Soam raios, trovões casa adentro.
Tão sonoros, passeiam nos cômados
E repercutem nas paredes e tetos.
Soam raios, trovões casa adentro,
Que não vêm da atmosfera ou do céu,
Mas do fundo do meu peito repleto de chagas
E retumbante de milhões de emoções.
Há vendavais, soam trovões, soam raios
E são gritos do desejo de vida,
São brados do desejo de morte,
Um acúmulo imenso de amores,
Profusão de intensas paixões,
Um querer chorar convulsivo
E partir para muito distante,
Depois, para ainda mais longe
E pisar regiões inúmeras,
E dançar pelas ruas lotadas
E pelos bordéis das cidades.
Soam raios, trovões casa adentro:
É o peito implodindo de anseios,
Profusão de sentimentos imensos,
Turbilhão de minh'alma a berrar.
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