Do mesmo modo como os religiosos buscam, acima de tudo, o próprio bem-estar e veem como meio de obter ou manter a felicidade as oferendas aos seus orixás ou as orações e louvações a Deus e outras entidades, os políticos e os membros dos três poderes da República, os profissionais e donos de órgãos de imprensa, os comunicadores de massa e a mídia no geral buscam a mobilidade social ou no mínimo a manutenção da própria condição nas bênçãos de um ente bem mais concreto e palpável: o poder econômico. Nessa troca de benesses, o poder público evita abalar o potencial econômico das elites, e elas em contrapartida apoiam políticos afinados com os objetivos de cada um dos seus setores. Em outras palavras, as elites proporcionam aos que rezam ao pé dos seus altares altos cargos no executivo, legislativo e judiciário, quer no âmbito municipal, estadual ou federal (não havendo, é lógico, judiciário nos municípios do Brasil).
Vários setores que deveriam representar os interesses da sociedade convergem, muito pelo contrário, para um supremo e quase onipotente senhor, composto das mais altas castas do país: o topo da pirâmide social.
A partir dessa observação, "Nas Andanças do Poder" procura focalizar a maneira como as peças desse tabuleiro se movimentam. Daí podermos notar que a confluência de interesses políticos e econômicos podem, não de maneira generalizada, mas incidente, colocar representantes do poder público, do crime organizado, da religião e das camadas mais abastadas da população, ou apenas dois ou três desses segmentos, do mesmo lado do ringue, onde o grande adversário é a inumerável massa de assalariados, que abrange grupos que vão dos mais carentes à classe média intermediária (que não é alta nem baixa), que se considera privilegiada quando é justamente o contrário: é tão sacrificada quanto os outros mais baixos estratos sociais.
Assim se dá o jogo do poder no Brasil e no mundo inteiro ou quase inteiro, o que faz os ricos a cada dia mais ricos e deixa para os desprivilegiados conscientes uma indignação impotente, já que não há meios de romper esse estado de coisas, que se arrima nos meios de comunicação, nos braços armados do Estado e do crime organizado (que é clandestino, mas nada tem de marginal, pois, pelos lucros estratosféricos que aufere, pela quantidade astronômica de dinheiro que lava em negócios lícitos e no mercado financeiro, está perfeitamente enquadrado nos moldes do mais selvagem sistema capitalista -- ou você acha que traficantes e milicianos são socialistas?) e na ignorância de uma absoluta maioria da sociedade, que vota contra si própria nos pleitos eleitorais, resiste ao conhecimento e parece se orgulhar de ser ignara.
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