Ó, humanos vis, mantende o deus
Que vós criastes, que essa torpeza, que essa maldade
Que carregais
Em vossas almas
Tanto demanda
Pra vos sentirdes
Menos mesquinhos,
Pra que as barbáries
Que praticais, humanos, tenham
Sempre perdão
--Se a hipocrisia
De vossa índole,
Ao vos fingir-vos arrependidos,
Será clemente,
Pois vós ao fim
Que na verdade
Vos julgareis.
Mantende vivo, mas muito vivo
O deus parido
Da natureza tão mentirosa
Que cultivais.
Um deus vos dá essa certeza
Tão descabida
De serdes entre
As criaturas
As mais perfeitas,
As prediletas,
Mais importantes
E, assim, sagradas.
Não
Abandoneis
Jamais a fé,
Se o deus que criastes à vossa semelhança
É pra punir cruelmente vossos desafetos
E perdoar vossos pecados hediondos.
Deus ainda vos dá o grande privilégio
De poderdes exercer vossa preguiça
E entregar em suas mãos a concretização dos mil desejos que alimentais.
Ah, humanos vis, como eu odeio
Ser, salvo quanto às crenças que nutris
--que necessito e não alcanço --
vil, pequeno como vós!