sábado, 9 de setembro de 2017

TERRA SEM LEIS


O Brasil é definitivamente um republiqueta muito da sórdida!  Aqui não há leis nem  exercício de justiça.  Todo Estado precisa de uma legislação oficial, por isto temos aqui vários códigos, mas estes existem apenas para constar no papel.  Os julgamentos são feitos em consonância  com as tendências e interesses  de quem julga.  Não há Constituição, Código Penal, etc... As leis são os desmandos de quem detém a caneta ou as armas, e fim!  Resalvadas as exceções, o poder é uma imensurável rede criminosa.  Estou sendo genério porque não sou burro de ser específico e dar nomes aos bois.  As citadas exceções existem, sim, mas são de uma impotência desoladora diante da crudelíssima safadeza nacional.
Vivemos sob regime de ocupação e dominação, somos reféns de criminosos, e criminosos não têm pudor para se ocupar com o que é ético ou justo: apenas querem se locupletar através da usurpação dos bens e direitos dos que estão debaixo do seu domínio.
Não há nenhum motivo para ninguém nutrir esperanças.  Infelizmente a imbecilidade nacional acredita ser sempre possível tirar um coelho de  uma cartola e fica contando com um súbito milagre, algo como a volta do Messias para punição dos maus e recompensa e felicidade  dos bons.  A alienação é um carcinoma do tamanho da crueldade e torpeza dos que dilapidam o patrimônio nacional.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

A APOLOGIA DO NÃO

Olhar para trás é a mais imbecil ou sórdida profissão de conformismo que já ouvi. Não devemos fazê-lo e ver que há gente em piores condições do que nós para nos conformarmos com a própria situação. O que nos cabe é voltar sempre o olhar para adiante, buscando sem descanso uma situação melhor do que aquela em que nos encontramos. As pregações de aceitação das mazelas vividas e experimentadas a partir da consciência de que há pessoas vivendo dentro de uma realidade pior do que a nossa é sofisma cínico dos donos do poder e senhores da maior parte das riquezas de um país. Ao invés de olhar para trás, devemos reivindicar, exigir o que é nosso de direito, através de uma melhor distribuição de riquezas e de oportunidades, ainda que tenhamos de lançar mão de greves, boicotes, da não-colaboração e do NÃO. O NÃO deve estar sempre postado na ponta da língua, pronto para entrar em ação a qualquer momento.
Não deixem que os religiosos mintam: a pobreza não é um desígnio de Deus, mas fruto de uma distribuição perversa e injusta de renda. Não haverá compensação no juízo final ou em outra vida: tudo tem de ser conquistado agora, neste mundo, nesta vida, sobretudo porque não há quem possa afirmar a existência de outra vida além desta. A luta, por isto, é hoje, enquanto se vive e  se tem como lutar. Não estou professando a violência, a luta armada nem a guerra, mas defendo, sim, o NÃO! O não-colaborar, o não-concordar, o não-aceitar e os gritos de insatisfação para a manifestação de nossa vontade , de nossos anseios e nossas exigências.
Quem olha para trás se resigna diante da própria desgraça e infortúnio, e isto leva ao imobilismo. Saber que o outro sente mais dor não aplaca a dor que sentimos, porque o alento não pode nos vir da desgraça alheia. Um homem sem as duas pernas não atenua em nada as dificuldades daquele que conta  com apenas uma.  Quem tem brios e dignidade olha para a frente, reivindica o direito de não se inserir num regime rígido de castas, se pergunta e aos seus exploradores por que está numa condição deplorável se comparado aos que injustamente se tornaram donos da parcela fartamente maior dos recursos de uma nação.
Não se contente com o lugar-comum de que “feliz é aquele que tem um emprego”, porque é uma pérfida mentira! Trabalho sem remuneração digna é infelicidade quase do tamanho do desemprego. Quem ganha pouco também perde seus filhos por falta de remédios, nas filas dos hospitais, nas epidemias decorrentes da falta de saneamento e de infraestrutura. Todo salário deve atender às necessidades do trabalhador e sua família, pois o que está fora deste padrão é custeio para manutenção unicamente da vida de um escravo.
O conformismo ante a pobreza é o pior dos pecados, e o castigo vem no momento em que o primeiro(o conformismo) se dá, através das carências e das privações, da falta de perspectivas, da ausência de horizontes. E não vai ser um cara de terno e gravata, de uma condição social de abastança que vai lutar por aquilo de que você carece: é você mesmo que tem de exigir e ir à luta.


domingo, 30 de julho de 2017

UTOPIA

Se uma doce emoção repontar
na gente rude das ruas cinzentas...?
Se o ódio silenciar tão profundo
de parecer estar morto e sepulto...?
Se eu me apaixonar pela prostituta
e viver uma inquietação mais sem fim..?
Se as pessoas quebrarem o asfalto
e plantarem jardins nas estradas...?
Se eu vir a ternura brotando
nos olhos tão frios de Helena...?
Se alguma voz bela cantar 
e encantar toda a praça e a cidade...?
Se tudo for só poesia,
sem juízo, sem bom-senso ou limite...?
Se esta utopia crescer de tal modo, 
que arrebente a impalatável verdade...?
Se minha quimera vencer o real,
parecerá vivermos pura felicidade.


SE EU AMAR ESSA MULHER?

E se eu amar essa mulher
de olhos tão despidos dos afetos?
E se eu amar essa mulher
loucamente de segui-la sorrateiro pelas ruas,
verificar furtivamente seus papéis, seus aparelhos,
suas vestes íntimas no cesto e no varal?

E se eu amar essa mulher,
obsessivo de falar seu nome o tempo todo,
nas noites frias de tristeza e de distância?
E se eu amá-la de um modo assim tão tresloucado
de perdoar-lhe as traições e os seus desprezos?
Se eu amá-la de um modo tão servil e tão demente
de sentir-me um ser chão diante dela?
Se eu amar demais essa mulher, 
de querer morrer caso ela suma dos meus olhos,
de querer matá-la caso queira me deixar,
ou ainda me deitar pelas sarjetas se perdê-la para sempre?

Vou deixar que essa mulher siga em paz o seu caminho:
não, não posso, não, jamais amar essa mulher!


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Como ter alguma esperanças num país que se preocupa mais com o desempenho dos seus jogadores de futebol em campo do que com os atos dos seus políticos... onde uma passeata LGBT reúne pelo menos cinquenta vezes mais pessoas do que um protesto contra os desmandos e a corrrupção da sua degenerada classe política... onde  ministro de alta corte, ao invés de portar-se como magistrado, defende com unhas e dentes parlamentares e gestores sujos  e por isto mesmo espúrios... onde as Organizações Globo - que são a mais tendenciosa rede de comunicação e a maior deturpadora da história contemporânea do Brasil - é que mais formam opinião?  Para mim chega.  Desisti de tudo, joguei a toalha, entreguei os pontos: não quero mais lutar por nada. Vai ser tudo como Temer, a Febraban, a Fiesp, a Firjan, a Globo e etc. quiserem.  Porque aqui não há lei, justiça ou ética:  manda e faz o que bem quer quem tem a arma ou a caneta na mão.  Só lamento não ter idade e especialização para tentar uma vida e uma história diferente em outro país.  Da mesma forma como me desola profundamente ter dado filhos e uma neta a esta terra.   Aqueles que deram as costas para os fatos extremamente graves que dilapidaram e ainda dilapidam o Brasil, também sentirão, tanto quanto eu, na carne os efeitos de termos um Estado  antidemocrático e estarmos caminhando a passos largos para nos tornarmos a Somália da América Latina.  Não há nenhuma eperança, nada de bom ficou por aqui. Acabou tudo... Acabou tudo.

domingo, 2 de julho de 2017



Não creio em nada. Ou em quase nada.  Não creio em Deus. Nos homens, muito menos.  Não alimento ilusões e esperanças quanto às coisas à volta e ao mundo.  Não vivo destilando alegria pelos quatro cantos do planeta.  Sou um misantropo e não cultuo deuses nem homens.   Mas me embeveço quando de manhã olho pra fora da janela do meu quarto e vejo a árvore florada e repleta de vida, uma pequena mostra do quanto a Natureza é sublime, que contrasta com a rua pavimentada e quase totalmente desprovida de verde.  Beija-flores, besouros, percevejos.  Às vezes mariposas entram de madrugada, e tenho de acender alguma luz para que elas se aquietem.  Uma vez entraram dois beija-flores por volta das três da manhã, e precisei apagar as luzes para deixarem de se bater e não se ferirem.  Na primeira claridade abri as bandeiras porque não souberam sair pela janela aberta.  A Natureza, os bichos: este é meu culto, meu alumbramento, minha crença absoluta.  Eu creio na vida, nos animais, nos besouros, nas árvores e plantas e me me irmano com eles, e a simples vista de tais criaturas me traz uma paz de nirvana, me faz contente com a própria existência, me faz encantado, enlevado e feliz.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O QUE VOCÊ ACHA?

Diante da ciência de tanto crime na política nacional, no âmbito de estados, municípios e da União, fico me perguntando:  ressalvadas as exceções, é claro,  não dá o poder público no Brasil a impressão de ser a maior rede criminosa do mundo?