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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

NAS ANDANÇAS DO PODER -- BREVE ANÁLISE

 

Do mesmo modo como os religiosos buscam, acima de tudo, o próprio bem-estar  e veem como meio de obter ou manter a felicidade as oferendas aos seus orixás ou as orações e louvações a Deus e outras entidades, os políticos e os membros dos três poderes da República, os profissionais e donos de órgãos de imprensa, os comunicadores de massa e a mídia no geral buscam a mobilidade social ou no mínimo a manutenção da própria condição nas bênçãos  de um ente bem mais concreto e palpável: o poder econômico.  Nessa troca de benesses, o poder público evita abalar o potencial econômico das elites, e elas em contrapartida apoiam políticos afinados com os objetivos de cada um dos seus setores.   Em outras palavras, as elites proporcionam aos que rezam ao pé dos seus altares altos cargos no executivo, legislativo e judiciário, quer no âmbito municipal, estadual ou federal (não havendo, é lógico, judiciário nos municípios do Brasil).

Vários setores que deveriam representar os interesses da sociedade convergem, muito pelo contrário, para um supremo e quase onipotente senhor, composto das mais altas castas do país: o topo da pirâmide social.

A partir dessa observação, "Nas Andanças do Poder" procura focalizar a maneira como as peças desse tabuleiro se movimentam.  Daí podermos notar que a confluência de interesses políticos e econômicos podem, não de maneira generalizada, mas incidente,  colocar representantes do poder público, do crime organizado, da religião e das camadas mais abastadas da população, ou apenas dois ou três desses segmentos, do mesmo lado do ringue, onde o grande adversário é a inumerável massa de assalariados, que abrange grupos que vão dos mais carentes à classe média intermediária (que não é alta nem baixa), que se considera privilegiada quando é justamente o contrário: é tão sacrificada quanto os outros mais baixos estratos sociais.

Assim se dá o jogo do poder no Brasil e no mundo inteiro ou quase inteiro, o que faz os ricos a cada dia mais ricos e deixa para os desprivilegiados conscientes uma indignação impotente, já que não há meios de romper esse estado de coisas, que se arrima nos meios de comunicação, nos braços armados do Estado e do crime organizado (que é clandestino, mas nada tem de marginal, pois, pelos lucros estratosféricos que aufere, pela quantidade astronômica de dinheiro que lava em negócios lícitos e no mercado financeiro, está perfeitamente enquadrado nos moldes do mais selvagem sistema capitalista -- ou  você acha que traficantes e milicianos são socialistas?) e na ignorância de uma absoluta maioria da sociedade, que vota contra si própria nos pleitos eleitorais, resiste ao conhecimento e parece se orgulhar de ser ignara.

domingo, 18 de janeiro de 2026

O PERFIL ACEITÁVEL (E ELOGIÁVEL) DO HUMOR

     


    Quando, entre 1976 e 1977,  o comediante Silvino Neto ( 1913 - 1991), ator, cantor, compositor e radialista brasileiro, pai do comediante Paulo Silvino (1939-2017), entrevistado pelo comunicador Jota Silvestre (1922-2000), foi indagado  sobre qual seria o caminho do humor no Brasil, respondeu "a sátira", fundamentando a resposta e concluindo que, "fora dela, não se estaria fazendo graça pra ninguém".






Imbuído de um senso crítico quase perverso desde a minha adolescência e tendo passado pela assistência de "Os Trapalhões" e outras comédias-pastelão das décadas de 1960 e 1970, mas tendo também visto "Faça Humor, Não Faça a Guerra" e "Satiricom" (homônimo-título da obra de Petrônio, da Antiga Roma) que era escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa, e reunia no elenco Jô Soares, Agildo Ribeiro, Renato Corte Real, José Vasconcellos, Paulo Silvino e outros grandes nomes da comédia nacional -- concordei plenamente com Silvino.  Depois viria a assistir a "O Planeta dos Homens",  uma crítica ácida ao sistema, a partir de uma paródia extremamente feliz de "O Planeta dos Macacos", e isso consolidou meu pensamento de que o humor não-crítico não diz mesmo nada a ninguém.  A comédia de tombos de bunda  e tortas de glacê na cara, das situações desconfortáveis e dos corre-corres vem do início do cinema, ao final do século XIX, passou por Charles Chaplin e seguiu pelas décadas, perdendo a graça, a meu ver, ainda nos anos 70, por puro desgaste do tempo e cansaço dos olhos do público um pouco menos condescendente.



    O humor precisa ser engajado, analítico, crítico e, quando da sua elaboração, voltado às situações e circunstâncias atuais e vigentes.  Tem de passar longe do bom-mocismo e ser irreverente, acintoso, capaz de desancar e atirar no ridículo personagens, fatos, clichês e estados de coisas de sua época.  Tem de denunciar, criticar, insinuar, desacreditar, abrir os olhos de quem o lê ou vê, ou então no mínimo mostrar sua comunhão de ideias com este.

   Algumas vezes escrevi humor sem nenhuma segunda-intenção, mas foram apenas  algumas experiências para ver como seria meu texto fora do sarcasmo e da ironia, mas insisto, como Silvino Neto, em que não é esse o caminho do humorismo, pois, do contrário, como o próprio disse, "não se faz graça pra ninguém". 



    Não  é obrigatório que a sátira seja necessariamente política ou social, porque, no tempo de "Satiricom" e "Planeta dos Homens", estávamos em plena ditadura militar, o que não proporcionava aos autores e atores uma grande liberdade para cutucar assuntos mais polêmicos e de relação direta ou indireta com os desmandos do regime.  Assim, a temática objeto de sátira do programa foi na primeira versão a comunicação de massas, depois o comportamento humano e outros componentes que não levariam os militares a sentirem-se afrontados e a tirar a comédia do ar.  Muito embora houvesse vez por outra anedotas sutis que tocavam no que esses não queriam, tendo algumas sido vetadas, outras, simplesmente veiculadas por não abalarem as fundações do sistema.
"Feijão Maravilha", novela de Bráulio Pedroso, ainda do tempo da ditadura, satirizou os filmes de gangsters, "Que Rei sou EU(?)" parodiou os bastidores e a gestão do governo Sarney (já na democracia), travestindo-o de uma monarquia absolutista com muita corrupção e sem nenhum rumo ou habilidade ou competência para governar.





    Algumas vezes escrevi humor sem nenhuma segunda-intenção, mas foram apenas  algumas experiências para ver como seria meu texto fora do sarcasmo e da ironia, mas insisto, como Silvino Neto, em que não é esse o caminho do humorismo, pois, do contrário, como o próprio disse, "não se faz graça pra ninguém". 


Fotos: Google

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

MARA, A RAINHA DA PRAIA

 Dança Mara

A mais viva dentre as danças,

Sua, brilha

Sua pele apessegada,

Seu rostinho,

Suas pernas torneadas.

Já mostrou que a vida é dança

E reluz como os luares,

Tanto quanto espelhos d'água

Da cidade onde ela mora.


Entra n'água,

Baila assim como sereia,

Vem à tona

E sorri seu riso franco,

Ergue o corpo

E caminha entre as areias,

Eu lhe vejo os olhos claros

Tão pejados de poema,

Seus cabelos encharcados

Sobre os ombros cor de bronze.

Pula, roda, volta à dança,

Porque pulsa como a vida,

Pois clareia a praia inteira

E é assim como o verão.


domingo, 4 de janeiro de 2026

OS HUMANOS E O FILHO DEUS

 Ó, humanos vis, mantende o deus

Que vós criastes, que essa torpeza, que essa maldade

Que carregais

Em vossas almas

Tanto demanda

Pra vos sentirdes

Menos mesquinhos,

Pra que as barbáries

Que praticais, humanos, tenham

Sempre perdão 

--Se a hipocrisia

De vossa índole,

Ao vos fingir-vos arrependidos,

Será clemente,

Pois vós ao fim

Que na verdade

Vos julgareis.

Mantende vivo, mas muito vivo

O deus parido

Da natureza tão mentirosa

Que cultivais.

Um deus vos dá essa certeza

Tão descabida

De serdes entre

As criaturas

As mais perfeitas,

As prediletas, 

Mais importantes

E, assim, sagradas.



Não 

Abandoneis

Jamais a fé,

Se o deus que criastes à vossa semelhança

É pra punir cruelmente vossos desafetos

E perdoar vossos pecados hediondos.

Deus ainda vos dá o grande privilégio

De poderdes exercer vossa preguiça

E entregar em suas mãos a concretização dos   mil desejos que alimentais.

Ah, humanos vis, como eu odeio

Ser, salvo quanto às crenças que nutris

--que necessito e não alcanço --

vil, pequeno como vós!


SE EU PUDESSE CRER

 Se eu cresse numa existência após a morte,

Veria essa tal vida como tão somente o [sobreviver da consciência à sucumbência                         [da matéria,

Sem que nenhum outro corpo essa citada  consciência viesse um dia a habitar 

Ou, resignado, contaria com longos anos em zonas umbralinas

Para, após purgados os pecados, ascender a um plano espiritual mais elevado?

E nesse patamar iria preferir permanecer eternamente ou quereria retornar à [terra para me redimir dos malfeitos cometidos?

Mas e as pessoas que odeio mortalmente e [com repulsa, e aquelas que desprezo com [ausência total do mais pífio interesse ou emoção?

Como conseguiria eu aceitar o compulsório contato ou o convívio com essas      [novamente?

Se o Universo, dadivoso, reservasse a todos nós a vida eterna, 

Os nossos mortos, humanos e animais, não teríamos talvez motivo algum para [chorar,

Justamente por serem eles infindos como nós.

Se o reencontro seria magnífico tal como o paraíso que a alma sempre almeja e [sempre anseia.

Seria infinitamente bom se nisso eu cresse,

Mas o espiritualista que tentei com grande esforço em mim criar

Sucumbiu infelizmente à falta de respostas e às lacunas que as religiões e filosofias não conseguiram preencher,

E, então, fiquei tão cru, descrente, triste e [inconformado com meu fim, que é [uma certeza,

E com a ausência definitiva das pessoas e bichinhos que eu amei.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PARTIR II

  Só quero ir embora

Daqui da cidade:

Do lugar eu não tenho

O menor fragmento

E nela não vejo

Nadinha de mim.


Saí pelas ruas,

Bebi pelos bares,

Andei pelas vias:

Não vi poesia,

Não vi os campos belos

De Minas Gerais.


Até a mineirinha, 

Que agora mal vejo,

Não mais brilha ou dança

Nem tenho na cama,

Assim como eu,

Bem vi, envelheceu.


Só quero partir

Sem por um segundo

Olhar para trás

E de outra cidade

Sentir-me um pedaço,

Sentindo-a  em mim.


VELHICE

 O que me espera à frente,

Uns anos adiante,

Senão tentar debalde

Fugir das minhas trevas

Por labirintos negros,

Entre as assombrações?



Não nascerão auroras

Nem mesmo as esperanças,

Não ouvirei orquestras,

Será tudo sombrio,

Não haverá mais sambas,

Tampouco carnavais.



Temer o inevitável,

Ter salvação na morte,

Que é qual morar no nada,

Qual existir no nunca,

Que é tão absoluta,

Que é o fim de tudo, o fim(!).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

OS POBRES DE DIREITA E OS POLÍTICOS DE CENTRO


A mídia divulgou ontem, 25.12.2025, a pesquisa da "Tarcísio-Quaest",  ops(!), desculpe(!), "Quaest", que aponta que, apesar de 40% dos entrevistados se declararem petistas, 35% bateram continência, perfilaram-se, bateram no peito e se disseram da direitaça, enquanto 11% aprumaram-se, olharam para o horizonte e responderam, orgulhosos, ser de centro-direita.  Somando-se as duas parcelas conservadoras, são 46% de direitistas; teria a pesquisa sido toda feita na Faria Lima? Oh, povo nobre, valoroso, heroico, que, embora pobre, tem orgulho de ser o que é e, mais que isso, abnegado e elevado,  defende com o próprio sacrifício as elites e os patrões!  Vamos chorar, gente!

Como não bastasse o levantamento apresentar tantos direitistas, 17% fizeram um ar altaneiro e definiram-se como de centro(!), de centro(!), nem de direita, nem de esquerda!  Altos, grandiosos, acima das divergências ideológicas entre os homens.  Nem de direita, nem de esquerda, mas de centro.  Mas... o que é centro? Fico aqui matutando, matutando... Bem, conheço centros de umbanda, candomblé, quimbanda.  Imaginei uma fila de congressistas se organizando pra serem benzidos por um exu, um preto-velho, um caboclo, o Davi Alcolumbre no meio da fila com aquele corpanzil,  tornando difícil a quem estivesse atrás  dele enxergar o tamanho da fila,  O Hugo Motta tomando banho de erva-doce com açúcar pra tentar fazer as pessoas gostarem mais dele. E se baixa subitamente uma pomba-gira no Alcolumbre, e alguém é obrigado a lhe enfiar um vestido longo vermelho, e o senador põe os punhos na cintura e fica a rebolar uma só das ancas, dando gargalhadas e esticando a cabeça pra trás?

   Sei também  que existem centros comerciais, centro da questão, centros de tratamento de saúde, mas que diabo seria um político de centro?  Ah, já sei! Devem ser parlamentares que trabalham ou frequentam esses centros de matriz africana.  Mas, peraí, como é que tanta gente do "Centrão" vai ser de centro, se uma grande parte deles se autodenomina evangélica?!  Fiquei confuso, porque o que poderia ser um deputado ou senador de centro?  Contrário ou favorável ao fim da escala 6 x 1 ?  Sugeriria ele uma escala 5 e meio por 1 e meio?  E quanto ao direito de greve  e de manifestações reivindicatórias dos trabalhadores?  Votaria pelo direito de meia greve em meio expediente de trabalho, mas fazendo manifestações mudas e silenciosas?  E quanto à necessidade de melhor distribuição de renda, menor desigualdade?  Acharia que 1 real de aumento salarial pra todos os que trabalham e são aposentados resolveria essa questão e tornaria a sociedade mais justa?  O centrista tornaria até complicado responder se ele é conservador ou progressista:  uma coisa nem outra, imagina só!  Vota no Lula ou no Tarcísio?  Nos dois não pode, e agora?  Em dia de eleição, então, é provável (e desejável) que nem compareça à seção eleitoral.  Melhor do que isso, porém, é que ele nunca, jamais se candidate.




sábado, 20 de dezembro de 2025

NAS ANDANÇAS DO PODER -- OITAVA PARTE: "O ACORDÃO"

    É do conhecimento de todos a conspiração de golpe de Estado que culminou com a quebradeira de 8 de janeiro de 2023, daí não necessitar eu fazer um trabalho jornalístico com a narração pormenorizada dos fatos que deram origem à invasão dos prédios dos Três Poderes e posteriormente à autuação, indiciamento e condenação dos envolvidos, sobretudo os líderes,  nos episódios.

A fatia democrática da população  brasileira acompanhou com grande alento e júbilo o julgamento dos réus, a firmeza de Alexandre de Moraes, Carmen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, ministros do Supremo Tribunal Federal, em condenar todos os responsáveis pelos atos praticados.

O processo golpista, entretanto, não teve fim com as prisões, e Bolsonaro clamou por anistia, causa abraçada e acolhida com todo o zelo (e toda a tara) pela extrema-direita e por parte (depois totalidade)   dos direitistas fisiológicos do famigerado (e mal nomeado) "Centrão".  A tese todavia foi vista pelos juristas como inconstitucional, e isso fez que os golpistas passassem a defender outro instrumento: a dosimetria ou, melhor, a redução de penas.  Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, nomeou Paulinho da Força Sindical, ex-sindicalista pelego, relator do projeto de lei, que contou com o apoio de figuras absolutamente rejeitáveis como Aécio Neves e o ex-presidente Michel Temer, que, com minha repetição à expressão do analista da "Revista Forum", Plínio Teodoro, saiu de "lá das catacumbas" para se imiscuir na política nacional como se fosse um líder respeitado e de grande expressão.

Após inúmeros debates e comentários na mídia, Hugo Motta assegurou que não pautaria o infame projeto e, subitamente, colocou-o em votação, sem dar tempo aos parlamentares progressistas para articularem-se contra aquela infâmia.  O maior problema foi que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia-se de maneira inexplicável e repentina insurgido contra o governo e o STF, e tentou aprovar o texto no mesmo dia, não o fazendo porque o senador Otto Alencar, do PSD, exigiu que a Comissão de Constituição e Justiça analisasse a matéria e se propôs a rejeitá-la com o apoio de Alessandro Vieira, do Partido Novo, que prometeu fazer um voto em separado para dinamitar a proposta.  

Nesse ínterim, o PT e sua militância mobilizaram-se nas redes sociais, pediram o apoio de artistas legalistas e democráticos, que assim como o partido chamou o povo a comparecer a atos de protesto contra a maldita dosimetria, o que gerou um domingo de dezembro (14/12/2025) de comovente festa cívica, em que mais de dezoito mil pessoas reuniram-se no Rio de Janeiro, em frente à orla de Copacabana, mais de treze mil concentraram-se em São Paulo, em frente ao MASP, além de outros atos públicos terem-se dado nas capitais e grandes cidades do Brasil.  As manifestações tiveram a participação de Chico Buarque, Caetano Veloso, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Djavan, Daniela Mercury e vários outros artistas compromissados com a democracia.  Todos tínhamos a expectativa de que o Senado acovardar-se-ia e não teria coragem de votar a favor do projeto.

Mas estávamos, nós, os democratas e antifascistas, rotundamente enganados, porque Alessandro Vieira não fez voto em separado coisa nenhuma, disse como forma de denúncia que o texto que seria  votado era "o texto de Alexandre de Moraes", porque, segundo ele, havia acontecido inúmeras conversas de senadores com Alexandre e outros ministros da Corte, e o próprio Alessandro, que mostrara-se tão indignado, votou a favor do tal texto a que tanto se opusera.  O mais surpreendente, entretanto, o que mais estarreceu os cidadãos de boa-fé do Brasil foi que o próprio partido do governo, o PT -- suspeita-se que por orientação do líder Jacques Wagner e plena anuência do Lula --, ausentou-se em sua maioria da sessão da CCJ, permitindo que a proposta fosse a plenário e aprovada por maioria esmagadora.

O governo e o PT fizeram os manifestantes,  os artistas e os cidadãos  de palhaços, e acabaram na prática por auxiliar a ultradireita a aprovar aquela aberração, que reduziu a pena em regime fechado de Bolsonaro para menos da metade, de seis para dois anos, e dias depois Plínio Teodoro viria a confirmar a versão de Alessandro Vieira de que se tratava de um acordão com a participação de Michel Temer e Alexandre de Moraes.  Luiz Costa Pinto, do "ICL" (Instituto Conhecimento Liberta), também declarou que, assim como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes teriam participado do conchavo.

Assim o governo Lula e o PT, o próprio STF e os políticos fascistas e oportunistas tornaram pó aquele julgamento que seria um marco na história do Brasil -- por emitir uma mensagem explícita de que doravante nenhuma tentativa de golpe de Estado ficaria impune -- e permitiram que o país voltasse a ser atrativo e convidativo para usurpações de poder e estupros à democracia.