A direita e a extrema-direita são igualmente egoístas e antidemocráticas (esse negócio de direita democrática é balela) mas guardam algumas diferenças entre si. Ambas não gostariam que povo votasse, mas, enquanto a direita trabalha pra manter o eleitorado ignorante, a extrema-direita prefere o voto de cabresto, de papel e com os escrutinadores sob a mira de espingardas.
Poemas, vídeos, fotos, comentários, humor, crônicas, contos, músicas, uma variedade de produções. Compilação dos escritos e outros trabalhos produzidos ao longo do tempo. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=cFo4AlOIx-MrxOJC Demóstenes "Barão da Mata"
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domingo, 25 de junho de 2023
O QUE DIFERE A EXTREMA-DIREITA DA DIREITA
A SOCIEDADE BRASILEIRA AINDA É A MESMA DOS ANOS DE CHUMBO
É perda de tempo, desperdício de energia, burrice discutir, debater ou tentar argumentar com um bolsominion. Vários analistas já disseram e repisaram que Bolsonaro não criou o bolsonarismo: o extremismo de direita já estava arraigado, latente, pulsante numa parcela altamente significativa da sociedade brasileira. O capitão expulso do Exército só foi o abre-alas, o escancarar das porteiras para essa gente liberar, dançar, bradar e praticar toda a sua sordidez, perversidade, injustiça e cinismo tão peculiares. Ou acaso algum maior de sessenta não se lembra de que, nos tempos da ditadura, muitos pais e avós rememoravam o fatídico dia do famigerado golpe com uma alegria de debutante, deliciando-se da lembrança do momento em que Mourão Filho, Magalhães Pinto e outros golpistas colocaram seus meganhas armados até os dentes em marcha?
Após o maldito evento, era muito comum, já no auge da era da repressão, observarem que "fora a melhor coisa acontecida, porque era mister acabar com aquela 'patifaria' de greves, manifestações, 'arruaças'", tudo reações legítimas de cidadãos por qualquer motivo insatisfeitos com a própria condição social e o total desprezo dos patrões e setores públicos para suas causas.
O falso moralismo tomou conta das famílias e da mídia. Não podia haver triângulo amoroso nas telenovelas, a produção musical foi objeto de severíssima censura. Afinal o regime se fingia muito voltado para o bem-estar da família, e o contexto era inspirado na "marcha da família com Deus, pela liberdade" (marcha, aliás, da qual Deus esteve absolutamnte ausente), em que a classe média, imbecil como sempre foi e será, deu as mãos às elites e se tocou pras ruas a defender a grande propriedade e os latifúndios, como se fora também rica (aliás, sentindo-se abastada), como se defendesse o que houvesse de mais justo e virtuoso, sem a menor consciência de que era um ente numeroso e rastaquera naquele movimento.
Lembro-me perfeitamente daqueles tempos de pós-1964, em que os casais pais de família ficavam de suas janelas de quarto escuro e cortina fechada a observar as filhas dos vizinhos que chegavam de carro com os respectivos namorados e com esses trocavam algumas carícias ousadas. Era depois uma série de comentários à boca-pequena, que só perdiam força quando se tomava conhecimento de que alguma outra mocinha (ou aquela mesma) era descabaçada. Virge! Nossas "impolutas" famílias se lambuzavam com aquele prato delicioso como o próprio manjar dos deuses. Era fato, entretanto, que aqueles verdadeiros sentinelas da moralidade, quando estavam ainda habilitados para o pecado, tinham lá, marido e mulher, suas amantes e seus amantes, muitas das vezes os homens deixando esposa e filhos carentes de coisas essenciais e básicas, já que gastavam muito com alguma outra mulher mais graciosa e com os abortos que tanto condenavam, mas praticavam em nome da preservação do sacrossanto ambiente familiar. Quando as respeitáveis senhoras casadas engravidavam de alguém que não fosse o marido, a solução era mais simples: o cônjuge comemorava o nascimento da criança com um riso de orelha a orelha e muita cerveja, certo de ser seu o recém-nascido. Afinal eram todos religiosos, tementes a Deus, pessoas de bem, e uma boa e grande mentira ia-lhes muito melhor do que uma verdade imoral.
Assim como hoje os predominantes protestantes renegam as seitas africanas, os predominantes católicos da época renegavam-nas como ao próprio Diabo, embora não fosse extremamente raro recorrerem aos orixás quando achavam que Deus e os santos do catolicismo estavam demorando a proporcionar-lhes prosperidade, a morte de algum desafeto ou a mulher ou homem de alguma outra criatura.
O racismo e a homofobia eram declarados em alto e bom tom, apesar de muitos dos preconceituosos serem também mestiços e oportunamente se envolverem em carícias e atos sexuais com criaturas do mesmo sexo. As drogas também eram veemente condenadas e muito usadas. Mas o que são pequenas contradições numa sociedade ciosa do seu dom religioso e dos seus deveres cívicos? Havia filhinhos ordeiros de casais exemplares e bondosos que estupravam (e alguns até matavam) por aí, mas, se algo fosse descoberto, eram vistos com leniência pelas autoridades policiais e tomados como rapazes imaturos e peraltas, que ao amadurecer "tomariam jeito". Aliás, essa coisa de estupro, tal como espancamento de mulher e feminicídio, sempre foi cultural por aqui, sem que muita gente se sentisse indignada e revoltada com a incidência desses casos tanto ontem como hoje.
O único pecado capital, imperdoável, irreparável era a desobediência aos desígnios dos nossos senhores detentores do poder. Nada de greves, manifestações, protestos, críticas aos militares, pois tais atitudes podiam culminar em prisão, tortura e morte -- inclusive dos entes queridos dos torturados. Mas o que, segundo a visão da gente daquele tempo, que outro destino poderia merecer um "mau cidadão"?
O homem de bem era, antes de tudo, aquele que não proferisse nenhuma palavra ou praticasse qualquer ato contrário à ordem estabelecida. Homens assim eram dotados de grande disciplina, grande caráter, grande patriotismo, grande civismo. Fica assim fácil entender porque a violência contra mulheres, negros, homossexuais era tratada com tanta condescendência. A mentalidade da sociedade, implicitamente, acolhia como uma espécie de recreação de uma população bem-comportada essa gama de crimes revoltantes e deploráveis que mencionei.
Ah! Quase me esqueci de comentar que aquelas famílias de bem se metiam em muitas falcatruas também. Havia muita corrupção naquele verdadeiro império da mais absoluta decência.
Ao final da ditadura militar, quando Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral e, ante seu impedimento por morte, José Sarney, civil, tomou posse, achei que caminharíamos indefinidamente dentro de um Estado Democrático de Direito. Em 2017, quando Bolsonaro anunciou sua candidatura à Presidência da República, achei que não teria ele a menor chance, pois pensava aqui comigo que, 32 anos depois da redemocratização, as viúvas da ditadura, do extremismo de direita e do regime de exceção estivessem em sua absoluta maioria mortas. Meu erro crasso foi não contar que esses saudosistas tivessem deixado vivo seu pensamento torpe, cruel, calhorda e cínico, como um ser que espalha excrementos por onde anda, que inocula micro-organismos nocivos em toda corrente sanguínea que encontra, e os seus filhos e netos são a sua mais perfeita reprodução e reencarnação... reprodução e reencarnação de criaturas que não deveriam sequer ter nascido.
Bolsonaro perdeu a eleição presidencial, mas a direita e extrema-direita lotaram o Congresso Nacional, as regiões do Brasil, à exceção do Nordeste, estão contaminadas pelo pensamento extremista de direita, e os ataques aos negros, mulheres, homoafetivos, umbandistas, candomblecistas, os achaques de autoridades e políticos, os estupros, violência de todo gênero, além de as elites permanecerem no memso processo de usurpar tudo das classes menos favorecidas. As pessoas não mudaram nada! O Brasil não mudou nada! E ainda vive perturbado e amedrontado pelo fantasma do nazifascismo que não para de nos rondar.
sábado, 27 de maio de 2023
MELANCOLIA III
Se a tristeza me tocou, tão inclemente
Como dedasse uma ferida viva em sangue
Bem no meio do mais fundo do meu coração...
Se mergulhei no passado mais distante
E lamentei o que foi e aconteceu
Além de tudo o que não houve ou ocorreu...
Se tanto andei dentro de casa como autômato
E me sentei, deitei, silente como um quadro estático
E tão parado como olhar que fita o longe tão somente...
Se me fiz mudo, quedo, quedo como estátua
Em beco escuro, deserto e enegrecido pelo tempo
E não quis sair pelas tão tristes ruas da cidade...
É que nada, nada pode ter razão alguma,
É que a alma em mim se encheu de sombras
E de um canto triste, melancólico, inaudível,
E pisei no nada, e adentrei o nada, e o nada é dentro deste apartamento
Que dá vista a tudo o que não há, não é, que não existe,
Não se vê, não se encontra nem vislumbra, não se encontra simplesmente.
sábado, 25 de março de 2023
A CONSPIRAÇÃO DAS ELITES
Não é possível que as pessoas de espírito democrático não se tenham apercebido, mas é notório que existe um complô gravíssimo em andamento, e esse conluio tem ampla participação da mídia e principalmente das "Organizações Globo", que vêm sistematicamente colocando Lula na condição de vilão no embate do presidente com Roberto Campos Neto e na sua despreocupação em afagar os chamados "mercados".
Vamos primeiro tentar elucidar o que diz respeito à "Globo", que servirá de paradigma para que entendamos a questão do restante da mídia. A emissora é uma representante, uma preposta, uma advogada fiel, retórica, veemente, ardorosa e canina do mercado financeiro. O porquê disso é fácil entender se nos perguntarmos: quanto a emissora e seus proprietários e dirigentes investem em especulação no mercado financeiro? Quantos dos seus anunciantes jogam nessa ciranda de ganho fácil e rápido? Quantos megaespeculadores têm influência direta sobre o conglomerado midiático (Globo) e retirar-lhe-iam o apoio caso os globais não os defendessem como mães leoninas? Em suma: a "Globo" defende os seus anunciantes, seus donos e gestores e todos aqueles que nela investem de algum modo. Ficam entendidos, então, os motivos de comprar de peito aberto a briga dos chamados "mercados", que são um bando de indolentes que investem fortunas imensas em tudo o que não produz sequer um alfinete, e não geram um posto de trabalho que seja. Quer dizer, gerar empregos até que geram, mas unicamente para alguns operadores de suas jogadas no mundo das finanças, tão poucos a ponto de serem absolutamente irrelevantes no que concerne ao que podemos chamar mercado de trabalho.
Bolsonaro, não veiculando nada através da emissora, submeteu-a a um processo de estrangulamento financeiro que a induziu a fazer ferrenha oposição ao ex-presidente, apesar de achar Paulo Guedes, por sua desumanidade e obstinação em tirar tudo das classes não-abastadas para dar aos do topo da pirâmide, uma espécie de deus protetor dos ricos. Queria Bolsonaro fora e Paulo Guedes dentro.
Agora vamos analisar outras questões e entender o tamanho do bolsonarismo.
Bolsonaro é uma invenção da mídia, dos militares e dos megaempresários de todos os setores. Os militares queriam voltar à cabeça do poder e conseguiram: embora aparentemente fossem cegamente obedientes ao seu presidente-títere, na verdade obtiveram privilégios e regalias que só os milItares das ditaduras obtêm, além de não se incomodaram nem um pouquinho em desemprenhar o seu papel no teatrinho do quem-manda-quem-obedece. Os empresários queriam alguém que propiciasse-lhes ficar mais opulentos do que já eram e acabaram recebendo mais do que pediram a Deus: Bolsonaro é o pai dos ricos. A mídia entrou na história para conquistar os mesmos benefícios dos senhores de empresas e cumpriu sua voluntária função de grande arauto: "O Brasil está desequilibrado e só será feliz e estável se eleger Bolsonaro!" Deu no que deu: o capitão se elegeu, abençoou mídia, milicos e ricos, mas deixou a "Globo" e a "Folha" de fora.
Você pode agora perguntar: "Depois da política absolutamente contrária a vacinas, com tantas mortes por covid, com tantas queimadas em nossas matas, com garimpo e desmatamento ilegal e tanto martírio dos yanomâmis, as elites, a mídia e os militares se mostram tão saudosos da aberração que chamaram de presidente?" A resposta é simples: cada um quis e quer o seu, o seu poder e dinheiro lotando os bolsos, nada se importando com o que ou quem morre, sofre, fica cego, mutilado, retalhado, esfolado, martirizado, triturado, incinerado ou o que quer que seja. "Apoiam o pavoroso", você volta a indagar, "apesar do evidente perfil autoritário? " Ora, eu respondo, as elites sempre se beneficiaram de todas as ditaduras capitalistas do mundo (as ditaduras comunistas foram ditaduras, mas jamais comunistas). Os ricos são os protegidas de todos os governos autoritários, e o seu poder econômico suplanta fartamente o poder bélico dos fardados, que deles recebem ao invés de expedirem ordens, ou seja, subordinam-se aos opulentos. E tem mais: falar em direita democrática é o mesmo que admitir a existência de um leão vegano.
Voltando à questão central, o complô em andamento, a mídia vem fazendo um trabalho ostensivo de desgastar o governo Lula ante a opinião pública, em prol dos especuladores, de si própria e de magnatas que lhes dão ordens claras e objetivas. Diante de tal quadro, o que muito estranho é o fato de o PT não colocar a militância nas ruas, para empunhar cartazes e bradar palavras de ordem no intento de fazer contraponto a esse movimento que podemos chamar no mínimo de mesquinho.
domingo, 12 de março de 2023
PRECE ODIENTA
Quem se sente superior a cães e gatos
Ou a qualquer outro animal
É na verdade inferior a qualquer seixo ou verme,
Mas ressalvo que o seixo é mineral
E o verme não tem do mal que faz nenhuma consciência.
Quem se vê melhor que um inocente bicho
É bestial como Nero, Hitler e Calígula
E, cínico e sórdido, se recusa a aceitar que é verdadeiro
Que a supremacia sobre as outras espécies deste mundo
Não é um direito humano, não, jamais.
Deus, se existis, nunca os perdoeis
E infligi-lhes em dobro o mal que sempre causam
Aos nossos irmãozinhos de patas e focinhos,
Às criaturas das águas, da terra e com escamas.
Uni, meu Deus, os não-demonizados
No combate a tais homens podres, vis.
Castigai-os sem clemência ou piedade,
Condenai-os ao inferno em plena vida
Destinai-lhes os calabouços, sofrimentos,
Não lhes deis jamais, jamais a paz.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
FAMÍLIA
Família é um grupo de pessoas que (independentemente de vínculos sanguíneos), morando e vivendo não necessariamente sob o mesmo teto, se ligam por laços de amor e de afeto. O mais é mera instituição.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
AS RUAS DA POESIA
Eu preciso, sim, que os [seresteiros se revezem
Em suas cantigas lamentosas, [doces, cheias de passado,
De saudade, nostalgia, de paixão [e solidão.
Eu preciso sair atrás dos violeiros
Que espalham poesia pelas ruas,
Pelos bares, becos, por jardins e [por pracinhas,
Arrebanhando em seu caminho a [multidão.
Quero seguir a turba nessa [marcha maviosa
E sair murmurando cantos lindos
Como quem acompanha, [devotado, a procissão.
Quero fios de lágrimas nos olhos [das mulheres;
Quero os homens cheios de ilusões da [adolescência,
A alegria e a tristeza se abraçando
Num sentimental e elevada [comunhão.
Quero ver em cada ser humano [um poeta,
Em cada olhar, uma uma paixão, [pureza romanesca,
Em cada casal, uma entrega [simplesmente transcendente
E a poesia irmanando toda a [gente emocionada,
Em sentimentos tão sublimes e [repletos da mais plena [enlevação.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
"MEU PASTOR"
sábado, 11 de fevereiro de 2023
NUNCA MAIS NOS ESQUEÇAMOS DO DIA DA INSURREIÇÃO DOS RICOS
Como fico impressionado quando vejo um classe-média ou pobre defender Bolsonaro! Nem vou-me referir a todas as barbaridades que ele disse e fez, mas somente ao fato de o inominável ter governado exclusivamente para os ricos, em grave prejuízo de todos aqueles não inseridos no rol das elites: esmigalhou os salários dos trabalhadores, pretendia reduzir drasticamente o valor do benefício decorrente da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), salário mínimo pago a idosos, deficientes e incapazes que não contribuíram ou contribuíram menos do que o determinado por lei para a Previdência Social e que não têm condições de trabalhar; além disso queria diminuir a importância paga a alguns aposentados, sem contar que tinha planos de mudar o cálculo de reajuste de outras aposentadorias e do salário mínimo de modo que esses direitos fossem sempre revistos abaixo dos índices de inflação.
Por que essas pessoas amam tão ardorosamente os ricos e o ex-presidente, que é total e absolutamente desprovido de virtudes? Por que esse amor tão extremoso de tantos pobres e economicamente medianos pelos ricos? Seria fruto daqueles contos de fadas que na infância líamos ou ouvíamos, em que todo herói ou heroína nascia rico ou depois da pobreza enriquecia no final da história, e de reis muito bondosos, justos e heroicos, que zelavam por seus súditos como mães exemplares?
Por que quase metade da população brasileira é fascista, quando só os milionários ficam a salvo dos inumeráveis malefícios da extrema-direita, até beneficiando-se (e muito) de todas as crueldades do regime? Por que tantos participantes e não-participantes dos atos terroristas do Oito de Janeiro (que não deve nunca, jamais ser esquecido) queriam tanto o sucesso de um golpe articulado, apoiado e financiado pelas pelas mais altas classes sociais, até hoje defendendo a insurreição dos ricos contra o resultado das urnas, que conduziu Lula ao invés de Bolsonaro à Presidência da República?
Há muito desisti de encontrar explicações para o fenômeno, mas sugiro que nós, democratas, em momento algum nos desviemos, e lembremos sempre que, a despeito de nem todos os terroristas serem abastados (mas patrocinados por abastados), o 8 de Janeiro de 2023 deve ser sempre lembrado como o dia da Insurreição dos Ricos, para que um espetáculo tão bizarro, devastador, injusto, sórdido e odiento como aquele nunca mais se repita na história do Brasil.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2022
O FANTASMA DO FASCISMO CONTINUARÁ NOS RONDANDO
A "Folha" divulgou pesquisa que diz que Bolsonaro encerra governo com 39% de aprovação e 37% de reprovação. Isso mostra que os critérios de avaliação são puramente ideológicos; que não importa o que ele tenha feito ou deixado de fazer: é o fascismo, mais robusto do nunca, palpitando forte no peito do Brasil. Os atos terroristas dos últimos dias são pra sua grande legião de seguidores "atos de heroísmo", assim como soam-lhes "heroicos" os ataques que o capitão fez ao STF, à Democracia, a Alexandre de Moraes, e parece-lhes "correta" a recusa em vacinar a população. Nada de mau que ele faça ou tenha feito é pra essa gente relevante, muito pelo contrário, é "sinônimo de bravura". O de que precisamos é enterrar o fascismo, criminalizá-lo, proibir a frase "Deus, pátria e família" como ao racismo e à homofobia. Se Bolsonaro não for preso ou condenado à revelia, obscurecido e tornado eterno objeto de achincalhe, se o extremismo de direita, exercido por Tarcísio de Freitas ou Hamílton Mourão, não for combatido pela Legislação e pela Justiça, o Brasil voltará a partir de 2027 a ser governado por um déspota, que será perverso, injusto, sórdido, ocioso e draconiano, com pleno apoio da sociedade e sobretudo das elites empresariais.
Percebo numa grande parcela da população brasileira falta de compaixão, brutalidade, ignorância, maucaratismo e antipatia à democracia, e essas características dessa gente são um campo fértil para o fascismo.
domingo, 11 de dezembro de 2022
EIS QUE NOS DIAS DE HOJE SURGE UM ARREMEDO DO IPES
Deixo aqui o link para quem porventura não tenha conhecido ou ouvido falar do IPES, uma entidade criada para desgastar e desestabilizar o governo de João Goulart, e iniciar, após a derrubada de Jango, uma sucessão de governos militares que deixou profundas sequelas na Nação.
Reporto-me ao IPES, transformado após o golpe no SNI, porque a extrema-direita no Brasil vem nos dias atuais dando vida a um movimento que arremeda o Instituto e se dá o nome de "Brasil Paralelo", que tenta nos convencer de que não conhecemos a realidade de forma cristalina e verdadeira -- de que somos uns verdadeiros imbecis -- e tenta, por meio de revisionismo histórico (tentando deturpar a realidade dos fatos que marcaram a História) e outras artimanhas, minar a democracia e nos levar a outro regime autoritário como o de 1964 a 1985.
Há médicos, advogados, militares, empresários, profissionais de todas as categorias e pessoas de todas as classes sociais engajadas nesse movimento, e o que nos compete por ora (e talvez sempre) é refutá-lo e mostrar suas mentiras e sua vocação autoritária. O que eles pretendem é, por meio do campo das ideias, implantar na mente da sociedade princípios absolutamente retrógrados, totalitários, antidemocráticos e uma visão socioeconômica reacionária e em profunda harmonia com as mais cruéis desigualdades sociais.
Não devemos ficar repetindo o nome do movimento para não divulgá-lo, mas precisamos desmentir sempre todas as mentiras ou sofismas que pessoas ligadas a ele venham a divulgar dentro e fora das redes sociais. Não é preciso responder às postagens dessas pessoas, é bastante que façamos postagens trazendo à tona a verdade.
http://memorialdademocracia.com.br/card/ipes-conspira-com-multinacionais-e-militares
O COMUNISMO MORREU. DEIXE FALANDO SOZINHO TODO DIREITAÇA (POR IGNORÂNCIA, MAUCARATISMO OU AS DUAS COISAS JUNTAS) QUE CHAMAR QUALQUER POLÍTICO PROGRESSISTA DE COMUNISTA
O COMUNISMO MORREU. DEIXE FALANDO SOZINHO TODO DIREITAÇA (POR IGNORÂNCIA, MAUCARATISMO OU AS DUAS COISAS JUNTAS) QUE CHAMAR QUALQUER POLÍTICO PROGRESSISTA DE COMUNISTA
As portas dos quartéis estão cheias de lunáticos torpes clamando que os militares "salvem o Brasil do comunismo", contando, é claro, vergonhosamente com o apoio de alguns generais, que, por sua vez, sabem perfeitamente que o comunismo está morto e enterrado, mas acham bom que se sustente esse conto da carochinha. Aí vão me dizer: "Mas e Cuba? E a China?" Primeiro, se a China, tão devotada à economia de mercado, é comunista, eu sou o "Che" Guevara. Cuba é, assim como China, não mais que uma ditadura, diferindo do país asiático em viver uma situação sócio-política-econômica calamitosa e deplorável, por obra do boicote americano logo após a revolução que elevou Fidel Castro ao poder. Em síntese, não há mais comunismo, ou pelo menos sistemas com o rótulo de comunistas, já que até na extinta União Soviética não se foi além de um regime de força totalmente diverso do que preconiza a doutrina marxista na sua mais verdadeira concepção -- por favor, não li Marx, mas o conjunto de ideias que norteiam a ideologia é conhecida por todos .
Mas saiamos do plano mais alto e voltemos ao lado mais chão , vil, rasteiro, rastaquera e sórdido da questão. Vamos primeirto entender porque esses movimentos antidemocráticos encontram tanto resplado nas esferas militares: a questão é simples: mais de 6.000 militares estão pendurados nas tetas do erário, recebendo cargo em comissão. O Heleno, por exemplo, chefe do GSI, vai ter sua remuneração reduzida de R$ 54.000,00 pra R$ 23.000,00, seu soldo de general da reserva (e o cara tá se queixando horrores) porque é óbvio que o novo governo não vai mantê-lo no cargo. Outro motivo: já com o intuito de perpertuar-se no poder, Bolsonaro, ainda no ano passado se não erro, baixou uma portaria que permitiu aos miltares ultrapassar o teto constitucional do serviço público, que é hoje algo em torno de R$ 40.000,00, e isso fez que Braga Netto passasse a receber mais de R$ 100.000,00. E olhe que estou me referindo apenas aos que ocupam cargos no governo, não falei daqueles que nos quartéis acumularam gratificações, vantagens e vai por aí adiante, com cujos salários não sei o que vai acontecer. Fica então perfeitamtnte entendido, não, por que os militares estão tão sedentos de golpe, dispostos a derramar o sangue (dos outros) numa guerra de "excelsa bravura" (contra uma população desarmada), em prol da imaculabilidade dos seus elevados contracheques?
Entendida a adesão dos militares, vamos aos polítcos de direita, que da mesma forma como os fardados vivem na mídia vomitando um verbo escatológico cheio de fantasmas que todo reacionário se arrepia só de ouvir e dizem que Lula é comunista, que Randolfe Rodrigues é comunista, que Marcelo Freixo é comunista, que outros mais são comunistas, todos adorando comer criancinhas fritas, ensopadas, empanadas, guisadas e que toda "essa raça é uma escória" muito da peçonhenta e perniciosa. Tudo isso é essa putada que conta essas barbaridades que é. Porque as criancinhas morrem nas filas dos hospitais, porque em sua absoluta maioria não têm plano de saúde, porque o Brasil passa fome porque essa súcia defende os interesses próprios e dos banqueiros, empresários, latifundiários, traficantes de droga, de animais e de madeira, milicianos, garimpeiros ilegais e grileiros, havendo nas casas legislativas e nos governos de todos os âmbitos muita gente pertencente a esses grupos -- legais ou ilegais. Existe então uma necessidade premente de demonizar políticos favoráveis ao progresso social, que,seja Freixo, Lula, Paim, Chico Alencar ou quem quer que se imagine, sabem perfeitamente que nesta terra é impossível chegar mesmo à social-democracia, que é o que menos doeria aos capitalistas internacionais, mas que aqui no Brasil é um palavrão de expulsar um aluno de um colégio, uma vez que médicos, donos de plano de saúde, de estabelecimentos de ensino e de redes do mesmo ramo desestabilizariam o cenário do país a ponto de levar as forças armadas a praticar o seu maior objeto de desejo, tesão e orgasmos múltiplos: um golpe militar. Em outras palavras, os progressitas da nossa política sabem de maneira bem clara que o máximo que poderão, se bem-sucedidos, é reduzir as desigualdades e mitigar esse cenário de falta de saúde pública e de teto no território nacional.
Portanto ninguém no Brasil está lutando pra estatizar os meios de produção, dividir as terras do coronéis que deixam o povo com fome e ganham fábulas de dinheiro, canalizando sua produção pra exportação, vendendo as sobras no mercado interno a peso de ouro. NInguém querendo estatizar a Havan, a Riachuelo, as Casas Bahia, nem pretendendo implantar por aqui uma ditadura do proletariado, tão sonhada pelos comunistas utópicas e nunca posta em prática em qualquer milímetro quadrado do mundo em minuto algum da existência da humanidade. Os canalhas purulentos que vêm querer assombrar a população com essas mentiras têm pleno conhecimento de que suas inverdades não passam de fantasias como o boi-da-cara-preta, o lobisomem e a mula-sem-cabeça, mas a fatia reacionária da sociedade apega-se a essas invenções safadas pra pregar o não-voto e o não-apoio aos políticos favoráveis ao progresso social.
Ser reacionário deveria ser prerrogativa de rico, mas no Brasil é diferente: temos uma enfiada de classe-média e de pobres de direita! Não dá pra palatar! O direitista o é por canalhice, por ignorância ou pelas duas coisas juntas, mas espera-se que ao menos eles tenham uma condição social ao menos razoável, o que definitivamente não ocorre no Brasil.
O que pretendo aqui, em síntese, é que repitamos todos os dias para os menos esclarecidos (mas não safados) que O COMUNISMO NÃO EXISTE e que NÃO HÁ NADA MAIS PERVERSO DO QUE O CAPITALISMO, que pode e deve ser atenuado com medidas e dispositivos legais que nos aproximem ao máximo da democracia social.
terça-feira, 6 de dezembro de 2022
ENCANTAMENTO
Deita, linda, e abre o corpo
Ao meu corpo como fora
Rosa a abrir-se à estação
Que é das flores e do sol.
Dança, linda, ante meus olhos,
E eu te vejo aos sons de flauta,
Violino e de piano,
De uma harpa angelical.
Vem cantar uma canção
Da lindeza das estrelas,
Dessa lua que te veste
Com seus raios cor de prata.
Vem beijar, que a nossa cama
É um poema doce e leve
Como seda, e é um mundo
Estrelado de nós dois.
Vem falar da poesia
Encantando nossos dias,
Do deleite sem tamanho
Que é vivermos nosso amor.
PROCISSÕES A SATANÁS
Ah, medonho pesadelo!
Vi bradar os homens maus,
E eram tantos e tão sórdidos
Que pensei estar no Inferno.
Festejaram todo o fogo
Ateado em bichos, matas
E se riram da miséria
E das mortes pela peste.
Cultuavam um demônio,
Uma besta abominável,
Que era espelho, era retrato
D'alma podre dos fiéis.
O demônio, destronado,
Vai pairar sobre esta terra,
Um fantasma pavoroso
Ao louvor dos purulentos.
Medo, nojo e ojeriza:
Os clamores por terror
E essas bestas tumorais
Caminhando entre nós.
domingo, 4 de dezembro de 2022
VEM, PAIXÃO!
Vem, paixão, que és pulso, arroubo,
Que és fogacho e ventania,
Vem, paixão, e me arrebata,
Pois bem sei dos céus, infernos
Que contigo irás trazer!
Conquistar Taís no outono
E perdê-la em pleno inverno;
Refazer-me e dar-me a Vera,
Mas partir na primavera;
No verão ter Mara e Sandra,
Que amarei ao mesmo tempo,
Que amarei no mesmo afã.
Vem, paixão, e me arrebata,
Torna a mim alguém sem siso,
E eu viajo em tuas ondas
E me torno um turbilhão.
SE O AMOR ME TOCAR
Se o amor me tocar como um feitiço,
Abrirei minhas narinas a inspirar os seus aromas
De afeição, de enlevo, de apego e sedução.
Amarei como se fora um trovador,
Flutuarei no Éden, sobre as águas, flores e jardins
Irei querer promessas de um sentir que nunca finde,
Olhar estrelas e me encher de um verbo delicado
E ouvir da amada coisas ternas e repletas de doçura.
Seremos leves, fogueados, puros como pássaros,
Pois envoltos n'aura linda do mais alto e pleno amor.
terça-feira, 1 de novembro de 2022
NÃO ME DEIXE
Não me deixe, não, na praça lotada;
Não me deixe, não, a praça deserta;
Não me deixe, não, aqui tão sozinho,
No beco sombrio da minha tristeza;
Não me deixe aqui, tão lasso, sem norte,
Perdido no mundo, vagando pro nada.
Não faça meu mundo silente e noturno,
Cortado de um frio a me arrepiar.
Não deixe que eu fique no inverno soturno:
Você é melodia, alegria e calor.
sábado, 29 de outubro de 2022
ACENDER O DIA
Não, não tenho a noite inteira,
Não, não tenho o tempo todo:
Vou fazer que nasça o dia.
Vou correr atrás do sol,
Vou dançar à beira-mar.
Vou deixar que o peito grite
Toda a gana de viver.
Vou cantar um samba alegre,
Vou entrar no bar lotado,
Vou trazer o Carnaval.
Demolir as agonias,
Trucidar qualquer tristeza,
Suprimir a solidão.
Entregar-me a um sentimento,
Mergulhar na multidão.
Ouvir surdo, ouvir pandeiros,
Na alegria mais vibrante.
Não, não tenho a noite toda,
Não, não tenho a vida inteira:
Vou querer viver e amar.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
AMOR
Vou zelar pela manhã
Que há na vida do teu riso,
Nos teus olhos cintilantes.
Salpicar por toda a casa
O perfume do suave
Das palavras de doçura.
Semear em nossos peitos
Um desejo desatado
De cantar por toda a vida.
Construir o nosso mundo
Dos afetos mais sublimes,
Nos nutrindo deste amor.
domingo, 9 de outubro de 2022
NEGROR
Há uma assombração detrás de cada porta,
Se ocultando nos desvãos e espreitando em cada umbral.
Não são vistas pelos olhos, mas pelo coração ferido.
Não há como correr casa afora,
Se existe um pântano gigantesco e sem vida,
E gemidos que vêm de ignotos lugares,
No negrume da noite profunda demais.
Há uma assombração detrás de cada porta,
O medo aperta o peito dilacerado,
A respiração vem veloz e descompassada,
E a morte parece se anunciar.
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
DUETO DA DESPEDIDA
ELA:
Amor, eu bem sei que não volta,
E a tristeza me sai pelo poros
Como sangue que aflora na pele
Da ferida do meu coração.
ELE:
Amor, sei, nos fundimos num só,
Mas ficou tudo à volta sombrio
E com tantas tempestades e espinhos...
voltarei ao florir do verão.
ELA:
A partida me faz desolada,
Tão sem norte, sem vida e sem chão.
Meu amor, nunca mais você volta,
Fez-me escrava da mortal solidão.
ELE:
Em meu corpo levo o gosto do seu,
As lembranças se ataram a mim
Qual meus pelos, as unhas, as mãos:
Volto quando a primavera chegar.
ELA:
Eu mal sei se haverá primavera,
Se o verão nos virá iluminar.
Sei apenas que a vida é tão breve:
Você nunca, amor, vai voltar.
QUE SILÊNCIO!
Meu Deus, que silêncio
nos becos, esquinas,
nas ruas, sobrados,
Trazido no vento
das mil fortalezas!
Seria o prelúdio
dos gritos medonhos,
dos breus diminutos
com cheiro de sangue,
ali no porvir?
Seria a antessala
das rédeas, mordaças,
dos olhos fechados,
dos peitos calados,
das mentes vazias?
Será que os demônios
horrendos, ferozes,
com garras agudas...?
Virão, pavorosos,
os vis canibais?
Meu Deus, que silêncio
que aperta meu peito,
arregala meus olhos!
Meu corpo tremendo:
meu Deus, que silêncio!
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
HOJE MORREU A RAINHA, NADA MAIS ACONTECEU NO MUNDO
Hoje,
segundo a mídia brasileira, nada aconteceu além da morte da rainha
Elizabeth II. Nenhum tiro na Ucrânia, nenhum assalto no Rio ou acidente
de trânsito em qualquer parte do país. Morreu a rainha, nada, nada
mais aconteceu! Até todos os abusos e absurdos cometidos por Bolsonaro
ontem, 7 de setembro, estão desacontecidos. Não houve nada e fim!
Assim que foi anunciado o óbito da nobre, todos os acontecidos ficaram
por não acontecidos, todos os ditos ficaram por não ditos, e o Brasil,
sem eleições e ameaças golpistas, em fascismo, tão livre de problemas,
foi por desígnio da imprensa convertido à nacionalidade inglesa e
obrigado a enlutar-se por uma morta que, enquanto viveu, não era morta
(obviamente) nem nossa. Agora é. É nossa finada. Não vai daqui
nenhum desrespeito à rainha ou à morte -- quem, como eu, não crê em Deus
ou vida além da matéria não se conforma ante a morte e se compadece
profundamente de qualquer criatura que perde a vida. Porém o que me
incomoda é que hoje tivemos muitos mortos que sequer foram citados, além
de o país ter tantos defuntos (dentre esses muitos em decorrência da
fome, da falta de política de saúde, da carência de tudo nos hospitais,
da violência, do feminicídio, do infanticídio, do latrocínio, etc...)
que não pode se dar ao luxo de viver o luto dos outros.
Os
jornalistas foram da consternação aos louvores ao antes príncipe, mas
agora rei Charles. Não confundir com Ray Charles, que já morreu e era
músico, tinha mais história, mais charme e mais talento, enquanto o
Charles rei é sem graça e sem simpatia, e seu único feito foi passar
esses seus 72 anos coçando o saco, à espera do episódio de hoje para
sentar no trono -- e continuar brincando com os testículos.
Aliás,
esse negócio de órgãos genitais masculinos tá muito em moda no Brasil,
desde ontem, quando aquela multidão louvou de forma exultante, fervorosa
e religiosa o pênis do Bolsonaro. Pois que usufruam e se regalem
daquela coisa que o "imbrochável" já confessou ter na juventude
introduzido numa galinha (num ato de doentia, extrema e revoltante
perversidade) e que deve ser fétida como tudo o que ele tem dentro da
caixa craniana.
Amanhã no entanto a vida deve continuar. Ou não. As
questões e os luxos ligados à família real britânica podem continuar
sendo um apetitoso prato pra mídia continuar saboreando bem devagar ao
longo desta e da próxima semana, por serem, na visão desse pessoal dos
meios de comunicação, muito mais importantes do que a fome, a miséria, o
desemprego, a violência, a falta de comida e de saúde e o excesso de
tudo o que é ruim no Brasil dos dias de hoje.
quinta-feira, 1 de setembro de 2022
A CANTORA
A cantora
Cantava como se fosse um arcanjo,
E a sua voz de seda revolvia os meus sentimentos mais fundos,
E fazia deslizar no meu rosto um fio de lágrima.
Vinham-me à flor da pele as emoções mais doces,
E eu me vi, de súbito, num transe sublime,
Adentrando um céu sereno e suave, levitando entre as nuvens alvas da paz.
terça-feira, 30 de agosto de 2022
MEU LITORAL
Tinha o lago, o quiosque e o bom vento,
As luzes da cidade nas águas,
Em multicores tão belas!
Tinha vários passantes, casais,
Um pulsar de alegria tão pleno,
Que a mim simplesmente enlevava.
A vida era alegre qual festa
E retumbava em minh'alma
Tal qual tamborins e atabaques.
Não quero mais noites tristes
Nem mais a cidade deserta
Bem qual cemitério gigante.
Não quero não mais ir à roça,
Quero pisar as areias
E abrir os braços pro mar;
Mirar o azul furioso
Em sua dança fremente
E o lindo dos meus litorais.
ORAÇÕES DESCABIDAS
Do que te valeu integrar
O coro adoidado da igreja,
Berrando qual bode louco
E como se Deus fora surdo?
Do que te valeu ver histéricos
Estrebuchando no palco,
No chão se arrastando qual verme,
E dar tua mão ao pastor?
Do que te valeu ter orado
Com olhos fechados em súplicas,
Enquanto améns proferias,
Glorificando o pastor.
Todo jejum que fizeste
Só te fez fraco e prostrou,
E o voto importante era outro:
Jamais o de castidade.
O brado a soltar era um não,
Jamais profusão de aleluias.
Gritasses pra ter um trabalho
Com justo valor ao suor...
Gritasses ao reinos da terra,
Jamais ao Reino dos Céus.
segunda-feira, 22 de agosto de 2022
VIDA. SONHO E BUSCA
Sonhei quando a noite era infinda
E o sol vislumbrei no horizonte.
Chorei quando a sedd era muita
E os dias jamais floresciam.
Tremi quando vi que o tempo
Passou como fora um cometa,
Deixando-me a estrada tão curta.
Corri quando veio o enfado,
Saindo em busca de vida
Caminho por dias tímidos,
Buscando por sóis e por luzes,
Por cores, enlevo e canções.
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
O CREPÚSCULO
Vejo ofuscar-se o céu no horizonte,
No distante horizonte, horizonte tão próximo.
Acho que anseio que venha o crepúsculo
E que anoiteça de uma vez por inteiro.
O cansaço das gentes, dos fatos e coisas,
Da engrenagem perversa, das almas tão podres,
Da sordidez humana, da crueldade dos homens,
Das pessoas tornando horrendo o que é belo,
Fétido o perfumoso, rude o que é lírico.
Que venha a noite profunda:
Meus olhos incrédulos contemplam o crepúsculo:
Vontade de sair-lhe ao encontro.
Minh'alma exausta em torpor e disforme,
Diluída num chão de cimento,
Sem lira, poema ou resquício de vida.
Minh'alma não quer alçar nenhum voo,
É cinzenta como o chão duro, poroso
Onde se encontra imóvel, prostrada.
Que venha o crepúsculo, a noite profunda,
Nada mais, nada além, nada mais.
VIVENTE MORTO
O bar, a música, pessoas, gargalhadas.
Passa o homem tristonho, macambúzio,
Qual robô, por entre as mesas álacres.
Lassidão, a dor, fio de lágrima,
O vazio torturante do abandono
E a dor tão perfurante da traição.
Cambaleia o infeliz, embriagado,
Quer sentar como um mendigo na calçada
E chorar entre soluços, convulsões.
Ah, mas que desejo mais soturno
De tombar ali, sem cor nem vida,
Ou de ao menos cantar melancolias,
De correr, sumir, morar no nada.
Ai, o bar é claro e iluminado
E é contudo sombrio e tão escuro.
Tanta gente, conversas pelas mesas
E um deserto e quietude sepulcral.
Toca um samba tão bonito, tão sonoro,
E o silêncio é de à alma torturar.
A alegria toma conta do ambiente,
Mas não toca jamais aquele homem,
Cuja alma se encontra tão distante,
Num lugar onde a vida não tem vez.
A MEL E RAPOSA
Que minhas mãos de afago puro
Sobre suas cabecinhas inocentes
Se façam a magia a guardá-las,
Protegê-las dos males do mundo.
Meu olhar de amor contenha o feitiço
De lhes dar todo, todo bem do universo.
Meu amor imenso seja o deus poderoso
A fazer que seus dias sejam sempre felizes,
Paraíso merecido por todo animal.
VIVER POR VIVER
Missão alguma senão aquelas que me dei
Por amor, por entrega e os princípios que nutro.
Nenhuma entidade me sussurra ou dá rumo.
A solidão, grande, obesa, inflada, gigante,
Expande-se e ocupa cada palmo da casa.
Que solidão -- me pergunto e replico
--Se as cadelinhas dividem cada espaço comigo?
A solidão, me respondo, do espírito árido e boca trancada
A fazer-se masmorra, calabouço do verbo
Pejado dos ódios, de dor, desprezo e descrença.
Não busco n'alguma mulher uma cúmplice,
Se a alma incrédula não quer mais confiar.
Nenhuma missão além das cachorras.
Às vezes desejo deixar-me morrer,
Assim como eu fosse criatura de areia,
E o vento me viesse desfazer, diluir.
Deixar as cadelas a um herdeiro bondoso?
Por que morrer, entretanto?
Por fastio, desengano, por tédio?
Morrer ou varar noites brancas na esbórnia,
Velho etilista, tardio notívago,
Veterano boêmio entre mesas de bar?
Se dúvidas chegam, não busco por norte:
Qual homem tem luz pra saber seu caminho?
Pois nós, vis humanos, jamais somos sábios,
Ou então não teríamos deploráveis deslizes.
Sem ser aclarado, vou pisando somente
Os chãos dos meus dias, vivendo os momentos,
Sem buscar pão da vida ou sentido qualquer
Pra vagar pelo mundo, existir tão somente.
sábado, 16 de julho de 2022
A ILHA
Existe uma ilha no Atlântico,
Onde o mar verde arrebenta
E só se desnuda quem quer:
Ali o nudismo é careta.
Na ilha ninguém tem par --
Só se o amor bater forte.
A deusa que ali se louva
É a deusa libertinagem.
Pra saciar Madalena
É necessário uma fila.
Lista de amantes do Saulo
É da grossura da Bíblia.
Não é uma regra andar louco,
Só quem deseja que pira.
Não há sistema ou trabalho:
Lá só se vive de brisa.
Se vem chegando a tristeza,
A poesia afugenta.
Todos bem sabem que a lira
Não necessita ser triste.
Ilha de pura paixão,
Da juventude à velhice;
Jorge José ama seis,
Ana Maria ama vinte.
Ninguém concorre ou compete,
Todos se irmanam profundo.
O ódio por lá não existe,
Só puro amor é o que impera.
Lá não se mata nem caça,
Comendo-se aquilo que a terra
Dá, faz brotar e ser fruto:
Martírio é pecado mortal.
Ilha formada do nada,
Vinda de um sonho tão claro
De um poetinha sem regras,
Com alma tão libertária...
quinta-feira, 14 de julho de 2022
O SAGRADO E O SATÂNICO
Hipócrita é o ser humano,
Nocivo é o ser humano,
Pois sempre louvando o sagrado,
Mas sempre amando o satânico
Satânico é gerar a pobreza,
Satânico é encorpar a miséria,
Matar ou ferir a carne
Ou alma de seres viventes.
Que existe de mais sagrado
Que uma existência condigna?
Que existe de mais sagrado
Que o bem-viver dos teus filhos?
Que existe de mais sagrado
Do que o momento em que chegas
E que te aninhas no quarto,
Entregue de todo à paz?
Que existe de mais sagrado
Do que o momento em que paras
Pr'ouvir cantigas bonitas
E te emprenhar de emoções?
Que existe de mais sagrado
Que entrar na mulher tão querida,
Sentir vibrar o seu corpo
E um deleite descomunal?
Que existe de mais sagrado
Que o colo, a mãe e a criança,
Do que a ternura nos olhos,
Do que transbordar em paixão?
2022
Revisto e modificado em 11.02.2023
quarta-feira, 13 de julho de 2022
A MORTE DA POESIA IV
Não há não mais beleza matutina,
Não há não mais vontade de cantar,
Não há moça bonita debruçada na janela,
Não há não mais nostalgia nem saudade,
Não há passado porque o ontem nas memórias se apagou.
Não há mais rosas nem jardins, nem jasmineiros,
Não há não mais lugar pra minha lira.
As maritacas viraram pássaros urbanos,
Os gaviões tiveram, então, destino igual,
E os micos hoje são caçados como ratos,
Sem "habitat" e sem abrigo ou belas matas.
Não há não mais o pio "agoureiro" da coruja
A inseminar na mente insana o que é funesto;
Nem há não mais ruas descalças de singela poesia;
Não há não mais lugar pra minha lira,
Se até em meu peito os anseios são de argila,
Se o mundo encheu-se de edifícios suntuosos
Pra cultivar poder, miséria e capital,
Se massacrar, sobreviver é que é o mister,
Se as emoções submergiram no asfalto tão brutal.
2022
Revisto e modificado em 11.02.2023
sexta-feira, 1 de julho de 2022
A MORTE DA POESIA III
Não há mais dança de roda ou ciranda,
Não há mais bela moça a sonhar a varanda,
Nem mais há casais contando as estrelas,
Seresteiro nenhum cantando ao luar.
Não há mais poesia no mundo,
Não há mais poesia em meu mundo:
Meus anseios são todos de ferro,
Concreto, cascalho, pvc, pó de pedra.
O tempo foi duro, cimentou-me as quimeras,
Cobriu de azulejos meus campos de lira,
Tornou sons de draga as mais belas cantigas,
Secou a nascente da minha emoção.
quinta-feira, 23 de junho de 2022
PASTORCARD
Cura de bicho-de-pé: R$ 109,90. Oração pra sucesso na vida: R$ 2.999,90. Trazer seu amor de volta: 6.999,90. Saber que seu pastor pilantra nunca ficará preso: não tem preço.
Há coisas que o dinheiro não pode comprar. Para todas as outras existe PASTORCARD.
PRECE LÍRICA N° 2
Bendita seja a noite fresca
Que é serena como um monge,
Que, qual mãe de amor extremo,
Nos aninha em sua paz.
Bendita seja a tarde alegre
Enfeitada de pessoas
Passeando, tão profusas,
Pelos parques da cidade.
Abençoa, Deus, as línguas
Sequiosas que se enroscam
E a doçura dos amantes
Na conjugação carnal.
Que bendito seja o olhar
Que se emprenha de ternura,
Se desnuda de maldades
E se faz angelical.
Que bendito seja o verbo
Do poeta enamorado,
Salpicando nas estrelas
Sentimentos e emoções.
terça-feira, 14 de junho de 2022
POEMA SEM VERBO
Não, meu poema não é mais canto nem verbo:
Apenas se esconde, silente, num beco escuro da noite fria
E se encolhe e assim permanece, quieto
E pranteia de um modo abundante, incessante,
Mas sem o menor dos soluços, sem poder ser ouvido.
Chora escondido e volta os olhos ao céus sem estrelas,
E nada busca senão a escuridão mais soturna...
A escuridão mais calada,
Como se nada se visse,
Como se nada se ouvisse,
Como se fosse o nada.
Meu poema é estátua enegrecida no deserto e esquecido jardim.
quinta-feira, 9 de junho de 2022
VAZIO
Não há no silêncio não mais a cantiga
Que vinha na brisa, nas noites quietas.
Não há o burburinho que vinha tão doce
Dos meus sentimentos pulsando no peito.
É tudo cimento, asfalto e motores,
É tudo fastio, é cansaço e é tédio:
É tudo seguir sem saber o motivo,
É tudo vazio tal como os humanos.
É andar pela vida -- razão não se sabe --,
Andar e seguir, seguir, nada mais.
CRUA DESESPERANÇA
O rosto de seda
Da moça bonita
Não tem poesia,
Nem sol, nem luar:
Não traz fantasia,
Não faz divagar.
O muro de pedras
Com marcas de musgo
É pedra, só muro:
Não traz a lembrança
Dos beijos e abraços
De antigos casais.
O samba não toca,
A gente não dança,
A luz não se acende,
A rua é deserta:
Não brinca no peito
A menor ilusão.
A praça deserta
Não tem meninada,
Casais se beijando,
Poeta ou cantor:
Nenhuma doçura
Se sente no ar.
Cadê o horizonte?
Que foi do arrebol?
Fdcharam-se as casas,
Janelas, portais:
Partiu a esperança,
Só resta morrer.
domingo, 29 de maio de 2022
NÃO VENHA
Não, não venha, não chegue, não me surja,
Não me cante no peito qual viola ao arrebol,
Não se achegue com o samba, a rumba e a viveza,
A alegria luminosa que se estampa nos seus olhos:
Vou ficar calado e quieto em meu inverno,
Meu incessante e perene odor de outono:
Eu não saberia, não, viver a sua primavera,
Muito menos tentaria cantar o seu verão.
sexta-feira, 27 de maio de 2022
VIVER PAIXÃO
Sorver da lira do teu olhar adocicado,
Abrir a janela para um céu de pura poesia,
Mostrar estrelas onde sequer elas existam,
Deixar no peito cantar o sentimento mais suave e mais bonito.
Viver o enlevo dos rostos em resvalos
E das línguas agitadas numa sede enlouquecida,
Deixar entrar na alma uma música inaudita
Da lindeza dos momentos mais sagrados da paixão.
Tornar-me brisa, sol, braseiro, mansidão,
Nós dois, puros, maviosos, fogueados, sonhadores:
Ah, o encantamento a nos emanar de cada poro,
O amor, qual aura imensurável, luzindo em fachos vários,
Inumeráveis fachos da claridade das emoções.
VERSOS DE ESCURIDÃO
Hoje não há tarde e gente alegre nas calçadas,
Mas somente o último bêbado à última mesa
Do último bar da rua derradeira
E uma atmosfera de fim de tudo e despedida.
Hoje os pássaros se aquietaram nos seus ninhos,
E um vento fino resvala nos galhos dos arbustos,
E um silêncio arrepiante se abateu sobre as paisagens,
E a noite veio, calada, muda, imóvel como fora sepulcral
Hoje os sinos não repicaram nas igrejas,
Nem tampouco houve canto gregoriano ou ladainha;
Não havia fiéis em suplicantes orações,
E as praças eram desertas como vida não houvera.
Hoje é tudo adeus, final, deserto, silêncio e escuridão.
sexta-feira, 6 de maio de 2022
SE A POESIA VIER
Se um poema vier no vento
E se traduzir na noite clara e estrelada
E nas luzes de artifício das praças e das ruas,
Que cantigas luminosas encherão teu peito ávido,
Que esperanças te virão à alma sempre atenta
A cada uma das nuances dos dias e da estrada em que caminhas?
Se a canção vier na noite,
Na penumbra, no silêncio
E entrar pela janela como o sonho mais bonito de se ter?
Se a lira alegre passear pelas calçadas,
Pelos bares, pelos becos e fachadas
E adentrar a tua sala e o teu quarto tão quieto,
Percorrer a casa inteira como a brisa em voo leve,
Que emoções retumbarão como atabaque e tamborins
Dentro do teu tão irrequieto coração?
PECADO CELESTIAL
O vinho, a música,
Corpos desnudos,
Noite, o luar.
Amai, ó Deus, os filhos vossos
Que se dão numa volúpia sem igual!
Os seios, nádegas,
O falo, a vulva,
Esse impudor.
Louvai, ó Deus, os vossos seres
Que se entregam num furor descomunal!
Os cheiros lúbricos
Por todo o quarto,
Juras febris.
Ó Deus, afaga os pecadores
A devorar-se num ardor transcendental!
São dois amantes
Tão fogueados,
Tão infiéis.
Notai, ó Deus, a poesia incandescente
Desse amor tão magnífico e carnal!
As línguas ávidas,
Cabelos longos
No travesseiro.
Louvai, ó Deus, toda luxúria
E abençoai esse pecado tão celestial!
quarta-feira, 4 de maio de 2022
AGORA F*DEU TUDO: A EUROPA NÃO VAI MOVER PALHA PARA EVITAR O GOLPE QUE SE AVIZINHA: DEIXEMOS TODA ESPERANÇA, NÓS QUE AQUI VIVEMOS
O general Paulo Sérgio, ministro da Defesa, garantiu ao ministro Luiz Fux, presidente do STF, que as forças armadas estão comprometidas com a democracia: agora tenho absoluta certeza que vai haver golpe. Imagine até que Paulo Sérgio estivesse falando a verdade. Se fosse o caso, Bolsonaro, que acena o tempo todo que não aceitará um resultado desfavorável das urnas, demitiria o comandante e daria início ao regime de exceção com outro comandante militar.
Por outro lado, se a única esperança que tínhamos de o resquício de democracia existente no Brasil ser preservado era o monitoramento das eleições por representantes dos países europeus, estes países agora já anunciaram, por zelo diplomático -- já que o Itamaraty se posicionou veementemente contra a observação de tais nações -- que não vão dar a mínima ao processo eleitoral deste ano de 2022. Ou seja, as coisas vão rolar frouxamente, e a União Europeia vai assistir comendo pipoca as tragédias que irão se dar por aqui. Os países da OTAN me impressionam pelo seu senso de diplomacia, porque vão deixar as coisas acontecerem no Brasil por respeito à nossa soberania, ou melhor, soberania do Jair Bolsonaro e seus asseclas, e, vale lembrar, a mesma Europa que repudia veemente as atrocidades e covardias da invasão de Putin à Ucrânia... essa mesma Europa associou-se a George W. Bush na igualmente deplorável, atroz e covarde invasão ao Iraque, quando o então presidente dos E.U.A. inventou que o país do Golfo Pérsico desenvolvia armas químicas e biológicas e que fazia-se mister atacá-lo com o nobre intento de preservar a integridade física o bem-estar da humanidade -- quando na verdade tinha por intento apossar-se dos poços de petróleo iraquianos. Como então o Bloco Europeu, tão cheio de ambiguidades e interesses escusos, iria se preocupar com o que ocorre aqui nestas terras longínquas e que não fere nenhum de seus interesses?
Se alguém disser que Alemanha e França, por exemplo, estão preocupadas com a devastação sem precedentes do meio-ambiente em nossa terra, é porque não entendeu que seus discursos ecológicos e preservacionistas são pura hipocrisia. A União Europeia só se traveste de defensora ambiental pra sair bonita na foto. Para os países do grupo, que o último yanomami seja incendiado vivo e que destruam o último pé de planta nas florestas do Brasil, porque o que eles querem mesmo é continuar obtendo nossos produtos agrícolas, nossas "commodities" por preços rasantes, e isso os donos de agronegócio cá nestas bandas têm-lhes proporcionado -- o que faz que percebamos o encontro harmônico dos interesses dos latifundiários daqui com os dos empresários e governantes europeus e americanos.
Para que se entenda melhor, Bolsonaro vai dar golpe não porque tem pra isso o apoio dos militares, mas dos agricultores e dos megaempresários -- e todos estão em perfeita consonância com as demandas comerciais dos países da Europa: a manutenção de tudo exatamente como está: preços baixos, abundância de produtos, ainda que com a incineração de todas as nossas matas e à custa da fome de nossa população, que passa não pode consumir o que para os europeus é muito barato e para nós é vendido a peso de ouro.
Aí a gente entende porque Bolsonaro fez tudo o que não podia e não caiu, da mesma forma como não cairá nunca: o golpe é uma demanda das nossas elites e da União Europeia, Bolsonaro é só o instrumento.
terça-feira, 3 de maio de 2022
POEMA PARA CÁSSIA ELLER
Tão bela num estereótipo que [buscava o masculino,
Mas que deixava transparecer a [poesia só flagrante nas mulheres.
Que inspiração divina te fez tão [cheia d'alma e tão diversa
Como se Deus te houvera feito de [tudo quanto existe no universo?
Ficam na gente saudades do teu [canto sublime e irreverente
E das loucuras com que marcaste [cada palco que pisaste.
Deus, se existira, te diria numa [ternura paternal e acolhedora:
"Vem, fica comigo, menina doce, [irreverente e tão intensa:
Tua presença faz o Céu mais [bonito, colorido e mais feliz."
domingo, 24 de abril de 2022
segunda-feira, 11 de abril de 2022
O DIA DO TÉDIO
Deixe quietas as clarinetas, [violinos e oboés!
Nem olhe breve o pandeiro, a cuíca e o tamborim!
Largue a guitarra, o teclado e a [bateria!
Hoje não tem samba, não tem [rock nem orquestra,
Mas somente o tédio tomando [conta da cidade
E pintando as ruas do cinzento [da insipidez dos transeuntes.
SEGUIR
Que venham os clamores da [minha alma irrequieta
E se diluam nas notas mortas do [coração entristecido
E o quase inaudível canto da [esperança tão raquítica;
Que o sol de mim se mostre [pálido e quase ausente
E as cores minhas sejam [simplesmente desbotadas,
Que fale em brados minha [descrença petrificada...
Mas irei seguir o meu caminho [acinzentado
Sem a melancolia que outrora [enchia a alma de lassidão.
sábado, 2 de abril de 2022
SOFIA
Sempre irei amar Sofia,
que pensei que estava em Sara,
que jurei que achara em Mara,
que ausentou-se de Nancy.
Tinha o rosto de veludo
um semblante quase triste,
tinhas as mãos macias, pálidas,
o olhar cheio de querer.
Passeava nos regatos
e se dava sobre a relva,
levitava como fada,
no lirismo de nós dois.
Quando a tinha nos meus braços,
era Tânia que se dava,
era Selma que gozava,
era Nara que gemia.
Mas Sofia, se existisse,
me diria docemente:
"Vem, meu velho, deita e dorme,
vê se para de sonhar.
quarta-feira, 16 de março de 2022
OSTRA
Sou tão bela e me comprazo de me ver
No espelho e de sorrir como menina,
E, às vezes, sob as águas do chuveiro,
Fico a tocar meu corpo como um médico
E me deleito da tumidez das minhas formas.
Há dias em que toco-me qual fora
Afrodite entre volúpias com Apolo.
Estive em camas em que ardi, plena de frêmitos,
Senti prazeres que não sei nem descrever.
Mas, dos braços que com gana me apertaram,
Foram raros os braços de ternura:
Quase sempre fui fêmea, não mulher.
A solidão é como medo em noite escura,
Mas aos homens que me querem fecho os olhos.
Sem que pense no adiante em minha estrada,
Agora tranco-me como sigilo absoluto,
Como segredo que é sacrilégio revelar.
Se uns olhos ternos adentrarem os meus olhos,
Se braços fortes me apertarem, afetuosos,
Eu me darei tal como flor se entrega ao vento,
Mas ora fecho-me como animal quando se entoca
E me recluo num casulo qual crisálida,
Tal como ostra na concha a se encerrar.
A CHEGADA DO CABO ANSELMO AO INFERNO
Tão logo chegou ao Inferno, o cabo Anselmo foi recebido por Brilhante Ustra, que abraçou-o calorosamente enquanto ao pé do ouvido confidenciou-lhe que Satanás é o diabo em pessoa, que aquele lugar é um inferno, que odiava Satan mortalmente. Em menos de meia hora o anjo das trevas ficou sabendo de tudo: Anselmo entregou Ustra.
terça-feira, 4 de janeiro de 2022
VIDA QUE QUERO
Não quero o medo, o tédio e essa tristeza
Desta rua tão sem-vida que eu habito;
Quero a noite clara, dançarina e colorida,
A feliz perplexidade do amante apaixonado
Ante o súbito e sentido eu-te-amo inesperado.
Quero amar com um brilho no olhar indisfarçável
E nos olhos da amada notar a mesma luz,
Na comunhão de sentimentos dos amantes romanescos.
Quero a paz das águas calmas em marolas
E a alegria de crianças brincando nos quintais,
E a poesia de uma canção que envolva a noite
E que comova os jovens, velhos, lúcidos, ,insanos e os casais.
ALMA CARIOCA (ODE ÀS PRAIAS)
Minha alma dançará como um passista,
Brincará, feliz como um moleque,
Cantará, intensa e ardente qual Bethânia,
Rebentará numa emoção sem ter igual.
Quero ver vibrar Copacabana
E o sol pintar a areia de dourado,
Rebrilhar nas águas verdes, cintilante;
Contemplar o céu a se deitar nas águas,
Quando os olhos se voltarem pro horizonte.
Quero a viveza das pessoas caminhando
Ver mulheres convertidas em sereias,
Bronzeando ao calor suas lindezas.
Quero os bares numa alegria esfuziante
E o desfile das prostitutas nas calçadas.
Abençoai, meu Deus, as prostitutas,
Lutadoras sem respeito, sem direitos, sem ternura!
Vim pra Minas e jurei não ter saudades,
Coração, porém, pulsou tão incessante
Quando novamente eu vir o mar,
Minha alma se dará tão plenamente,
Pois, bem sei agora, cheira a praia,
Cheira a Copa, Cabo Frio, a Saquarema,
Aos quiosques alegres e praianos
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021
DOS QUESTIONÁVEIS PREJUÍZOS DECORRENTES DOS FERIADOS
O ano de 2022 terá a maioria dos feriados caindo em dias de sábado ou domingo, para tristeza dos empregados e grande alegria dos patrões. A mídia e um bocado de gente por aí sempre apregoaram pelos quatro cantos do Brasil que um feriado causa um tremendo prejuízo à Nação, mas isso é mentira. Mentira deslavada, e eu explico por quê.
O que há no feriado é um represamento temporário da demanda, e isso acarreta, em compensação, um grande aumento de procura de produtos nos dias úteis subsequentes. Se o seu chuveiro queimou em pleno domingo ou feriado, tão logo as lojas abrem, você corre e compra outra resistência ou outro chuveiro, mas não passa a tomar banho frio ou a não tomar banho em consequência de um dia de casas comerciais fechadas. Assim o movimento no comércio e na indústria aumenta logo a seguir e de forma considerável, gerando uma sobrecarga de trabalho para os funcionários, por conta dessa saída mais volumosa de produtos decorrente do período em que estes ficaram retidos , sendo tudo compensado em todos os aspectos, e o faturamento dos empresários não sofre no frigir dos ovos nenhuma queda que possa fazer escorrer fio de lágrima de um canto de olho.
Dizem também que o erário deixa de arrecadar uma fábula: outra inverdade: na reabertura da economia, o aumento das vendas faz que o governo arrecade o que capitalizaria se não tivesse havido dia parado. A União, Municípios e Estados recolhem para seus cofres o que recolheriam se fosse uma semana só de dias úteis, para exultação dos irmãos Centrão, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, com o orçamento secreto seu e dos outros membros do bloco parlamentar governista a que pertencem, figuras que são os grandes beneficiários e o objetivo sagrado e principal da arrecadação federal.
A única perda, ou melhor, redução de ganhos acontece quando os patrões são obrigados a pagar aos seus empregados o dia ou dias não trabalhados, mas a margem de lucros fica quase incólume ao final do mês, pois não são os repousos e feriados que quebram empresários, mas efeitos da política econômica de governantes conservadores, cruéis e sórdidos, que são inimigos implacáveis do poder de compra das classes trabalhadoras, governantes que eles próprios, patrões, defendem com unhas e dentes e com uma torpeza esperta e simplesmente ignóbil.
