A mídia divulgou ontem, 25.12.2025, a pesquisa da "Tarcísio-Quaest", ops(!), desculpe(!), "Quaest", que aponta que, apesar de 40% dos entrevistados se declararem petistas, 35% bateram continência, perfilaram-se, bateram no peito e se disseram da direitaça, enquanto 11% aprumaram-se, olharam para o horizonte e responderam, orgulhosos, ser de centro-direita. Somando-se as duas parcelas conservadoras, são 46% de direitistas; teria a pesquisa sido toda feita na Faria Lima? Oh, povo nobre, valoroso, heroico, que, embora pobre, tem orgulho de ser o que é e, mais que isso, abnegado e elevado, defende com o próprio sacrifício as elites e os patrões! Vamos chorar, gente!
Como não bastasse o levantamento apresentar tantos direitistas, 17% fizeram um ar altaneiro e definiram-se como de centro(!), de centro(!), nem de direita, nem de esquerda! Altos, grandiosos, acima das divergências ideológicas entre os homens. Nem de direita, nem de esquerda, mas de centro. Mas... o que é centro? Fico aqui matutando, matutando... Bem, conheço centros de umbanda, candomblé, quimbanda. Imaginei uma fila de congressistas se organizando pra serem benzidos por um exu, um preto-velho, um caboclo, o Davi Alcolumbre no meio da fila com aquele corpanzil, tornando difícil a quem estivesse atrás dele enxergar o tamanho da fila, O Hugo Motta tomando banho de erva-doce com açúcar pra tentar fazer as pessoas gostarem mais dele. E se baixa subitamente uma pomba-gira no Alcolumbre, e alguém é obrigado a lhe enfiar um vestido longo vermelho, e o senador põe os punhos na cintura e fica a rebolar uma só das ancas, dando gargalhadas e esticando a cabeça pra trás?
Sei também que existem centros comerciais, centro da questão, centros de tratamento de saúde, mas que diabo seria um político de centro? Ah, já sei! Devem ser parlamentares que trabalham ou frequentam esses centros de matriz africana. Mas, peraí, como é que tanta gente do "Centrão" vai ser de centro, se uma grande parte deles se autodenomina evangélica?! Fiquei confuso, porque o que poderia ser um deputado ou senador de centro? Contrário ou favorável ao fim da escala 6 x 1 ? Sugeriria ele uma escala 5 e meio por 1 e meio? E quanto ao direito de greve e de manifestações reivindicatórias dos trabalhadores? Votaria pelo direito de meia greve em meio expediente de trabalho, mas fazendo manifestações mudas e silenciosas? E quanto à necessidade de melhor distribuição de renda, menor desigualdade? Acharia que 1 real de aumento salarial pra todos os que trabalham e são aposentados resolveria essa questão e tornaria a sociedade mais justa? O centrista tornaria até complicado responder se ele é conservador ou progressista: uma coisa nem outra, imagina só! Vota no Lula ou no Tarcísio? Nos dois não pode, e agora? Em dia de eleição, então, é provável (e desejável) que nem compareça à seção eleitoral. Melhor do que isso, porém, é que ele nunca, jamais se candidate.
Poemas, vídeos, fotos, comentários, humor, crônicas, contos, músicas, uma variedade de produções. Compilação dos escritos e outros trabalhos produzidos ao longo do tempo. Acesse meu canal no Youtube: https://youtube.com/@demostenesbaraodamata880?si=l1cgAhBMX48XRGYU . Demóstenes "Barão da Mata"
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
OS POBRES DE DIREITA E OS POLÍTICOS DE CENTRO
sábado, 20 de dezembro de 2025
NAS ANDANÇAS DO PODER -- OITAVA PARTE: "O ACORDÃO"
É do conhecimento de todos a conspiração de golpe de Estado que culminou com a quebradeira de 8 de janeiro de 2023, daí não necessitar eu fazer um trabalho jornalístico com a narração pormenorizada dos fatos que deram origem à invasão dos prédios dos Três Poderes e posteriormente à autuação, indiciamento e condenação dos envolvidos, sobretudo os líderes, nos episódios.
A fatia democrática da população brasileira acompanhou com grande alento e júbilo o julgamento dos réus, a firmeza de Alexandre de Moraes, Carmen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, ministros do Supremo Tribunal Federal, em condenar todos os responsáveis pelos atos praticados.
O processo golpista, entretanto, não teve fim com as prisões, e Bolsonaro clamou por anistia, causa abraçada e acolhida com todo o zelo (e toda a tara) pela extrema-direita e por parte (depois totalidade) dos direitistas fisiológicos do famigerado (e mal nomeado) "Centrão". A tese todavia foi vista pelos juristas como inconstitucional, e isso fez que os golpistas passassem a defender outro instrumento: a dosimetria ou, melhor, a redução de penas. Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, nomeou Paulinho da Força Sindical, ex-sindicalista pelego, relator do projeto de lei, que contou com o apoio de figuras absolutamente rejeitáveis como Aécio Neves e o ex-presidente Michel Temer, que, com minha repetição à expressão do analista da "Revista Forum", Plínio Teodoro, saiu de "lá das catacumbas" para se imiscuir na política nacional como se fosse um líder respeitado e de grande expressão.
Após inúmeros debates e comentários na mídia, Hugo Motta assegurou que não pautaria o infame projeto e, subitamente, colocou-o em votação, sem dar tempo aos parlamentares progressistas para articularem-se contra aquela infâmia. O maior problema foi que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia-se de maneira inexplicável e repentina insurgido contra o governo e o STF, e tentou aprovar o texto no mesmo dia, não o fazendo porque o senador Otto Alencar, do PSD, exigiu que a Comissão de Constituição e Justiça analisasse a matéria e se propôs a rejeitá-la com o apoio de Alessandro Vieira, do Partido Novo, que prometeu fazer um voto em separado para dinamitar a proposta.
Nesse ínterim, o PT e sua militância mobilizaram-se nas redes sociais, pediram o apoio de artistas legalistas e democráticos, que assim como o partido chamou o povo a comparecer a atos de protesto contra a maldita dosimetria, o que gerou um domingo de dezembro (14/12/2025) de comovente festa cívica, em que mais de dezoito mil pessoas reuniram-se no Rio de Janeiro, em frente à orla de Copacabana, mais de treze mil concentraram-se em São Paulo, em frente ao MASP, além de outros atos públicos terem-se dado nas capitais e grandes cidades do Brasil. As manifestações tiveram a participação de Chico Buarque, Caetano Veloso, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Djavan, Daniela Mercury e vários outros artistas compromissados com a democracia. Todos tínhamos a expectativa de que o Senado acovardar-se-ia e não teria coragem de votar a favor do projeto.
Mas estávamos, nós, os democratas e antifascistas, rotundamente enganados, porque Alessandro Vieira não fez voto em separado coisa nenhuma, disse como forma de denúncia que o texto que seria votado era "o texto de Alexandre de Moraes", porque, segundo ele, havia acontecido inúmeras conversas de senadores com Alexandre e outros ministros da Corte, e o próprio Alessandro, que mostrara-se tão indignado, votou a favor do tal texto a que tanto se opusera. O mais surpreendente, entretanto, o que mais estarreceu os cidadãos de boa-fé do Brasil foi que o próprio partido do governo, o PT -- suspeita-se que por orientação do líder Jacques Wagner e plena anuência do Lula --, ausentou-se em sua maioria da sessão da CCJ, permitindo que a proposta fosse a plenário e aprovada por maioria esmagadora.
O governo e o PT fizeram os manifestantes, os artistas e os cidadãos de palhaços, e acabaram na prática por auxiliar a ultradireita a aprovar aquela aberração, que reduziu a pena em regime fechado de Bolsonaro para menos da metade, de seis para dois anos, e dias depois Plínio Teodoro viria a confirmar a versão de Alessandro Vieira de que se tratava de um acordão com a participação de Michel Temer e Alexandre de Moraes. Luiz Costa Pinto, do "ICL" (Instituto Conhecimento Liberta), também declarou que, assim como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes teriam participado do conchavo.
Assim o governo Lula e o PT, o próprio STF e os políticos fascistas e oportunistas tornaram pó aquele julgamento que seria um marco na história do Brasil -- por emitir uma mensagem explícita de que doravante nenhuma tentativa de golpe de Estado ficaria impune -- e permitiram que o país voltasse a ser atrativo e convidativo para usurpações de poder e estupros à democracia.
sábado, 13 de dezembro de 2025
NAS ANDANÇAS DO PODER - SÉTIMA PARTE: "O BANQUEIRO"
Os três senadores ficaram horas mortas na sala de espera, entretendo-se em olhar a figura bonita da secretária a trabalhar na mesa defronte a eles. Eram três parlamentares renomados e de expressiva liderança sobre os seus pares do Senado: Edvaldo Gotardo, Abdias Teixeira e Samuel Azevedo. Sempre dando entrevistas e tendo ampla cobertura da mídia mesmo nos seus pleitos mais sórdidos, o que é, logicamente, fruto de uma moral nacional de valores absolutamente invertidos. Poder-se-ia chamá-los líderes do país, com um poder de fogo maior do que os dois outros poderes, executivo e judiciário, juntos. Nada era aprovado sem a prevalência da vontade dos três e dos presidentes da Câmara dos Deputados e da Casa Alta. Poder de mando à parte, estavam ali numa sala de espera há mais de uma hora, aguardando Sílvio Müller, o financista, recebê-los. Mais pareciam crianças na secretaria de uma escola a esperar a diretora passar-lhes um pito por conta de algum malfeito. E na verdade havia mesmo um pecado do qual se deveriam redimir: a aprovação do imposto em desfavor dos super-ricos para custear a isenção do imposto de renda em prol dos que ganhavam até cinco mil reais. Era a certeza de um grande pito, e os três se entreolhavam entre entediados e constrangidos.
Quando enfim o magnata permitiu-lhes a entrada, encontraram três cadeiras colocadas diante da imensa mesa de estadista do banqueiro, que apenas fez um gesto de cabeça frio em resposta aos cumprimentos dos três, apertando a seguir a mão de cada um com frouxidão e secura. Estava extremamente agastado.
Dispensou protocolos e atitudes bem-educadas e começou a atacá-los com com a voz em tom baixo e ríspido, e as duas mãos espalmadas na mesa:
--Que cagada foi aquela de vocês deixarem passar aquela porra no Senado?
--Sílvio -- justificou-os Samuel -- não pudemos fazer nada. Você soube que houve manifestações de rua, ficaram expondo cartazes com "Congresso inimigo do pobre" e outras apoteoses.
--Foda-se manifestação popular! Povo é só massa de manobra, e vocês deviam ter sabido manobrá-lo com competência.
--Mas tentamos -- replicou Abdias -- O problema é que tinha artista no meio...
--Mas todo o movimento era contra vocês quererem aprovar a PEC da blindagem numa hora inoportuna. Aquilo foi uma idiotice! --insistiu Müller em sua expressão raivosa desenhada no rosto de um homem que iria por seus sessenta de idade.
--Mas os trabalhadores aproveitaram o ensejo pra nos atacar por conta de a gente ter tentado barrar justamente o imposto contra os de melhor situação financeira...
--Dava um jeito! soltava os cachorros contra aquela escória! Botava políca na rua pra enfiar a porrada...!
--Como, Dr. Sílvio? -- encolheu os ombros Edvaldo, acovardado -- Como depois do 8 de janeiro? A sociedade não vai se esquecer disso tão cedo.
--Mas podiam -- esmurrou a mesa o banqueiro -- porque há pelo menos trinta por cento de apoiadores da direita mais severa no meio da população, enquanto outros mais de trinta e cinco por cento não tão nem aí pra nada, só querem ver seu time jogar, tomar sua cachaça e ver sua novela. Os evangélicos, por exemplo, não apoiariam nenhuma pauta reivindicatória. A felicidade pra eles tá "garantida" pro pós-morte, portanto não prestariam nenhum apoio.
--Mas não dava pra segurar a determinação daquela multidão -- choramingou Samuel, gordo e pálido, o suor escorrendo pelo rosto.
O banqueiro levantou-se, andou pela sala e sacudiu indignado a cabeça:
--E olhe que cada um de vocês pede mais favores e mais dinheiro do que dez putas ricas juntas. Que desperdício investir na sua liderança!
--Não havia como, Sílvio -- levou Samuel a mão ao peito, eximindo-se de culpa -- Os holofotoes ficaram todos em cima do Congresso, tentar barrar aquilo seria suicídio político.
Sílvio voltou a sentar-se, fechou o punho e levou as costas do mão ao queixo, ficou segundos a olhar para o nada e a seguir jogou o olhar em cima dos três:
--Há duas matérias que são de crucial importância pra mim: o marco temporal das reservas indígenas e o projeto do licenciamento ambiental. Vocês sabem que tenho muitas terras no Mato Grosso, no Sul e no Amazonas, e preciso avançar minha soja e meu gado pra dentro das matas. Vai ser um aumento significativo das minhas áreas de produção.
--Nós sabemos disso -- antecipou-se Abdias -- Os índios e as florestas são verdadeiros entraves à expansão dos negócios. Nesse caso nós estaremos representando o agronegócio, que é um apoio muito importante pra gente. A bancada ruralista é muito ampla...
--Poderosa e numerosa! -- interrompeu-o Samuel.
--Vamos falar com os nossos companheiros -- tornou Abdias -- que são maioria absoluta, podendo, como você sabe, até aprovar emendas à Constituição.
Edvaldo ainda abriu um sorriso safado:
--O senhor sabe que somos "centrão", mas o grupo ficou dividido na questão do imposto...
--Você foram defecções -- olhou-os com um olhar de dura repreensão Sílvio Müller.
--Mas desta vez vamos estar unidos -- insistiu o gordo Samuel -- A aprovação dessas duas matérias é certa.
--Até porque o povo -- corroborou Edvaldo -- não tá nem aí pra indígena ou meio-ambiente.
O banqueiro, então, olhou com firmeza e perguntou:
--Vocês prometem aprovar as duas matérias pra mim?
Os três responderam quase em coro:
--Prometemos.
POR QUE O AGRO NÃO É POP COISA NENHUMA
Quando o governo subsidia a agricultura familiar, grupo de pequenos agricultores, está fazendo um trabalho social de suma importância que gera efeitos em duas esferas: a do pequeno agricultor, que depende da União para permanecer num trabalho de remuneração digna e salvar-se da pobreza e da miséria, e a do consumidor final, que obtém alimentos mais baratos e vê, nessa área específica, seu poder de compra aumentado.
Já o grande agro, que é formado por herdeiros de incalculáveis extensões de terras, propriedades rurais assustadoramente gigantescas, gente que tem dificuldade de mensurar o tamanho da própria fortuna (e também, lógico, do próprio patrimônio), pessoas dentre as quais há descendentes dos coronéis da Guarda Nacional, do tempo do Império, que recebiam do Imperador Dom Pedro II as chamadas sesmarias, extensões territoriais da imensidão de verdadeiras cidades, pelos relevantes serviços prestados ao fornecerem homens e armas ao governo para apoiá-lo em suas guerras internas e ajudá-lo a sufocar rebeliões no âmbito nacional.
Esses abastados do agronegócio não têm necessidade de ajuda da União Federal nem importância no que tange à área social, porque voltam suas produções quase que exclusivamente para a exportação, recebendo fortunas em dólar, deixando pouca coisa para o mercado interno e elevando, consequentemente, os preços de seus produtos para o consumo nacional.
O Bolsonaro, "office boy" do agro e do mercado financeiro (assim como Tarcísio de Freitas) batia no peito ao dizer que o agro brasileiro alimentava mais de três bilhões de pessoas no mundo, mas furtava-se a reconhecer que o setor o fazia em troca de ganhos bem polpudos, além de dar a impressão de que nossos "abnegados e caridosos" fazendeiros distribuíam gratuitamente ou por preços módicos alimentos a uma parcela significativa da população do planeta, num trabalho comovente de caridade em que enviava comida às vítimas de fome da África.
O agro ganha tanto dinheiro que não precisa da menor ajuda do governo, tendo plenas condições de se bancar e, ao mesmo tempo em que defende o neoliberalismo, onde você ou prospera pelos próprios meios, ou simplesmente fale (e dane-se sua dignidade e direito à subsistência), é, quando se trata de receber dinheiro do orçamento federal, paradoxal e extremamente socialista, sugando legalmente uma parte gigante dos recursos públicos em detrimento de toda uma sociedade trabalhadora. Quantos empregos, obras sociais e outros benefícios o Brasil não poderia patrocinar com essa verba gasta com gente que não precisa? Se você acha que bastaria o governante de plantão opor-se a isso e atuar para acabar com essa caridade financeira para bilionários, não imagina que ai daquele presidente que se indisponha com esses barões e essa farra: é "impeachment" sumário, pois, assim como o mercado financeiro, os latifundiários têm tantos representantes no Congresso, que fico achando que bastaria que as matérias de interesse dos dois setores deveriam ser decididas pelos presidentes das duas casas(Câmara e Senado), porque é uma perda de tempo colocar em votação matérias cujos resultados a gente sempre conhece meses antes da votação.
Enquanto mergulha em fartos e obesos recursos públicos, como o Tio Patinhas (pra quem é velho como eu e se lembra) em sua piscina de dinheiro, os magnatas da atividade rural, justamente para manter sua piscina monetária transbordando em grana, fazem rotineira e obstinadamente oposição a qualquer projeto possa atender às classes pobres e trabalhadoras. Outro efeito deletério de suas benesses é a automática dificultação de qualquer iniciativa que possa propiciar o desenvolvimento da indústria no Brasil. Não há dinheiro para investimentos nesse setor: o Congresso e os "coronéis" abocanham a parte de leão do Orçamento. E aí vem a Globo e diz à exaustão que "agro é pop". Não se poderia esperar comportamento diverso da emissora, que, como toda a grande mídia, foi parida para ser porta-voz dos financistas, dos bancos, dos especuladores dos famigerados mercados e outros sanguessugas do suor da absoluta maioria da sociedade brasileira.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
TURBILHÃO
Soam raios, trovões casa adentro.
Tão sonoros, passeiam nos cômados
E repercutem nas paredes e tetos.
Soam raios, trovões casa adentro,
Que não vêm da atmosfera ou do céu,
Mas do fundo do meu peito repleto de chagas
E retumbante de milhões de emoções.
Há vendavais, soam trovões, soam raios
E são gritos do desejo de vida,
São brados do desejo de morte,
Um acúmulo imenso de amores,
Profusão de intensas paixões,
Um querer chorar convulsivo
E partir para muito distante,
Depois, para ainda mais longe
E pisar regiões inúmeras,
E dançar pelas ruas lotadas
E pelos bordéis das cidades.
Soam raios, trovões casa adentro:
É o peito implodindo de anseios,
Profusão de sentimentos imensos,
Turbilhão de minh'alma a berrar.