Se eu cresse numa existência após a morte,
Veria essa tal vida como tão somente o [sobreviver da consciência à sucumbência [da matéria,
Sem que nenhum outro corpo essa citada consciência viesse um dia a habitar
Ou, resignado, contaria com longos anos em zonas umbralinas
Para, após purgados os pecados, ascender a um plano espiritual mais elevado?
E nesse patamar iria preferir permanecer eternamente ou quereria retornar à [terra para me redimir dos malfeitos cometidos?
Mas e as pessoas que odeio mortalmente e [com repulsa, e aquelas que desprezo com [ausência total do mais pífio interesse ou emoção?
Como conseguiria eu aceitar o compulsório contato ou o convívio com essas [novamente?
Se o Universo, dadivoso, reservasse a todos nós a vida eterna,
Os nossos mortos, humanos e animais, não teríamos talvez motivo algum para [chorar,
Justamente por serem eles infindos como nós.
Se o reencontro seria magnífico tal como o paraíso que a alma sempre almeja e [sempre anseia.
Seria infinitamente bom se nisso eu cresse,
Mas o espiritualista que tentei com grande esforço em mim criar
Sucumbiu infelizmente à falta de respostas e às lacunas que as religiões e filosofias não conseguiram preencher,
E, então, fiquei tão cru, descrente, triste e [inconformado com meu fim, que é [uma certeza,
E com a ausência definitiva das pessoas e bichinhos que eu amei.
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