitler é que este não é antissemita. No mais, é imperialista, igualmente racista, ou do contrário não teria aparecido na mídia mandando de forma arrogante que os refugiados da Síria voltassem pra seu país em guerra civil sangrenta.
Donald Trump é de extrema-direita, da linha de George Bush(pai), George W. Bush(filho), Ronald Reagan, e representa um grande perigo para países que, como o Brasil, não detêm armamento atômico.
Lembro-me de que, ao final do mandato, após devastar o Afeganistão e invadir o Iraque, e ainda ameaçar a Arábia Saudita, Bush filho voltou os olhos para a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, procurando chifre em cabeça de porco e um pretexto para nos atacar aqui e descarregar sua adrenalina belicosa de um sujeito obscuro com obsessão pela guerra. Embora estejamaos economicamente combalidos, temos muito a dar ou ser usurpado pelas grandes potências. Quem sabe Trump não viria para dar início àquilo que seu antecessor democrata não começou? Além, claro, de dar continuidade ao que o outro começara.
Se não podemos interferir nas eleições de lá, temos de pelo menos estar atentos ao processo eleitoral norteamericano e torcer para que o bom senso e o espírito de paz deem rumo ao eleitorado americano, e futuramente isso que mais parece um divertido bobo da Corte não se torne um rei de um imperialismo perverso e avassalador.
Barão da Mata
Donald Trump é de extrema-direita, da linha de George Bush(pai), George W. Bush(filho), Ronald Reagan, e representa um grande perigo para países que, como o Brasil, não detêm armamento atômico.
Lembro-me de que, ao final do mandato, após devastar o Afeganistão e invadir o Iraque, e ainda ameaçar a Arábia Saudita, Bush filho voltou os olhos para a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, procurando chifre em cabeça de porco e um pretexto para nos atacar aqui e descarregar sua adrenalina belicosa de um sujeito obscuro com obsessão pela guerra. Embora estejamaos economicamente combalidos, temos muito a dar ou ser usurpado pelas grandes potências. Quem sabe Trump não viria para dar início àquilo que seu antecessor democrata não começou? Além, claro, de dar continuidade ao que o outro começara.
Se não podemos interferir nas eleições de lá, temos de pelo menos estar atentos ao processo eleitoral norteamericano e torcer para que o bom senso e o espírito de paz deem rumo ao eleitorado americano, e futuramente isso que mais parece um divertido bobo da Corte não se torne um rei de um imperialismo perverso e avassalador.
Barão da Mata
sábado, 17 de outubro de 2015
DOS CASOS DE PTPATOLOGIAS PSÍQUICAS GRAVES----------- POR QUE NÃO FIZERAM MAIS PESQUISAS? SEMPRE BOM LEMBRAR.
Nunca mais pesquisas aqui pelo reino da Tupiniquínia. Embora eu saiba que de nada adiantariam. Porque a "rainha" decretou mesmo o seu não dia, mas "Tempo do Fico": " Se é para o mal de todos e infelicidade geral da nação, diga ao povo que fico." Cruzes!! Há quem diga que todos pagamos pecados, quer pelo que cometemos nesta vida ou na encaranação ou encarnações passadas. Se é assim, nós, brasileiros, somos pecadores pra cacete. E o mais curioso de tudo é que os seus meios de permanência foram os mais antidemocráticos possíveis. Nosso "amadíssimo" Eduardo Cunha recusa todos os pedidos de "impeachment", o STF dá um despacho que dificulta a tramitação de um processo de impedimento, Renan Calheiros agora é fiel escudeiro de sua Maje
stade, e "tudo fica como d'antes no quartel d'Abrantes". É impressionante ver que a vontade de umas dez ou quinze pessoas se sobrepõe à de noventa e três por cento da população do país. Isto é puro golpe político, antidemocracia irrefutável, prova cabal de que a sempre frágil democracia brasileira foi pro brejo de vez já a partir do dia em que o nosso "grande líder" (cada povo tupiniquim tem o grande líder que merece) Lula tomou posse na Presidência da República. Na página do MOVIMENTO BRASIL LIVRE https://www.facebook.com/mblivre?fref=tsjá há avaliações de que seja tarde para pensar em afastamento da mandatária e que muito provavelmente esta vai até o fim do mandato.
Embora tenha tecido inúmeras considerações sobre o maldito "Fico", quero me ocupar mesmo é dos sete por cento que aprovam o governo Dilma. Este grupo é formado por uma série de vertentes: a primeira, a meu ver, a predominante, é a dos militantes profissionais, gente que não trabalha e fica, logicamente em troca de benesses, os dias inteiros à disposição do PT, para defendê-lo com unhas e dentes. Este ramo fica desempregado, perde a boa-vida se o partido sai do poder. Esta gente se abriga nos movimentos sociais e sindicatos petistas. Não estou aqui dizendo que são os sindicatos e movimentos sociais petistas ou todos os integrantes destes, mas que os inseridos neste caso se integram aos sindicatos e movimentos sociais ligados ao PT. Uma segunda fileira é muito diversificada: compreende pessoas não necessariamente atreladas a sindicatos e movimentos, mas que mantêm uma relação de troca de favores com o poder, como alguns pequenos empresários, políticos da fisiológica base aliada e pessoas a estes ligadas, alguns artistas, profissionais liberais e dirigentes de corporações cujos nomes não posso mencionar (por não estar a fim de ser réu em ação judicial) e que são motivo de vergonha de seus profissionais. O terceiro grupo é o que precisa do partido no governo por conta dos assistencialismos baratos de Lula e Dilma, gente carente de recursos que precisa contentar-se com esmolas na ausência de políticas sociais verdadeiras. Agora, a quarta e última de todas estas bandas... é a banda dos ptpatológicos, ou pessoas que sofrem de ptpsicose, petismopsicose, ptpatologia ou petismopatologia mental crônica, que veem noticiários e acompanham os acontecimentos, sabem de tudo o que está ocorrendo, estão a par de todos os desmandos cometidos pelos governos petistas ao longo destes treze anos (que serão certamente dezesseis no mínimo, segundo análise de muitos), acompanham atentamente todos os movimentos dos praticantes de corrupção que tinham ou têm qualquer forma de ligação com o partido, sabem tudo, tudo mesmo, mas são capazes de esmurrar mesas e sair na porrada em nome da legenda. Estes sofrem de demência sectária grave intratável, são casos perdidos como os de torcedores e religiosos fanáticos que defendem seu clube ou sua fé com uma intransigência cega e perigosa. Nos casos patológicos a gente pode encontrar também os ptpatas, ou seja, psicopatas que, movidos por interesses ou não, estão dispostos a matar no caso de o PT perder o poder. São petistas que não admitem argumentações, questionamentos ou a própria realidade, não conseguem imaginar ou admitir um mundo sem o governo do PT aqui no Brasil.
sábado, 10 de outubro de 2015
FORA PT E PSDB JAMAIS!
Não consigo esconder o quanto abomino o PT, e isto dá a impressão de que sou simpatizante (ou seguidor) do PSDB, mas isto é um rotundo engano: não consigo digerir a existência do partido chamado "tucano". Detesto igualmente um e outro. Além disto, se fui ingênuo (ou idiota) o bastante para nutrir em mim a utopia socialista, hoje, após não crer mais em esquerdas e ter plena consciência de que defendia uma quimera, não me tornei por isto um admirador do pensamento neoliberal de Roberto Campos, Delfim Neto, Fernando Hernique (Fernando Henrique, sim! - que tem rótulo de socialdemocrata e conteúdo de capitalista selvagem). Longe disto, muito longe disto! Defendo que o inevitável capitalismo precisa ter sua fome de lucro incessante contida, porque, se vantagem financeira é saudável, esta pode tornar-se um flagelo quando dá corpo a uma distribuição de renda e de oprtunidades que estupram o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. O liberalismo econômico precisa ser freado, porque rouba de muitos o que é direito de todos: emprego, educação, segurança, habitação, etc... É preciso amoldar essa fome de capital doentia à necessidades das massas.
O PT não tem nenhuma ideologia senão a permanência no poder indefinidamente, é tão falso socialista quanto o ex-presidente FH e seus asseclas. O que difere um de outro é que na gestão petista os casos de corrupção adquiriram uma feição metastática ou septicêmica, na pessedebista, menos incidentes; mas corrupção é corrupção, não importa se em menor ou maior escala. Além disto, se por um lado "MInha Casa, Minha Vida" não é política habitacional, mas assistencialismo chinfrim como o "Bolsa Família", esmola que não educa, não prepara, não dá a nenhum beneficiário perspectiva de futuro... Se os programas sociais do PT não são verdadeiros, o PSDB sempre teve a franqueza de mostrar-se uma agremiação, tal como as gestões de Lula e Dilma,voltada para os interesses do grande capital.
Nas eleições de 2014 pensei em adotar uma terceria via: Marina Silva. Mas não entendi exatamente a que vinha a candidata, porque numa das respostas aos ataques de Dilma revidou dizendo que a petista devia cuidar de empreender a reforma trabalhista: fim do décimo terceiro salário, de férias remuneradas, de FGTS... ou o que entende então ela por reforma da CLT?
Poderia ter votado em alguém no primeiro turno, mas adoto o voto útila etapa inicial. votar de acordo com os meus princípios e minha consciência em um candidato sem chances é a meu ver mero exercício de vaidade: "Sabia que não vencia, mas votei em fulano, pra marcar minha posição!" Tô fora! Podem pensar o que quiserem.
O que mais me desalenta no momento é que estamos encurralados entre a cruz, a espada , o facão e o fogo: o Brasil precisa livrar-se urgentemente do PT, mas o "impeachment" daria posse ao Michel Temmer e ao fisiologismo sanguessuga do PMDB. Se o TSE cassa a chapa encabeçada por Dilma, novas eleições irão gerar grandes chances de ascender ao Planalto o Aécio e os seus neoliberais perversos. Se Dilma cai após dois anos de governo, assume Eduardo Cunha, que tem hoje a probidade muito colocada em questão e também traria consigo os insaciáveis pemedebistas. Não há para onde correr. Vejo um Brasil sem saída.
A classe política foi-se deteriorando ao longo dos decênios. Sempre houve corrupção, fisiologismo, mentiras e outros vícios, mas em meus quase 60 anos de existência nunca vi um cenário tão caótico e deplorável. Quando digo "PSDB também não", coloco no mesmo saco "tucano" o DEM, que é seu irmão siamês, o PDT, o PTB, o PP e inúmeras outras siglas partidárias que não mencionei. Nunca os políticos colocaram seus interesses pessoais acima dos do país como agora. O quadro do Brasil é mesmo septicêmico, a nação é um corpo agonizando numa infecção generalizada.
Barão da Mata
domingo, 4 de outubro de 2015
BELCHIOR, ESQUECIDO, O PENSADOR DE VERDADE
A área de cultura do Brasil deve muito a Antônio Carlos Belchior, este cearense nascido em Sobral, no ano de 1946. Autor de sucessos do quilate de "Como Nossos Pais"(interpretado magistralmente por Elis Regina), onde observa que, "apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais", numa contatação de que toda geração se vê evoluída e sábia em relação às anteriores e no entanto depois constata com certa frustração que é pouco diversa destas, quer no pensamento como no comportamento, não trazendo consigo as profundas mudanças sempre desejadas e não tendo ido além de uma postura rebelde natural e instintiva dos humanos. Na música ainda alude a que nem sempre os líderes e formadores de opinião são, se comparados aos seus seguidores, apegados de forma aguerrida às coisas que professam, tendo até um profundo zelo pela autopreservação: " Hoje eu sei que quem me deu a ideia de uma nova consciência e juventude, tá em casa, guardado por Deus, contando vil metal". Um niilista o Belchior, com ideias claras e canções altamente melodiosas.
Dentro deste mesmo niilismo cria "Dândi", com trechos como: "Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser rebelde, se conseguir licença do meu broto e do patrão. Um Gandhi dândi, um grande milionário socialista: de carrão chego mais rápido à revolução." Já não acreditava num socialismo hoje numa profunda crise de credibilidade, doutrina utópica da qual muitos líderes despudorados se aproveitaram para enriquecer e se encher de poder enquanto manipulavam seus adeptos, que morriam e matavam em lutas sangrentas. É quase que inteiramente a reafirmação do que deduz na música cantada por Elis. Belchior é um visionário.
Em "Pequeno Perfil de Um Cidadão Comum" fala das pequenas (ou grandes) ilusões e enganos do pequeno-burguês: "Era feito aquela gente honesta, boa e comovida, que caminha para a morte pensando em viver na vida. Era feito aquela gente honesta, boa e comovida, que tem no fim da tarde a sensação da missão cumprida."
Belchior é um pensador inato, observa a vida e as pessoas com olhos aguçados, é um homem de perspicácia incomum, que hoje se vê perdido, sem rumo e sem norte, falido, menosprezado, desconhecido das novas gerações, corrido, fugido, esquecido.
O Brasil é extremamente injusto com quem cria de verdade. Este mesmo Brasil que define Valeska Popozuda como "pensadora", renega o genuíno talento, chuta pra longe quem tem real valor e fica cultuando a breguice ridícula e rasteira do "funk", as celebridades indevidas e descabidas dos "big brothers" e outros "reality shows" da mesma vil e baixa qualidade: são universos desqualificados e carentes do mais ínfimo intelecto, com apelos sexuais que nem por uma fração de segundo os consegue elevar de algum modo. O Brasil não gosta do que é antigo, despreza a própria cultura, odeia cultura na acepção de conhecimento, por isto é o paraíso dos espertalhões da política e do poder econômico, que amoldam a cabeça das massas ignaras aos seus interesses, produzindo concentração de renda e consequente pobreza, ignorância, miséria, deixando-lhes como forma de consolação as famigeradas bolsas-família e outras esmolas nascidas da infâmia dos poderosos.
Não nos iludamos: um povo que não sabe escolher seus artistas, muito menos sabe escolher seus representantes e dirigentes. Uma gente que não tem conhecimento só sabe produzir para si mesma miséria, uma miséria autotrófica, porque produz para si os elementos de que se nutre, que são a ignorância e o desconhecimento, que mantêm a miséria firme e vigorosa em seus alicerces.
Todo este quadro aprofunda e agrava o processo de declínio e empobrecimento cultural pelo qual o país passa, fazendo deste uma nação sem memória, sem cultura própria, sem tradições e sem conhecimentos, sem referência nem noção de valor artístico, atada com garras profundamente encravadas à sua ignorância.
Barão da Mata
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
ALGOZES DA VIDA DO MUNDO
Quando o sol veio como fogueira
e secou plantações e florestas,
trazendo a morte e a fome,
não era a fúria de Deus,
era o dedo sujo dos homens,
que não sabem senão destruir.
Quando agrestes e matas arderam
em labaredas tão giganterscas,
não era a maldade do Demo,
mas de homens piores que ele,
que adoram queimadas e mortes,
cultuam somente o lucro,
num deleite tão bestial.
Quando vendavais imensos zumbiram,
tombaram o que havia em seu curso,
trouxeram tempestades dantescas,
imergindo, soterrando e matando
crianças, idosos e bichos,
foi tudo fruto do estupro
de humanos à natureza.
Dizei-me, Deus, respondei
que inferno puniria a contento
pecadores tão sujos e infames,
pessoas tão más e tão sórdidas?
Se, Deus, sois justo, falai
por que os deixastes nascer
pra desgraça tão grande do mundo?
domingo, 20 de setembro de 2015
AS DOUTRINAS E IDEOLOGIAS SÃO O CALABOUÇO DO PENSAMENTO
Não gosto de doutrinas porque elas tolhem o pensamento. Porque prentendem (e geralmente conseguem) que seus seguidores pensem de acordo com um modelo padronizado a ser rigorosamente obedecido. Assim ficam delimitados os campos da concepção de ideias, do discernimento, da criatividade, da visão sobre a vida e o mundo, da própria individualidade de cada um.
Digo-o hoje com muita propriedade porque durante vinte anos de minha vida pensei dentro dos limites dos padrões estabelecidos por ensinamentos de uma esquerda na qual não creio mais. Nunca militei ou me filiei a qualquer partido político, mas pensava como um socialista democrático, como se um dia no mundo algum país houvessse conciliado socialismo e democracia, como se o socialismo houvesse sido praticado de verdade e não fosse unicamente uma utopia que tornou-se objeto de manipulação de manda-chuvas autoritários, para que estes se locupletassem e abrissem para si e seus asseclas um verdadeiro paraíso de regalias com enriquecimentos obtidos por meio de vastíssimos oceanos de corrupção.
Nas religiões a forma de amoldar as ideias é bastante semelhante à da política. Assim como no socialismo há Marx (que nunca li) e outras publicações, a base das religiões cristãs, como o catolicismo, o protestantismo e kardecismo ( que é um espiritismo cristão, sim!) é a Bíblia com os seus evangelhos, cartilha que se deve seguir à risca. Em todas as religiões calcadas em Cristo há sobretudo uma obriogatoriedade intransigente de se crer em Deus. No caso específico do espiritismo de Allan Kardec (1804-1869), nunca ninguém aventou a possibilidade de o estudioso francês haver tido a necessidade de alinhar suas ideias à fé dos cristãos por receio de aquelas e ele próprio serem cruelmente pisoteados pela intolerante Igreja Católica.
Assim como ao Kardecismo, frequentei uma filosofia chamada Racionalismo Cristão, que vê Jesus como filósofo maior, mas não crê em uma entidade única a comandar o Universo com todas as suas galáxias e dimensões: em outras palavras, não crê em Deus, mas que uma infinidade de espíritos evoluídos imbuam-se da incumbência de ajudar e socorrer os humanos. Não é por isto, todavia, que tal filosofia que vejo como religião não obedece a uma doutrina tão lacrada a discussões e questionamentos como as outras.
O problema maior das doutrinas é que acabam, não sempre intencionalmente, abrindo espaços para que seu secto (ou parte considerável deste) incida na intolerância e nas práticas fundamentalistas, como acontece onde se vive sob os desígnios da fé comunista, como ocorre no Brasil, onde alguns grupos criminosos de protestantes atacam os adeptos de religiõeas africanas e de outras formas de espiritismo; como é onde se tem a presença de partidários do fundamentalismo islâmico e de atrocidades decorrentes deste. Este tipo de intolerância logicamente abriga três vertentes: uma que é verdadeiramente cega, irracional e defende a fé como defendesse Deus e própria vida, uma segunda, que não pretende mais do que manter os próprios privilégios e preservar a solidez da estrutura que a favorece, e a última, que reúne em si os dois quesitos.
Embora tenha mencionado os casos em que as ideologias e doutrinas têm desdobramentos mais graves, meu intuito é ocupar-me das situações mais prosaicas, em que o comprometimento do discernimento e da concepção do pensamento não provoca assassínios e tragédias. De modo que insisto em que a religiosidade não precisa obedecer a um parâmetro ou critério estabelecido. Da mesma forma como, apesar de não mais crer no socialismo (a não ser como utopia), defendo veementemente uma distribuição de renda mais justa e milhões de anos-luz distante deste neoloiberalismo demoníaco e perverso praticado no Brasil e no mundo. No Brasil, sim, porque os governos petistas são tão capitalistas quanto os pessedebistas, com a diferença de que os primeiros(petistas) são populistas. O país pode melhorar muito socialmente se os salários forem menos irrisórios, e os tributos, justos e permitirem uma carga maior sobre os ombros dos realmente abastados, se o Estado arcar com a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura de um modo geral, e com a liberação de verbas para uma política habitacional genuinamente séria, sem que isto implique na estatização das fábricas, comércios, dos meios de produção em geral ou mesmo do sistema financeiro. Haveria então mais justiça na divisão de recursos sem uma cartilha socialista (sem doutrina).
Em conclusão, embora a minha dificuldade (mas não impossibilidade) de crer na existência de algo além da vã filosofia entre o céu e a terra, não me sinto compromissado com minha condição materialista atual. Por isto, entre mil outras razões, penso que um ser humano não deve e não pode deixar suas ideias se restringirem às paredes do encarceramento intelectual que representam as doutrinas e ideologias.
Barão da Mata
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
O ANTI-HERÓI III
Não sou bom-moço nem sou parnasiano,
Não sou de rezas, rituais e cerimônias,
Não canto hinos nem exalto flâmulas, bandeiras.
Fico distante de senhores, poderosos e excelências,
Mais longe ainda de homenagens, rapapés e de discursos.
Digo palavras de corar os puritanos,
Louvo o pecado como os monges louvam os anjos.
Não danço a música dos modos comportados.
Recito uns versos embebidos na luxúria,
Digo meu não quando todos dizem sim,
Solto impropérios quando querem louvações.
Em nada creio onde impera uma fé cega,
Jogo ironias onde querem comoção.
Minha'alma é livre, planando em minhas asas,
Nada me prende senão a moça que me encanta,
Senão os desejos e emoções que me arrebatam,
Senão os amores que me fazem doce plenamente
E que me elevam em tão imensurável bem-querer.
Não sou de rezas, rituais e cerimônias,
Não canto hinos nem exalto flâmulas, bandeiras.
Fico distante de senhores, poderosos e excelências,
Mais longe ainda de homenagens, rapapés e de discursos.
Digo palavras de corar os puritanos,
Louvo o pecado como os monges louvam os anjos.
Não danço a música dos modos comportados.
Recito uns versos embebidos na luxúria,
Digo meu não quando todos dizem sim,
Solto impropérios quando querem louvações.
Em nada creio onde impera uma fé cega,
Jogo ironias onde querem comoção.
Minha'alma é livre, planando em minhas asas,
Nada me prende senão a moça que me encanta,
Senão os desejos e emoções que me arrebatam,
Senão os amores que me fazem doce plenamente
E que me elevam em tão imensurável bem-querer.
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
E AGORA, MEU POEMA?
Após ler comentários negativos ( de uma só pessoa) sobre alguns dos meus poemas, como por exemplo "Noite Deserta" http://baraodamata.blogspot.com.br/2010/03/noite-deserta.html , que recebeu a observação de que as imagens poéticas com ninfas e Dionísio estariam muito batidas (eu só os coloquei porque realmente quis rebuscar a poesia), "Se a Tristeza Vier"http://baraodamata.blogspot.com.br/search?q=SE+A+TRISTEZA+VIER, que me valeu a crítica de que o trabalho, por estar no modo imperativo, mais parecia uma pregação, crítica esta ilustrada com a afirmativa de que Boudelaire jamais faria aquilo ou então logicamente não seria Boudelaire, e por último, por criar "Outra Quase Cantiga de Roda"http://baraodamata.blogspot.com.br/search?q=OUTRA+QUASE+CANTIGA+DE+RODA , a arrogante espinafrada de que os meus poemas mais parecem uma colcha de retalhos, feita com trechos de músicas antigas, sem no entanto ter a poesia das respectivas letras... Depois de ouvir (ler) isto tudo, preciso dar alguma resposta às cacetadas recebidas:
E agora, meu poema, que te faço?
Abandono imagens belas e metáforas?
Só faltou que cruelmente te chamassem
Casa pobre com adornos ordinários.
Que fazer agora, então, meu verso?
Deixo para trás os sóis, luares e as estrelas,
O silêncio tão cantor das madrugadas,
As varandas, as penumbras e os quintais?
Que será, meu canto, dize a mim, dos seresteiros,
Inspirados violeiros das esquinas?
Que será, se até Dioníso, deus de todas as orgias,
E as ninfas foram expulsas das letras sobre esbórnias?
Ai, meu Deus(!), e agora como vou fazer a poesia
Sem ardores, sem morenas de peitos bem durinhos,
Sem o samba, sem um louco, um desregrado ou vagabundo?
E agora, me falais vós que me ledes, se é belo ou se não é
Um poema ornamentado de jardins e sóis dourados.
Como doravante vou falar das paixões que me inquietam
Sem o céu cheio de prata e sem a brisa das manhãs?
Não xingueis a mim se porventura parecerem
Os meus versos financeiros, eletrônicos, criminais, policiais.
E agora, meu poema, que te faço, que te faço?
Ah, meu poema(!), insistente e teimoso erro repetido
Ao longo destes anos e decênios tão compridos,
Transformado em coisa vil a demandar saco de lixo.
Por que não imitei ou me alinhei a Baudelaire ou Mallarmé?
Por que diabo, meu poema, não fui ser parnasiano?
Ou então por que não fui concretista ou mesmo seiscentista
Ou qualquer coisa diferente do poeta que me fiz?
Meu poema, meu poema(!), dize a mim, enfim, poema,
O que faço, o que faço(!), o que faço ora de ti?
II
Há, poema, quem se queixe mesmo até
Das poéticas licenças de que abuso:
São licenças obtidas na prefeitura literária
(Mas que tirada infame em verso tão sem melodia! Arre!)
2012
FESTIM DA VOLTA
Dourei de sol minha manhã,
Embora houvesse chuva fina.
Enchi de amor minha canção,
Me fiz mais terna mansidão,
Tornei-me doce poesia,
Para aguardar você voltar.
Reli poemas tão bonitos,
Enchi meu peito de alegria,
Cheirei profundo o vento leve,
Enchendo a alma então de brisa,
Ornei meu peito de paixão,
Para aguardar você voltar.
Deixei o vinho sobre a mesa,
Pus a tocar mil melodias,
Me fiz devoto aos sons mais belos,
Pintei a casa de poema,
Tornei-me orquestra de alegria,
Para aguardar você voltar.
Guardei um verbo tão macio,
Abri meus braços para a vida
Me fiz tão uno co’o lirismo,
Lhe fiz uns versos de paixão
Tão parecidos co’oração,
Para aguardar você voltar...
2012
Poema musicado por Marcelo Bizar, que interpreta a canção:
sábado, 1 de agosto de 2015
SE DILMA NÃO SOFRER "IMPEACHMENT", PREPAREM-SE: VAI DAR GOLPE! VAMOS SER OUTRA VENEZUELA
Sempre ouvi dizer (concordando plenamente) que o passado, quando esquecido, tende a se repetir. As sociedades não podem viver sem memória histórica, ou seja: haver nascido após o fim de determinado processo político não desobriga nenhuma população de conhecê-lo, justamente para evitar que este ressurja.
Nasci em 1958, tinha portanto 6 anos em 1964, mas a pesquisa me fez deduzir que o ensaio pré-golpista do governo Dilma, por assemelhar-se ao daqueles idos, é bastante sintomático.
Ninguém pode dar um golpe sem respaldo de alguns setores, e os militares e o poder econômico fizeram maciças campanhas na mídia, respaldaram-se no Congresso, na Justiça e em líderes políticos de grande projeção, como Carlos Lacerda, governador do antigo Estado da Guanabara, atual Rio de Janeiro, Magalhães Pinto, governador de Minas, que conduziu tropas até o Rio. Foi assim criada a grande atmosfera que permitiu a derrubada do então presidente João Goulart: os militares tinham o apoio da mídia, que formou a opinião da população, o da maioria dos congressistas, além do silêncio do Judiciário, que percebeu bem que uma batida de martelo tem bem menos força do que um tiro de canhão. Foi justamente um ano depois que nasceu a TV GLOBO. As Organizações só contavam antes com o jornal O GLOBO e a emissora de rádio do mesmo nome e suas afiliadas, entidades já antes alinhadas aos golpistas. A concessão foi um presentaço de Papai Noel dado pela regime.
Neste momento Dilma se respalda no STF, onde ostenta folgada e confortável maioria. Conta com uma base aliada e um Congresso que, embora hoje rebeldes, são muito sensíveis a agrados e "mimos", como verbas, cargos e coisas do gênero. Sabendo disto, já tem ela trabalhado no sentido de conter as insatisfações dos políticos. Não será difícil obter o apoio da maioria. Assim, o PMDB (principalmente) pretende mantê-la onde está até o final do mandato, justamente pelas benesses que já recebe e ainda receberá. Quanto à mídia, o Jô Soares, excelente garoto de recados dos Marinho, foi ao Palácio da Alvorada e deu um programa inteirinho à presidente e à sua defesa, com o fito de resgatar-lhe a aprovação, hoje em minguados 7%. Depois a mandatária esteve no programa da Ana Maria Braga (Não vi. Será que fritou batatas?). Não demora e vai estar no Faustão e ainda vai ser comentarista dos jogos de futebol da emissora. Hoje, quando a Cristiana Lobo se refere a ela, só falta falar "coitadinha" e ainda age como porta-voz do Planalto. A dúvida que a empresa da política nada versada deixa é: conseguirá com o amparo da Globo recuperar a simpatia popular? Não sei, mas, se não, eu respondo com uma máxima irônica do falecido mestre Millôr Fernandes: "Opinião pública é aquela que se publica." Precisa mais? Não é necessário sustentação popular: Nicolás Maduro não tem e continua governando com poderes absolutos.
Vou até contar uma "pérola" sobre o ditador venezuelano. Como este tem sido sempre alvo de protestos e manifestações, baixou uma resolucão que permite às suas forças armadas e polícias atirar em manifestantes para matar: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/206122-venezuela-autoriza-atirar-contra-protesto.shtml . http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/maduro-decide-mandar-bala-em-manifestantes-nossas-esquerdas-aplaudem/ . Entendem agora onde fica a opinião pública? Em outras palavras, as coisas podem acontecer, e a imprensa não publicar ou maquiar.
O que não é difícil, se a Globo tentou fraudar as eleições estaduais no Rio de Janeiro em 1982, tentando colocar Moreira Franco no Palácio Guanabara e evitar a posse de Leonel Brizola. A afinação global com as ditaduras sempre foi tão íntima, que uma vez, procurado por uma autoridade militar que queixava-se de o jornal O GLOBO ter comunistas, o imperador Roberto Marinho respondeu-lhe: "O senhor cuida dos seus comunistas, e eu cuido dos meus."
Dentro deste contexto, entretanto, os que respaldam Dilma não vislumbram ainda outros riscos: ela pode mais tarde fechar o Congresso, fazer valer a lei de regulação da mídia que prometeu em sua campanha de 2014, assim como Ernesto Geisel fechou o parlamento e impôs a Reforma do Judiciário. Assim V. Excia. calaria as oposições, os veículos de comunicação e ainda de sobejo poderia limitar em muito a liberdade de ação e movimento do Judiciário.
Há porém uma diferença dos dias de hoje em relação aos tempos da ditadura. Naquele tempo o cérebro do regime era o Golbery do Couto e Silva, general de maldade, cultura, brilho e talento político inquestionável, conhecido nas esferas políticas como "o bruxo", pela sua capacidade de articulação e maquiavelismo; e os presidentes militares não cometiam erros políticos crassos que Dilma comete por ser absolutamente despreparada para o exercício da chamada "arte" da política. E ainda pra piorar vamos ter por detrás da cena, no lugar do Golbery, o Lula?! Acho que o regime de exceção que se desenha no horizonte será muito pior do que o de 1964 a 1984. Imagine um golbery analfabeto com a batuta na mão?
A possibilidade de golpe é, a meu ver, um plano B que o PT já tem na manga há muito tempo, porque , ainda em 2013, uma vez conversei com um jornalista petista, e este, além me ter dado um banho de conhecimentos, pelo tom autoritário com que falou, me fez sentir que o partido fica no poder para sempre, custe o que custar a quem quer que seja.
Barão da Mata
terça-feira, 5 de maio de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
ERRATA
ERRATA: Eu disse no vídeo no link abaixo "...dos zelotas, que queria..." em vez de "...dos zelotas, que queriam..." Sou mesmo um monte de lapsos com uma pessoa dentro.
http://baraodamatatotal.blogspot.com.br/2015/04/cuidado-com-os-terroristas-das-redes_9.html
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